Canola

Aposta contra a soja, canola sofre redução em área plantada


BiodieselBR.com - 13 jul 2012 - 16:43
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Apesar do interesse coletivo na diversificação, a canola, planta que ganhou bastante tração nos primeiros anos, começa agora a mostrar sinais de que terá um crescimento lento. A almejada diversificação do biodiesel nacional talvez precise de estratégias novas para se desenvolver.


Considerada uma das principais apostas da indústria de biodiesel para a diversificação de oleaginosas, a canola está perdendo espaço entre as culturas de inverno. A constatação vem do 10º Levantamento da Safra de Grãos 2011/2012 divulgado na semana passada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o documento publicado pela Conab, a área plantada com a oleaginosa, que na safra passada havia sido de 42,4 mil hectares, caiu para 39,5 mil hectares na safra atual. Isso representa uma retração de quase 7% entre um ano e outro. Essa já é a segunda redução seguida da área dedicada à oleaginosa – em 2010, os produtores haviam plantado 46,3 mil hectares.

Explicação
Segundo o coordenador de fomento da BSBios e vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola), a chave para explicar essa queda foram as péssimas condições climáticas desfavoráveis registradas na safra passada. “Tivemos chuvas excessivas, geadas e granizo que comprometeram a produtividade da safra 2011 e repercutiram nessa retração de área por parte dos produtores”, justifica, considerando que essa é uma situação normal dadas as adversidades.

Os dados da Conab vão de encontro à argumentação de Benin. Comparando os dados da produção das lavouras de canola entre 2010 e 2011 é possível constatar que houve uma quebra de quase 25,5% na produção entre um ano e outro. Em 2010, foram colhidas 69 mil toneladas de canola enquanto em 2011 a colheita foi de 52 mil toneladas.

Conhecimento
O técnico da área de avaliação de safras da Conab, Eledon Oliveira, concorda que as condições climáticas adversas registradas no ano passado explicam o tombo, mas pondera que, apesar dos pesares, a lavoura tem feito avanços importantes em termos de técnicas agrícolas – com os lavradores acumulando mais conhecimentos sobre o manejo da planta e de suas sementes.

Ele ressalta que apesar da área menor esse ano, a produtividade esperada para 2012 é 11% superior, o que deve garantir uma colheita de 53,6 mil – ligeiramente superior a do ano passado. “Como essa produção tem boa liquidez tanto na indústria do biodiesel quanto na indústria alimentar, onde o óleo de canola é considerado um produto mais nobre, a tendência é que a cultura volte a crescer”, avalia.

Fábio Benin concorda com esse prognóstico. Para ele a produtividade em alta e as boas cotações internacionais da soja (que serve de referência para a formação do preço da canola no mercado brasileiro) deverão render bons resultados financeiros aos produtores. O resultado é ainda mais positivo porque a colheita da canola é feita precisamente na época em que os agricultores começam a se preparar para a semeadura das lavouras de verão. “Isso dá ao agricultor uma injeção de caixa justamente na época em que ele precisa fazer os maiores desembolsos”, pontua.

Gosto amargo
Apesar desta perspectiva otimista para a canola, a queda verificada pela Conab, pelo segundo ano consecutivo, carrega uma boa dose de decepção. É consenso geral entre os diversos segmentos do setor de biodiesel que é necessário diminuir a importância da soja. E, apesar do interesse coletivo, a canola, planta que ganhou bastante tração nos primeiros anos, começa agora a mostrar sinais de que terá um crescimento lento. A almejada diversificação do biodiesel nacional talvez precise de estratégias novas para se desenvolver.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
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