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[CBBR 2021] O mercado de glicerina em 2021

Apesar das turbulências no mercado de biodiesel, o segmento de glicerina tem se destacado

BiodieselBR.com 5 min de leitura

Apesar do mercado de biodiesel estar tendo um 2021 bastante sofrido, nem todos os segmentos do negócio tem sido uma fonte de más notícias para as usinas. O mercado de glicerina, por exemplo, está se encaminhando para fechar o ano com recorde de faturamento com bons volumes embarcados e preços que não eram vistos desde 2018.

Falar sobre o estágio atual do mercado de glicerina e os desafios que estão colocados para o segmento no próximo ano foi o objetivo da palestra ministrada pelo gerente comercial da Cremer no Brasil, João Artur Manjabosco, durante o Painel 6 da Conferência BiodieselBR 2021.

Pelas contas da empresa que é um dos maiores players no mercado de glicerina, a produção nacional de glicerina deverá fechar este ano com um crescimento de cerca de 4% sobre o resultado de 2020. Serão aproximadamente 665 mil toneladas dos quais cerca de 513 mil toneladas acabarão exportados tanto na forma de glicerina bruta quanto na forma de glicerina refinada. “Essa é uma externalidade positiva da indústria do biodiesel”, aponta João Artur, destacando que o peso do coproduto deve crescer ainda mais nos próximos anos. “Pode ser que, no futuro, dependendo da precificação do biodiesel, a glicerina se torne a rentabilidade do produto”, avança.

Apesar do mercado de biodiesel estar tendo um 2021 bastante sofrido, nem todos os segmentos do negócio tem sido uma fonte de más notícias para as usinas. O mercado de glicerina, por exemplo, está se encaminhando para fechar o ano com recorde de faturamento com bons volumes embarcados e preços que não eram vistos desde 2018.

Falar sobre o estágio atual do mercado de glicerina e os desafios que estão colocados para o segmento no próximo ano foi o objetivo da palestra ministrada pelo gerente comercial da Cremer no Brasil, João Artur Manjabosco, durante o Painel 6 da Conferência BiodieselBR 2021.

Pelas contas da empresa que é um dos maiores players no mercado de glicerina, a produção nacional de glicerina deverá fechar este ano com um crescimento de cerca de 4% sobre o resultado de 2020. Serão aproximadamente 665 mil toneladas dos quais cerca de 513 mil toneladas acabarão exportados tanto na forma de glicerina bruta quanto na forma de glicerina refinada. “Essa é uma externalidade positiva da indústria do biodiesel”, aponta João Artur, destacando que o peso do coproduto deve crescer ainda mais nos próximos anos. “Pode ser que, no futuro, dependendo da precificação do biodiesel, a glicerina se torne a rentabilidade do produto”, avança.

No resto do mundo, a produção de glicerina também deverá crescer acompanhando a expansão na produção global da indústria de biodiesel. Grosso modo, a cada 10 litros de matérias-primas que entram nas usinas saem 8 litros viram biodiesel e 2 litros de glicerina. Com a expectativa de que a produção de biodiesel aumente 8% este ano – atingindo a marca de 50 milhões de m³ – a oferta de glicerina deve avançar na mesma proporção.

Consumo

Quando aos mercados consumidores, aproximadamente metade de toda a glicerina fabricada no mundo tem como destino o mercado Asiático e um pouco mais de um terço tem como destino a produção de epicloridrina (composto usado para na produção de plásticos, adesivos e resinas epóxi). Foi do lado da demanda que a pandemia trouxe seu maior impacto. Embora o maior consumidor de glicerina e seus derivados seja o setor de construção civil, nos últimos anos houve um aumento substancial da fatia destinada aos mercados de higiene e limpeza.

Para o Brasil, a demanda asiática é ainda mais importante. Cerca de 79% da glicerina bruta e 36% da glicerina destilada brasileiras vai para a China. “A demanda chinesa é muito importante para dar liquidez, mas a gente incentiva a diversificação [nos destinos]”, elabora João Artur.

O que tem mudado no Brasil é o balanço entre glicerina bruta e glicerina refinada. “O refino é uma tendência de mercado”, diz acrescentando que, este ano, cerca de 36% das exportações são do produto de maior valor agregado – relativamente estável em relação à 2020. “As usinas podem ganhar US$ 113 a mais pela glicerina refinada”, comenta.

Crise logística

Não quer dizer que a glicerina esteja simplesmente voando em céu de brigadeiro. Por ser um segmento exportador, João Artur informa que a glicerina vem sendo afetada pela desorganização das cadeias logísticas globais – reflexo da pandemia do novo coronavírus. “O preço do frete para a China subiu de US$ 8 mil para US$ 20 mil”, diz.

Quando a crise sanitária chegou no ano passado levando ao fechamento de fábricas e paralisação das atividades econômicas, o setor de logística foi duramente atingido o que fez com que a movimentação de containers se desorganizasse mundo afora. Quando a economia começou a voltar o sistema estava todo mal posicionado e a situação piorou quando um acidente com o navio Ever Given fechou o Canal de Suez por quase uma semana.

Com todas essas dificuldades, as companhias navais não têm conseguido manter seus prazos. Este ano, menos de 40% dos navios conseguiram se manter dentro dos cronogramas – até meados de 2020, o índice variava entre 65% até 80%. Isso tem feito a disponibilidade e preço do frete um fator relevante nas decisões sobre a exportação de glicerina. “E os fretes ainda vão ficar mais caros no Brasil para equalizar com os preços internacionais”, alerta o palestrante.

É um contexto que vem impactando os preços globais de praticamente todos os produtos químicos – incluindo aí o biodiesel e a glicerina. E com as mudanças esperadas para o mercado brasileiro, João Artur, prevê que o mercado deverá ficar bastante instável pelos próximos 6 a 12 meses. “O modelo de comercialização deverá impactar bastante e gerar muita dificuldade em precificar [a glicerina]”, completa apostando que os preços deverão continuar pressionados.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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