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Comissão Europeia vai investigar exportações de biodiesel da China

Produtores europeus acusam fabricantes país asiático de fraudarem mecanismos que oferecem incentivos ao biodiesel fabricado a partir de óleos e gorduras residuais

BiodieselBR.com 4 min de leitura

O governo da Alemanha pediu que a Comissão Europeia abra uma investigação sobre as práticas comerciais da indústria de biodiesel da China. Fabricantes da Europa vêm acusando suas contrapartes chinesas de fraudarem mecanismos da União Europeia (UE) que dão incentivos para biocombustíveis produzidos a partir de óleos e gorduras residuais (OGRs).

Esses produtos não só recebem uma dupla contagem no cumprimento das metas de energias renováveis da UE como alguns países do bloco premia esses produtos com a emissão de créditos de carbono – similares aos Créditos de Descarbonização (CBios) brasileiros – negociáveis em bolsa.

Segundo a agência de notícias Reuters, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha solicitou que a Comissão conduzisse uma “avaliação para determinar se os critérios de sustentabilidade e de redução das emissões gases do efeito estufa (...) estão sendo cumpridos pelos combustíveis originários da China”. A Alemanha é o maior mercado europeu de energia, segundo o Escritório Federal de Assuntos Econômicos e Controle de Exportações (Bafa) no ano passado o país consumiu 2,83 milhões de m³ de diesel de biomassa.

O governo da Alemanha pediu que a Comissão Europeia abra uma investigação sobre as práticas comerciais da indústria de biodiesel da China. Fabricantes da Europa vêm acusando suas contrapartes chinesas de fraudarem mecanismos da União Europeia (UE) que dão incentivos para biocombustíveis produzidos a partir de óleos e gorduras residuais (OGRs).

Esses produtos não só recebem uma dupla contagem no cumprimento das metas de energias renováveis da UE como alguns países do bloco premia esses produtos com a emissão de créditos de carbono – similares aos Créditos de Descarbonização (CBios) brasileiros – negociáveis em bolsa.

Segundo a agência de notícias Reuters, o Ministério do Meio Ambiente da Alemanha solicitou que a Comissão conduzisse uma “avaliação para determinar se os critérios de sustentabilidade e de redução das emissões gases do efeito estufa (...) estão sendo cumpridos pelos combustíveis originários da China”. A Alemanha é o maior mercado europeu de energia, segundo o Escritório Federal de Assuntos Econômicos e Controle de Exportações (Bafa) no ano passado o país consumiu 2,83 milhões de m³ de diesel de biomassa.

Acusações

Entidades que representam a indústria europeia de biocombustíveis têm acusado países asiáticos de exportarem biodiesel fabricado a partir de óleos e gorduras virgens como se eles fossem feitos de OGRs.

No começo deste mês a Associação Europeia de Biocombustíveis Avançados e Baseados em Resíduos (EWABA, na sigla original) encaminhou uma carta para autoridades da UE afirmando que se ações urgentes não fossem tomadas contra esse biodiesel “dúbio” a indústria de biocombustíveis avançados “logo entraria em uma rota que inevitavelmente levaria a seu completo colapso”. Segundo a entidade, 11 usinas já foram obrigadas a parar sua produção.

Em seu manifesto a EWABA exigiu que os incentivos concedidos aos biocombustíveis feitos a partir de OGRs sejam reservados apenas a produtos que comprovadamente sigam as regras de sustentabilidade e rastreabilidade e sejam suspensos no caso de países onde não seja possível que autoridades europeias e/ou certificadores realizem auditorias.

Promessas de melhoria

As reclamações dos europeus vêm sendo levadas a sério na China. Segundo a Bloomberg fabricantes do país asiático têm sinalizado disposição que melhorar suas práticas de monitoramento de qualidade e de rastreamento de matérias-primas.

No ano passado, as exportações chinesas de biodiesel somaram 1,79 milhão de toneladas. Um salto de 40% sobre o volume de 2021. Praticamente todo esse produto tem como destino final a Europa.

Ao mesmo tempo em que as exportações chinesas dispararam, aumentaram também as importações chinesas de óleos residuais Indonésia e da Malásia. Em março de 2019, a UE limitou o uso óleo de palma virgem na produção de biocombustíveis. Isso alimenta especulações de que os fabricantes chineses estejam usando óleo de palma virgem no lugar dos OGRs.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações da AFP, Argus, Bloomberg e Reuters

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