Canola

Europa: estudo contesta credenciais ecológicas do biodiesel de colza


BiodieselBR.com - 06 ago 2012 - 17:28
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Um estudo feito por pesquisadores alemães revelou evidências que colocam em xeque a reivindicação de que o biodiesel de colza produzido na União Europeia reduz em 38% a emissão de gases de efeito de estufa (GEEs) em comparação com os combustíveis fósseis.

Valendo-se do mesmo sistema de cálculo utilizado pela Comissão Europeia, dois especialistas da Universidade Schiller de Jena, na Alemanha, descobriram que em 8 de 12 cenários o biodiesel de colza não atingiu o nível de 35% de redução na emissão de GEEs, patamar estipulado pela Diretiva de Energias Renováveis de 2009. O desempenho normalmente fica abaixo de 30%.

As conclusões dos acadêmicos Gernot Pehnelt e Christoph Vietze surgem no momento em que a colheita de colza está no seu auge nos países produtores, tais como a França e a Alemanha, e os preços da matéria-prima seguem um padrão de alta.

Na busca por corte nas emissões, uso de biocombustíveis aumenta.
As descobertas também coincidem com novas propostas para que as emissões de carbono em carros novos sejam reduzidas para 95 g/km – mediante, em parte, o uso de misturas maiores de biocombustíveis no diesel e na gasolina convencionais. Da mesma forma, a aviação civil e militar vem ampliando o uso experimental de biocombustíveis em motores de avião.

Segundo os próprios autores, que utilizaram dados de domínio público para o trabalho, a pesquisa é mais abrangente do que outras análises independentes, embora tenha sido prejudicada pela recusa da União Europeia em liberar todos os seus dados. As requisições de informação feitas pelos especialistas junto ao Joint Research Centre (JRC), órgão de pesquisas do organismo, não foram respondidas.

A falta de transparência da União Europeia já foi alvo de reclamações por parte de ONGs como a ClientEarth. Na opinião dos autores, isso dá mais peso à conclusão, “simples e inevitável”, de que os dados divulgados por Bruxelas sobre as reduções de GEEs proporcionadas pelo óleo de colza são deliberadamente superestimados, além de “políticos” em vez de “científicos”.

Comissão defende dados
Uma porta-voz da Comissão Europeia recusou-se a comentar especificamente sobre o relatório, mas declarou: “Diferentes estudos podem chegar a diferentes resultados, dependendo das premissas utilizadas.”

Ainda assim, ela defendeu os dados da Comissão, afirmando que “os números usados como valores de referência pela Comissão resultam de um processo abrangente que contou com a participação de especialistas de renome mundial e cujos dados e premissas estão disponíveis gratuitamente”.

“A alegação de que os dados não foram compartilhados pela Comissão não é correta. Todos os dados estão publicados no site do JRC”, acrescentou a porta-voz.

De acordo como os autores do estudo, a política de biocombustíveis da União Europeia pode, em todos os seus aspectos à exceção do nome, ser entendida como uma forma de política industrial (conforme alegaram algumas ONGs) utilizada pelo “protecionismo verde” para excluir fontes de biodiesel importadas em nome do agronegócio europeu.

“Nossos resultados indicam que a ‘sustentabilidade’ do biodiesel de colza segundo a interpretação da Diretiva de Energias Renováveis (RED) é, na melhor das hipóteses, bastante questionável e em muitos cenários simplesmente injustificável”, disseram os pesquisadores.

Posicionamentos  
 “O que precisamos é de transparência. A Comissão Europeia hesita em publicar todos os dados de base e promete divulgar novos cálculos para biocombustíveis individuais, mas até agora ainda não divulgou nenhum valor”, diz o Dr. Gernot Pehnelt, da Universidade de Jena, um dos autores do relatório.

“Eles não fornecem nenhuma transparência. Queremos comparar nosso método com o método e com os dados de base usados por eles. É essa a melhor forma de discutir se o biocombustível de colza e outros são sustentáveis ou não”, acrescenta Pehnelt.

Próximos passos
2012: A Comissão Europeia programou o anúncio de novos critérios de sustentabilidade para o o fator de mudança indireta no uso da terra;

2014: Revisão da Diretiva de Energias Renováveis;

2020: Prazo final para o cumprimento da meta de 10% de energia renovável nos combustíveis renováveis na EU;

Fonte: EurActiv.com
Tradução e adaptação BiodieselBR.com 
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