França

França revê planos de incentivar biocombustíveis


Inovação Unicamp - 09 out 2012 - 10:10 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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O governo francês decidiu rever seus planos para incentivar o uso de biocombustíveis, informa a agência de notícias internacionais France Presse (AFP). De acordo com a nota da AFP, o ministro da Agricultura francês, Stephane Le Foll, manifestou preocupação com o desvio de lavouras de alimentos para a produção de combustíveis. Segundo as declarações atribuídas ao ministro, as metas de uso de biocombustível no país deveriam ser “postas em discussão”.

O plano do governo para agricultura, apresentado ao Parlamento, propõe um teto de 7% na mistura de biocombustível de primeira geração – produzido a partir do processamento de produtos agrícolas que, muitas vezes, têm também valor alimentício – ao combustível comum.

Em 2009, a União Europeia (UE) adotou a meta de que as fontes renováveis deveriam chegar a 20% de todo o consumo energético do bloco e a 10% no setor de transportes. A França pretende cumprir essa meta adotando os chamados biocombustível de segunda geração que se valem de tecnologias mais sofisticadas para gerar combustível a partir de partes das plantas que não são usadas no consumo humano.

Em setembro veio a tona que a Comissão Europeia está analisando uma proposta mais ou menos nesses mesmos moldes.

Fome no mundo
Documento da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em outubro do ano passado, advertia que a demanda de produção agrícola para o uso em biocombustíveis era um fator importante na instabilidade internacional dos preços de alimentos, agravando a fome em áreas mais vulneráveis do mundo, como o Chifre da África, região que inclui países como Etiópia e Somália.
 
A edição de 2011 do relatório Índice da Fome Mundial, publicado pelo Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, baseado nos EUA, também chamava atenção para o risco trazido pela adoção dos biocombustíveis, citando, como fatores de perigo, a imposição de cotas de consumo de biocombustível pelas economias da Europa e dos EUA, que estaria levando os fazendeiros a destinar sua produção para esse tipo de insumo.

A determinação de metas para o consumo de biocombustíveis, diz o texto do Índice, cria uma “rigidez” que agrava os conflitos entre oferta e demanda, amplificando a volatilidade global dos preços.

Alemanha
O posicionamento francês se segue à publicação, em agosto, de um relatório alemão afirmando que a esperança da Europa em ter, nos biocombustíveis, a solução para seus problemas de emissão de CO2 é “exagerada”.

De acordo com o relatório, publicado pela Academia Nacional de Ciências Leopoldina, é difícil afirmar que os biocombustíveis sejam, de fato, uma fonte que reduz as emissões líquidas de gases causadores do efeito estufa e que não agride o meio ambiente, já que a preparação da biomassa para a geração de combustível envolve emissões, e a própria atividade agrícola pode causar danos ambientais, por meio de assoreamento, contaminação do solo e das águas.

No caso de o biocombustível ser importado de outros países, o que ocorre, argumentam os autores do trabalho germânico, é “a exportação das pressões ambientais da agricultura intensiva, a menos que se possa garantir” que a produção no país exportador é sustentável; que não afeta a segurança alimentar; e que não causa dano ambiental, por exemplo, por meio da destruição de florestas.

Carlos Orsi
Com adaptações BiodieselBR