Canola

Canola busca consolidar área e produtividade


Jornal do Comércio - 07 jun 2016 - 14:57

Considerada a cultura de inverno com maior liquidez no mercado, a canola ainda busca equilíbrio no Rio Grande do Sul, uma vez que a área plantada tem oscilado nos últimos anos. Após crescer continuamente e atingir um pico de 33,5 mil hectares em 2011, caiu para 28,6 mil em 2012 e para 24,5 mil no ano seguinte, tendo em vista frustrações climáticas. Em 2014, novo incremento com recorde de 40 mil hectares plantados. No ano passado, entretanto, outra queda, dessa vez para 37 mil hectares. Em 2016, a expectativa da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) e da Embrapa Trigo é de um crescimento de 10%, voltando ao patamar de 40 mil hectares.

Segundo a Emater, mais de 90% da intenção de cultivo estava semeada até o fim da semana passada. Neste momento, nas fases de germinação e desenvolvimento vegetativo, as plantas apresentam um "bom stand" inicial, conforme a entidade. A projeção de ocorrência do fenômeno La Niña no segundo semestre, favorável ao desenvolvimento das culturas de inverno, aumenta a perspectiva de uma produtividade de 2,4 mil quilos por hectare, acima da média dos últimos 10 anos, que girou em torno de 1,5 mil quilos por hectare.

O presidente da Abrascanola, Luiz Gustavo Floss, acredita que os produtores estão, aos poucos, conhecendo melhor os pontos críticos da cultura e, portanto, manejando melhor a lavoura. "No caso da canola, o agricultor precisa sair da zona de acomodação de plantios mais conhecidos, como o do trigo", destaca. Conforme Floss, os principais cuidados dizem respeito à semeadura, que precisa ser feita em baixa profundidade e em uma velocidade mais baixa, e na escolha do ponto exato da colheita, uma vez que o ciclo indeterminado da planta propicia, por vezes, uma maturação desuniforme.

O trabalho de entidades ligadas ao setor tem sido em consolidar uma produtividade mais alta em uma área plantada também maior. Segundo pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Tomm, a canola tem potencial para fornecer 4,5 mil quilos por hectare. Além disso, apenas o Rio Grande do Sul poderia estar plantando 2 milhões de hectares em rotação com o trigo.

Atualmente, os produtores podem buscar financiamento bancário com seguro agrícola para investir na cultura, evitando possíveis perdas com geadas tardias. O custo de produção está entre 900 e 1.000 quilos por hectare. Para chegar aos resultados ideais, algumas dificuldades ainda estão sendo transpostas.

Neste ano, por exemplo, se iniciou o projeto Estratégias de manejo associadas a respostas ecofisiológicas da canola em lavouras brasileiras, liderado pela Embrapa em parceria com universidades. "Em um primeiro momento, por exemplo, tínhamos pouco suprimento de sementes. Agora, já ampliamos o número de técnicos que dominam o cultivo, o que é essencial, pois canola exige diversos cuidados na semeadura e na colheita", confirma Tomm. Entre os focos dos estudos está o aperfeiçoamento do zoneamento agroclimático para diminuir as perdas com chuvas na colheita, assim como a aclimatação ao frio extremo para reduzir os danos por geada.

Além das entidades de pesquisa, quem tem incentivado o plantio de canola são empresas demandantes da oleaginosa como matéria-prima. Entre elas, a BSBios, de Passo Fundo. O Programa de Produção de Canola acontece em parceria com produtores, cooperativas e cerealistas, colaborando com o agricultor desde a tomada de decisão, passando pela assistência técnica durante o cultivo para melhoria da produtividade até o pós-colheita. A empresa faz aquisição de toda a produção, cujos preços são acordados por meio de contratos de compra e venda.

"Desde o início da empresa, há quase 10 anos, temos trabalhado com promoção do cultivo da canola", lembra o gerente-geral de filiais da BSBios no Rio Grande do Sul, Anderson Strada. O objetivo é chegar a uma área plantada capaz de suprir o processamento para produção de biodiesel. "Temos um estudo pronto para implantação de uma indústria processadora. O plantio está expandindo e, para o próximo ano, podemos chegar ao nível de implantação. Estamos batendo em 10 mil hectares e precisamos ter em torno de 15 mil hectares", completa Strada.

No setor de alimentos, a Celena é um dos principais exemplos. A companhia atua em toda a cadeia produtiva da canola e do girassol por meio de unidades em Giruá, no Rio Grande do Sul, e Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, além de escritório no Paraguai. "Hoje, existe um forte trabalho de assistência técnica por meio do fomento dessas empresas. Não vejo nenhuma cultura com uma rede de assistência técnica tão bem feita. O produtor tem, dessa maneira, fácil acesso ao conhecimento", relata o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola, Luiz Gustavo Floss.