Coproduto da indústria de biodiesel, a glicerina pode ser uma tabua de salvação para os fabricantes de biodiesel em leilões ruins
Não dá para fabricar biodiesel sem acabar também um monte de glicerina nas mãos. Essa é uma verdade incontornável. Aproximadamente 10% de toda a matéria-prima que entra por um lado nas usinas de biodiesel acaba saindo na forma de glicerina pelo outro lado. Isso obrigou as empresas que foram atraídas pelo Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) a construírem um segundo negócio que corre em paralelo.
Para apontar caminhos que o mercado de glicerina deverá seguir no próximo ano, os organizadores da Conferência BiodieselBR 2020 convidaram o gerente comercial da Cremer, João Artur Manjabosco, que é um dos maiores veteranos no mercado desse coproduto. “Perante o biodiesel, a glicerina é uma externalidade positiva que quase não aparece nas estatísticas”, comenta.
Segundo João Arthur, embora a glicerina represente um mercado de quase 4 milhões de toneladas anuais, “comparada ao biodiesel e à soja” ela é quase um detalhe estatístico. “Ao mesmo tempo, o valor que estamos agregando nessa cadeia é singular”, completa.
Não dá para fabricar biodiesel sem acabar também um monte de glicerina nas mãos. Essa é uma verdade incontornável. Aproximadamente 10% de toda a matéria-prima que entra por um lado nas usinas de biodiesel acaba saindo na forma de glicerina pelo outro lado. Isso obrigou as empresas que foram atraídas pelo Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) a construírem um segundo negócio que corre em paralelo.
Para apontar caminhos que o mercado de glicerina deverá seguir no próximo ano, os organizadores da Conferência BiodieselBR 2020 convidaram o gerente comercial da Cremer, João Artur Manjabosco, que é um dos maiores veteranos no mercado desse coproduto. “Perante o biodiesel, a glicerina é uma externalidade positiva que quase não aparece nas estatísticas”, comenta.
Segundo João Arthur, embora a glicerina represente um mercado de quase 4 milhões de toneladas anuais, “comparada ao biodiesel e à soja” ela é quase um detalhe estatístico. “Ao mesmo tempo, o valor que estamos agregando nessa cadeia é singular”, completa.
A produção de glicerina no Brasil tem crescido cerca de 10% ao ano e a expectativa é que sejam exportadas 328 mil toneladas de glicerina loira e mais 145 mil toneladas de glicerina destilada. Embora a maior parte do produto ainda saia do Brasil em seu estado bruto praticamente todas as aplicações finais usam glicerina destilada. “Quando a gente manda glicerina loira para a China, eles vão refinar por lá”, diz acrescentando que praticamente toda glicerina produzida no país hoje é exportada. “Somos um país com viés exportador”, completa.
No mercado de glicerina, o Brasil tem caminhando na direção da autossuficiência. Se em 2014, o país chegou a importar 14,3 mil toneladas de glicerina refinada, este ano as importações devem ser de 3,3 mil toneladas. “Ainda existem algumas janelas de importação para algumas aplicações muito específicas. (...) Existem alguns tipos de glicerinas mais polidas que o Brasil não produz por serem produtos de nicho”, afirma.
Agregação de valor
Segundo João Arthur, cerca de 37% das exportações de glicerina estão saindo do país na forma de produto refinado. O crescimento da participação no mercado de maior valor agregado é puxado por investimentos dos fabricantes de biodiesel.
No ano passado o Grupo Potencial inaugurou sua refinaria de glicerina e, neste ano, foi a vez do Grupo Caramuru. Além disso, há notícias também que o Grupo Oleoplan está estudando anexar duas refinarias de glicerina à suas duas usinas de biodiesel. “Essa é uma tendência”, resume. Pelas contas da Cremer, a glicerina refinada gera uma margem adicional de R$ 330 por tonelada.
Embora a glicerina seja um produto bastante antigo, a emergência da produção de biodiesel criou um novo contexto para ela.
Um terço
O produto tem uma demanda altamente concentrada na China. Cerca de um terço de toda a glicerina do mundo é absorvido pelos fabricantes chineses de epicloridrina. “A China é um mal necessário para o mercado de glicerina. É ela que dá liquidez”, comenta. No momento, o mercado está preocupado que o recrudescimento da epidemia do coronavírus leve a um novo lockdown voltando a afetar da demanda.
De acordo com João Arthur um dos maiores problemas na configuração do mercado brasileiro de glicerina é que, hoje, o produto brasileiro está muito focado em mercados de preço. “Poderíamos focar em mercados de especialidades químicas, mas isso exigiria uma estrutura de vendas que os produtores de biodiesel não estão acostumados a ter”, avalia.
A própria China vem importando mais glicerina refinada. Além disso, o mercado e glicerina refinada é menos concentrado. Enquanto a glicerina loira exportada pelo Brasil chega a 25 destinos, a glicerina destilada chegou a 61 países. “É muito mais diversificado”, comenta.
Comparado à exportação, o mercado interno é minoritário consumindo cerca de 143,9 mil toneladas de glicerina. “É um mercado que vem estagnado”, diz. “Para quem pensa em investir em uma refinaria nova no Brasil tem que modelar considerando a exportação para a China”, pontua.
Olhando para o restante do mundo, a produção de biodiesel ainda está em elevação o que deve levar o mundo a produzir 12,2% mais glicerina em 2021. Esse crescimento vira do aumento da produção de biodiesel, uma vez que outras fontes de glicerina vêm apresentando relativa estabilidade nos últimos anos.
Embora o mercado esteja turbulento no curto prazo por causa de uma redução da produção de biodiesel neste ano em função da crise do coronavírus e da baixa dos estoques na China, a tendência é de queda nos preços ao longo de 2021. “Estamos retomando a produção de biodiesel e também estamos vendo algumas novas refinarias sendo iniciadas no Brasil, Peru e na Argentina. Isso tem que estar no radar para o ano que vem”, finaliza lembrando que a glicerina pode salvar as usinas em leilões particularmente ruins.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com