Canola ganha espaço na safra de inverno no RS
Diante dos preços do trigo considerados pouco atrativos e da expectativa de uma colheita de cereal de menor qualidade devido aos efeitos do El Niño, produtores gaúchos apostam na canola como fonte de renda na safra de inverno. Segundo a Emater-RS, a expectativa é de que a área da cultura dobre neste ano, alcançando o recorde de 353,4 mil hectares, alta de 102,64% sobre 2025.
A rentabilidade da canola em relação ao trigo é o principal atrativo para os produtores. “O trigo depende muito das condições de mercado para sua implantação e para a venda. Já a canola tem um modelo atrelado às indústrias de biocombustíveis compradoras da produção, que ajudam a subsidiar a lavoura e já negociam antecipadamente os preços pagos, o que atrai os produtores”, explica Alencar Rugeri, gestor da área de culturas anuais da Emater-RS.
Um dos produtores que estão investindo na oleaginosa pela primeira vez é Tales Pezzini, de Santa Bárbara do Sul (RS). Neste ano, em sua propriedade, não será plantado nenhum hectare de trigo, mas foram semeados 130 hectares de canola. Ele teve apoio técnico da 3tentos, empresa para a qual venderá a produção.
Segundo Pezzini, enquanto o valor do trigo não deve cobrir os custos de produção em 2026, a canola garante a renda. “Devo ter um custo travado de 18 sacas por hectare, enquanto a expectativa é de colher de 30 a 35 sacas por hectare”, destaca.
Neste ano, a 3tentos está incentivando o plantio de mais de 100 mil hectares de canola no Rio Grande do Sul, segundo o diretor de Operações da empresa, Luiz Augusto Dumoncel. A colheita será entregue na fábrica de Ijuí (RS), que recebeu um investimento de R$ 60 milhões para produzir biodiesel a partir da oleaginosa.
A 3tentos projeta receber cerca de 100 mil toneladas de canola por ano, volume que pode resultar em 40 mil toneladas de óleo destinadas à fabricação de biodiesel. “Acreditamos que canola tenha potencial de se aproximar de 1 milhão de hectares no Rio Grande do Sul nos próximos três a cinco anos, a depender da efetivação da lei Combustível do Futuro”, afirma.
Na Agropecuária Piraju, de São Luiz Gonzaga (RS), a família Piccoli, que costumava plantar cerca de 800 hectares de trigo, reduziu a área para 500 hectares nesta safra. Em compensação, a lavoura de canola, que em 2025 era de 200 hectares, alcançará para 350 hectares. Além disso, foram plantados 100 hectares de carinata, oleaginosa usada para fabricação de combustível de aviação, conta o produtor Marcondes Piccoli.

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