Puxada por avanço de 75% na produção de diesel verde, atividade da indústria norte-americana registra seu maior crescimento anual nos últimos 10 anos
A indústria de diesel de biomassa – biodiesel e diesel verde – dos Estados Unidos teve um 2023 para ninguém botar defeito. Segundo dados da Administração de Informação de Energia (EIA), as usinas e biorrefinarias norte-americanas disponibilizaram um total de 16,2 milhões de m³ de biocombustíveis ao mercado, o que representa um salto de impressionantes 38,3% em relação ao desempenho do ano anterior. Foi o maior nível de crescimento anual para o setor nos últimos 10 anos – perdendo para os 41,2% registrados de 2012 para 2013.
Esse crescimento todo foi puxado pela produção de diesel verde. Desde que passou a aparecer nas estatísticas do mercado norte-americano em 2011, a produção do novo substituto para o diesel de petróleo se multiplicou mais de 40 vezes. Foram 75% de crescimento apenas no último ano. Isso fez com que – pela primeira vez – o diesel verde superasse o biodiesel convencional em volume.
A indústria de diesel de biomassa – biodiesel e diesel verde – dos Estados Unidos teve um 2023 para ninguém botar defeito. Segundo dados da Administração de Informação de Energia (EIA), as usinas e biorrefinarias norte-americanas disponibilizaram um total de 16,2 milhões de m³ de biocombustíveis ao mercado, o que representa um salto de impressionantes 38,3% em relação ao desempenho do ano anterior. Foi o maior nível de crescimento anual para o setor nos últimos 10 anos – perdendo para os 41,2% registrados de 2012 para 2013.
Esse crescimento todo foi puxado pela produção de diesel verde. Desde que passou a aparecer nas estatísticas do mercado norte-americano em 2011, a produção do novo substituto para o diesel de petróleo se multiplicou mais de 40 vezes. Foram 75% de crescimento apenas no último ano. Isso fez com que – pela primeira vez – o diesel verde superasse o biodiesel convencional em volume.
No somatório do ano tivemos 9,81 milhões de m³ de diesel verde contra 6,43 milhões de m³ de biodiesel que viu sua participação no mercado dos Estados Unidos cair de 52,2% para 39,6% em apenas um ano. E isso não quer dizer que 2023 tenha sido um ano ruim para os fabricantes de biodiesel dos Estados Unidos.
Em 2023, a produção das usinas norte-americanas saiu da descendente em que esteve nos dois anos anteriores – ao longo dos quais o volume fabricado recuou 10,7% – e cresceu respeitáveis 4,9%.
Ao contrário do biodiesel, o diesel renovável é considerado um biocombustível do tipo drop in que – por ser quimicamente idêntico ao diesel mineral – pode ser misturado em qualquer proporção ao diesel fóssil sem a necessidade de alterações nos motores e/ou na infraestrutura de distribuição. Essa maior facilidade tem permitido avanços mais robustos na demanda por este novo biocombustível.
Demanda
No último ano, a demanda por alternativas renováveis ao óleo diesel nos EUA cresceu impressionantes 43,7% e atingiu a cifra de 17,7 milhões de m³ – foram 7,34 milhões de m³ de biodiesel convencional e 10,4 milhões de m³ de diesel verde – para uma venda de diesel mineral de 228,2 milhões de m³.
Esse volume de diesel de biomassa correspondeu a um percentual de mistura de 7,8%.
Trata-se do maior percentual no histórico desde que a mistura efetivamente começou em 2005. Ao contrário de outros países, os EUA não têm um mandato propriamente dito, anualmente a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) define um volume de renováveis que as petroleiras precisam cumprir com parte da Norma de Combustíveis Renováveis (RFS).
O aumento na demanda total garante crescimento significativo para os dois segmentos do mercado. No caso do biodiesel, as vendas cresceram 21,6% enquanto o diesel verde teve aumento de 65% nas vendas.
Deficitário
Apesar do recorde na produção, os fabricantes dos Estados Unidos não deram conta de abastecer o mercado. No total, o país precisou importar 3,20 milhão de m³ de diesel de biomassa – 1,89 milhão de m³ de biodiesel e 1,31 milhão de m³ de diesel verde.
O volume importado foi 68% maior do que em 2022 e o segundo maior no histórico da EIA, perdendo apenas para os 3,52 milhões de m³ de 2016.
Embora tenham uma fatia bastante limitada do mercado norte-americano, as usinas brasileiras venderam um pouco menos de 59,5 mil m³ de biodiesel convencional para os Estados Unidos no ano passado.
Capacidade instalada
Com o diesel verde ganhando mais proeminência no mercado dos EUA, a capacidade de produção de biodiesel tem minguado. Nos últimos quatro anos, os Estados Unidos perderam 17,2% de seu parque produtivo, indo de uma base instalada de cerca de 9,5 milhões de m³ anuais em 2019 para perto de 7,9 milhões de m³.
Nesse período o número de usinas de biodiesel recou de 91 – em dezembro de 2019 – para apenas 59 no final do ano passado. Até pesos-pesados do mercado têm sofrido. No começo de março deste ano, a Chevron decidiu paralisar indefinidamente a produção em duas das 10 usinas de biodiesel que havia adquirido um ano antes ao incorparar a Renewable Energy Group (REG) por US$ 3,15 bilhões.
Apesar desse passo atrás no segmento biodiesel, a ampliação na capacidade produtiva de diesel verde tem mais do que compensando as perdas. No último ano, as biorrefinarias aumentaram sua capacidade de oferta em 31,2%, chegando a 14,6 milhões de m³ anuais.
Isso trouxe o parque industrial total para inéditos 22,4 milhões de m³.
Líder isolado
Com a aceleração no ritmo do crescimento da produção, os Estados Unidos voltaram a se isolar na liderança do mercado global de alternativas renovável do diesel, se distanciando da Indonésia que nos últimos quatro anos disputou a dianteira.
Segundo a associação de produtores de biocombustíveis da Indonésia, no último ano a produção de biodiesel do país asiático atingiu a marca de 13,1 milhões de m³.
Já o Brasil aparece com um cada vez mais distante terceiro lugar com 7,52 milhões de m³. Vale destacar, contudo, que a produção de biodiesel convencional das usinas brasileiras supera a das norte-americanas. A indústria nacional de biodiesel está se recuperando do tombo levando em 2022 quando amargou a redução da mistura obrigatória para 10%.
Com a retomada da progressão da mistura para 14% este ano e 15% no próximo ano, a expectativa é que o Brasil volte a se aproximar dos líderes.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com