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[CBBR 2022] Oportunidades no Paraguai


BiodieselBR.com - 10 nov 2022 - 17:39

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Uma visão conjunta e mais ampla para a indústria de biocombustíveis na América do Sul. Esse foi a mensagem principal que vice-ministro de Comércio e Serviços do Paraguai, Pedro Mancuello Pérez, trouxe em sua fala durante o primeiro dia da Conferência BiodieselBR 2022. "Os biocombustíveis são um patrimônio que precisa se expandir. O que é bom tem que ser compartilhado. (...) Acho que aqui temos uma oportunidade para trabalharmos juntos", disse o político.

O momento é oportuno para essa mensagem. Não faz muito tempo que um grupo de entidades empresariais ligadas à cadeia dos biocombustíveis de diferentes países latino-americanos lançou um apelo para que os países da região passem a adotar uma política melhor articulada. "Temos que ver a complementariedade de nossas economias e a possibilidade de ganharmos juntos competitividade. Esse é um jogo de ganha-ganha, onde todas as partes ganham", destaca.

O Brasil e o Paraguai, inclusive, já saem na frente nesse sentido. O país foi o escolhido pelo grupo empresarial de origem brasileira BSBios para a instalação do Omega Green -- a primeira biorrefinaria de porte comercial da América do Sul. A unidade indústria terá capacidade para fabricar até 900 mil toneladas de diesel verde e bioquerosene de aviação por ano, está sendo construída na cidade paraguaia de Villeta e deve entrar em operação na primeira metade de 2025.

Posição central

Segundo Mancuello, um dos principais atrativos do Paraguai vem do fato do país ocupar uma posição central na América do Sul o que torna o país um ponto de conexão entre os países da região. É o caso da Rota Bioceânica que, quando tiver sido completada, vai atravessar os territórios do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. "Será o nosso 'Canal do Panamá' ligando regiões muito importantes e permitindo a união dos nossos povos (...) Essa será uma oportunidade muito grande de integração", diz.

Mancuello aponta que desde o começo do século seu país vem apostando numa agenda de reformas econômicas estruturais. "Já temos 20 anos de estabilidade [econômica] com inflação de um dígito (...) e uma lei fiscal para manter o país ordenado", comenta. De acordo com o vice-ministro, isso tem se traduzinho num ritmo bastante intenso de crescimento sustentado para a economia paraguaia que – apesar dos resultados ruins em 2019 e 2020 por conta dos efeitos da pandemia da Covid-19 e de uma seca bastante intensa que causou uma quebra de 60% na produção de soja – se manteve numa média de 3,9% entre 2006 e 2021.

O país também conseguiu manter fluxos positivos de investimento estrangeiro direto desde 2021. "Mesmo durante a pandemia conseguimos manter os investimentos estrangeiros, o que atesta a solidez de nossa estrutura", acena acrescentando que o país está se aproximando de receber o 'grau de investimento' das principais agências globais de avaliações de risco. "As emissões do Paraguai no mercado financeiro já têm juros equivalentes aos de um país com grau de investimento", destaca.

Isso se conecta com regime tributário simplificado com uma série de políticas que incentivam a produção de bens e serviços para exportação.

Biocombustíveis

No mercado de biocombustíveis, o Paraguai já conta com marcos regulatórios voltados ao etanol e ao biodiesel por meio dos quais o país pretende dar condições para a instalação da indústria. "Temos uma lei de 2019 que obriga o uso de 5% de biodiesel", diz acrescentando que, em função da pandemia, o mandato de biodiesel não avançou como deveria. "As empresas [de biocombustíveis] estão nos cobrando (...) e concordamos que temos que avançar com a mistura", diz sinalizando com a possibilidade de misturas ainda maiores que 5%.

"Temos etanol e biodiesel e temos novos projetos como o da Cremer e o da BSBios que vão nos permitir entrar na segunda geração de biocombustíveis", complementa. "O nosso desafio é iniciar um processo de complementação produtiva e trabalharmos juntos para termos países melhores", encerra.

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Na comitiva paraguaia ao evento também estiveram presentes o diretor de combustíveis do ministério, Óscar Cáceres; Massimiliano Corsi, presidente da Biocap Roberto Echeverria Botero, diretor da Cremer Óleo para a América Latina; Francisco Jauregui, diretor da Cremer Oleo Paraguai, Paola Sanabria, diretora do frigorífico Guarani, Marcelo Dos Santos, Félix Brizuela diretor da empresa Biosinergy PY e Sandra Ayala diretora da Multiagro.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com