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África

Produção de biocombustíveis na África


Blog BioAgroEnergia - Exame.com - 04 abr 2012 - 09:39
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Um interessante evento foi organizado nos dias 2 e 3 de abril pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Assessoria Especial para Assuntos Internacionais da Casa Civil e a Universidade de São Paulo, realizado na FEA-USP (sessão técnica) e no agradável Salão dos Pratos do Palácio dos Bandeirantes. O título da conferência, “Brasil, Itália e África pela produção sustentável de biocombustíveis”. Presenças marcantes como da Secretária da Agricultura e Abastecimento, Mônika Bergamaschi, do Ministro italiano do Meio Ambiente, Terra e Mar, Corrado Clini, entre outros especialistas no tema, inclusive de empresas europeias e africanas ligadas aos biocombustíveis e meio ambiente. O comando dos trabalhos esteve a cargo do sempre brilhante professor José Goldemberg ( além de ex-reitor da USP, presidente da Sociedade Brasileira de Física e no governo federal, Secretário da Ciência e Tecnologia, Ministro da Educação e Secretário do Meio Ambiente).

A primeira questão que surge é o por que da Itália estar presente, inclusive com delegação comandada por um Ministro. Muito simples: os italianos são provavelmente os europeus com maior desenvolvimento tecnológico na produção de partes sofisticadas para a indústria de biocombustíveis e o país que mais trabalha em pesquisa e desenvolvimento nesta área. Tem grande interesse no crescimento de uma produção sustentada de biodiesel e etanol na África, para poder aumentar o uso de biocombustíveis em sua própria matriz energética. Seus representantes acrescentaram muito aos debates e à troca de informações. Um primeiro ponto que nos chamou a atenção foi identificar que a indústria de base brasileira, tão especializada em equipamentos para usinas e destilarias, enfrenta forte concorrência de produtores indianos no ainda incipiente desenvolvimento de projetos africanos, em particular no Leste do continente.

Impossível resumir neste espaço todo o material de qualidade que foi trazido a discussão. Infelizmente a conclusão que se chega é que há muitíssimo a ser feito e o mundo não deve esperar para logo qualquer aumento significativo de produção partindo da África. Afora projetos em andamento efetivo em Angola e Moçambique (com a participação de empresas brasileiras) e alguma coisa sendo desenvolvida em Guiné-Bissau, Botswana, Burkina-Fasso e Tanzânia, os problemas são  de difícil solução a curto ou médio prazos (em que pese todo este interesse que ronda o assunto). A conclusão que se chega é que 1. falta capital para aplicação em desenvolvimento tecnológico, tanto agrícola como industrial; 2. há escassez generalizada de energia elétrica; 3. há poucos estudos de zoneamento agrícola nos países com maior potencial aparente de produção de cana ou sorgo; 4. falta capital para investimento em projetos de porte, seja na área agrícola como na de produção industrial. Isto tudo sem contar que, em um continente ainda com tanta pobreza e tantas questões políticas internas a resolver, há outras prioridades a serem atendidas.

No entanto é de se louvar um encontro como este. Uma eventual implantação em larga escala, com financiamento internacional, de projetos para produção de biocombustíveis na África seria um grande passo para se estimular um mais rápido desenvolvimento do continente. O fato visível é que em muitos países africanos estão disponíveis áreas agricultáveis extensas e clima adequado para o desenvolvimento futuro da produção de alimentos e biocombustíveis. Com isto, os organizadores desta conferência deram um passo a mais para transferir conhecimento. É o melhor que se pode fazer neste momento: ensinar a êles, que nos admiram, como se pesca! 

Paulo Costa é especialista em agronegócios e bionergia, sócio-diretor de PFSCosta e Associados.
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