

A ocupação da indústria de biodiesel da Argentina está recuando por causa das restrições impostas pela União Europeia (UE).

A indústria de biodiesel da Argentina está sendo duramente atingida por restrições impostas pela União Europeia (UE). O bloco está investigando acusações de dumping contra o país vizinho e a Indonésia. Segundo informações repassadas na semana passada pela Câmara Argentina de Biocombustíveis (Carbio) à agência de notícias Reuters, as usinas do país vêm operando com metade de sua capacidade instalada.
Isso porque, por enquanto, o bloco europeu está apenas registrando as importações oriundas dos dois países. O resultado da investigação só sairá em novembro. Contudo, o risco de que eventuais restrições pesem retroativamente sobre o biodiesel importado já está desestimulando os compradores e derrubando as vendas externas.
O país sul-americano é o maior exportador mundial do biocombustível e a Europa é o maior mercado consumidor do produto. No entanto, as exportações vêm caindo e já baixaram quase 50% no primeiro trimestre do ano.
Segundo a Carbio, isso está paralisando novos investimentos do setor de biodiesel no país vizinho. "Estamos com a capacidade ociosa entre 40% e 50%. A parada está sendo muito forte”, disse à Reuters o diretor executivo da Carbio, Víctor Castro, acrescentando que as empresas estão em busca de mercados alternativos.
B10
Recentemente, o governo argentino determinou que as petroleiras elevassem para 10% a mistura de biodiesel no óleo diesel. A medida foi tomada para compensar a produção menor de derivados pela YPF em função de um acidente registrado no começo do mês na refinaria de Ensenada que obrigou a empresa a paralisar a produção durante vários dias.
O aumento da mistura ajudaria amenizar a falta de produto no mercado e, ao menos para as usinas, compensaria parte do mercado externo perdido. A medida valeria de abril a junho.
Impostos
Em meio à queda nas vendas, o governo de Buenos Aires aumentou os impostos pagos para a exportação do produção. Em setembro, as alíquotas que pesam sobre o segmento se tornaram móveis.
Desde então, os embarques do produto vinham pagando 19,1%. Recentemente foram aumentadas em 1,63% chegando a 20,74%.
A indústria argentina tem capacidade produtiva de 4 milhões de toneladas por ano. Em 2012 a produção foi de 2,4 milhões de toneladas, praticamente o mesmo que em 2011. Desse total, 1,6 milhão de toneladas foi exportado com um faturamento superior a US$ 1,8 bilhão.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações Reuters, El Cronista e iProfesional