Os desafios do aumento da mistura para o setor de distribuição foi o tema da palestra do diretor de abastecimento e regulação do Sindicom, Luciano Libório.Fazer a distribuição de um produto num país com as dimensões continentais do Brasil é, por si só, desafiador. Mas fazer isso usando, basicamente, um único meio de transporte – ainda mais um tão pouco eficiente quanto o transporte rodoviário – aumenta ainda mais a escala da complexidade a ser resolvida. É o que alertou o diretor de abastecimento e regulamentação do Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Luciano Libório. “A grande dificuldade do biodiesel é que a gente ainda está com uma logística muito calcada em cima do caminhão”, resumiu.

Fazer a distribuição de um produto num país com as dimensões continentais do Brasil é, por si só, desafiador. Mas fazer isso usando, basicamente, um único meio de transporte – ainda mais um tão pouco eficiente quanto o transporte rodoviário – aumenta ainda mais a escala da complexidade a ser resolvida. É o que alertou o diretor de abastecimento e regulamentação do Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Luciano Libório. “A grande dificuldade do biodiesel é que a gente ainda está com uma logística muito calcada em cima do caminhão”, resumiu.
Segundo ele, a entidade tem projetos – ainda em fase incipiente – para a construção de centros coletores de biodiesel que permitirão carregar o biocombustível por meio de ferrovias. Com o aumento da mistura, o diretor do Sindicom acredita que haverá uma evolução no fluxo de distribuição do biodiesel por meio desse modal. “A gente tem um pouco de movimentação do Rio Grande do Sul com o Paraná, chegando até Araucária. E alguma coisa que vai se desenvolver nos próximos meses com a chegada da ferrovia em Rondonópolis, descendo biodiesel em maior escala até Paulínia, em São Paulo”, prevê.
Libório vislumbra ainda o surgimento de mais dois corredores de movimentação de biodiesel: um pela Hidrovia Tietê-Paraná, com o produto saindo do sul de Goiás e do Mato Grosso do Sul para São Paulo; e o outro que irá transitar no sentido contrário, com o biodiesel subindo para atender parte das regiões Norte e Nordeste.
“Esse é o lado bom do B7”, ressaltou. “Traz escala para o setor e incentiva projetos como este porque, antes, quando a gente tem menor escala, a conta não fecha na hora de se fazer os investimentos”, esclareceu.
Libório ressaltou ainda que a demanda de biodiesel também tem sido puxada para cima pelo aumento geral do consumo de combustíveis no país que vem se verificando desde 2007. “Boa parte do transporte desse volume adicional foi feito por meio rodoviário”, explicou. Esse aumento no consumo coloca mais pressão nos investimentos necessários pelas companhias do setor.
Investimento
Apontados pelo Sindicom como condição sine qua non para a promoção do aumento da mistura, os investimentos na capacidade de mistura entre biodiesel e diesel já foram efetivados pelas distribuidoras. À época em que o setor produtivo brigava pelo atendimento do pleito de um maior teor de biodiesel ao diesel, a entidade alegou que boa parte dos misturadores das distribuidoras não estava preparada para realizar percentuais mais elevados do que 5%. “Por isso, a gente sempre pediu prazo”, frisou.
O que agora está estrangulando a capacidade do setor de distribuição e pode se tornar uma trava para novos aumentos na mistura é a tancagem. “Metade das nossas bases tem déficit em tancagem para o biodiesel”, admitiu.
Libório prevê para os próximos dois anos investimentos maciços em novos tanques. “Tem que fazer ou a gente vai começar a perder dinheiro nessa logística”.
Qualidade
Já em outra frente considerado nevrálgica pela distribuição -- a qualidade do biodiesel – houve avanços. Libório citou a recente flexibilização no teor de água do biodiesel promovida pela ANP, que pôs fim a uma das principais polêmicas envolvendo a cadeia.
Muito embora a margem estabelecida pela agência às distribuidoras tenha sido menor que a reivindicada – o Sindicom queria 150 ppm a mais, porém conseguiu somente mais 100 ppm –, o diretor diz ter ficado “satisfeito de ver uma resolução importante para manter a qualidade do produto”.
Libório também elencou como positiva a revisão promovida pela ANP quanto à análise do aspecto, que, de acordo com o diretor, é a principal causa de autuação nos pontos de distribuição e revenda. A partir de agora, o aspecto é só um quesito indicativo e, para que uma carga seja rejeitada, ela terá que ser submetida a testes adicionais. “Era muito subjetivo e agora está tornando mais objetivo”, avaliou.
Outra conquista almejada pela distribuição no campo da qualidade é a ampliação da margem de tolerância – de 0,5% para 1% – no teor de biodiesel. “Não é uma questão de usar melhores equipamentos”, pontuou alegando que os equipamentos utilizados pelas distribuidoras brasileiras já são os melhores disponíveis no mercado global. “Mas, sim, de permitir que, nessas milhares de operações que temos no país, a gente tenha uma tolerância condizente com a precisão dos equipamentos”, avalia.
Nó tributário
O salto produzido na mistura obrigatória do biodiesel ao diesel brasileiro neste ano – de 5% para 7% – criou um problema concorrencial para as distribuidoras, segundo Libório. E não pelo incremento do teor de biocombustível em si. Mas em função do sistema tributário brasileiro. O diretor do Sindicom ponderou que as operações de venda interestaduais de diesel B são bitributadas, por conta do biodiesel. Com a elevação da mistura, o estorno também aumentou.
“Quem faz operações interestaduais, quando põe na ponta do lápis, vê que o biodiesel está chegando mais caro dois, três centavos, o que tem impacto relevante na conta do consumidor”, expôs Libório citando que no sul de Minas Gerais e em estados como Santa Catarina e Bahia e algumas regiões do Paraná sentem esse reflexo com mais veemência.
Essa complicação é potencializa a tenção para que algumas distribuidoras burlem o sistema tributário e deixem de recolher impostos para deixarem seu produto alguns centavos mais barato gerando concorrência desleal. “Acabam ficando mais competitivas o que pode ser danoso para o mercado”, salientou.
É também uma questão de ordem tributária o principal entrave para que proposta de misturas facultativas acima do mínimo autorizativo, como as do B+ e do B20 metropolitano de autoria da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). “O que a legislação pressupõe é que há um teor (...) e se eu tiver alguma coisa acima da mistura autorizativa, os estados não vão saber o que cobrar”, problematizou o diretor do Sindicom.
Libório aposta em duas posturas por parte dos estados nesse contexto: ou cobrarão o imposto pelo teto máximo da mistura, ou perderão receita ao cobrar pautados no B7. “É um problema que a gente vê e não sabe ainda como equacionar”, alegou o diretor do Sindicom afirmando existir também o mesmo dilema em relação do balanço de massa instituído pela ANP ao biodiesel. “Não sei como isso funcionaria no leilão [com a implementação da proposta B+].”
No que concerne à proposta do B20 metropolitano, a grande questão para as distribuidoras seria o volume de investimentos a ser feita – grande, segundo Libório –, em função da distância entre as regiões metropolitanas e os centros de produção do biocombustível. “A gente teria que fazer bastante investimento em tancagem no Rio e São Paulo (...) a demanda por caminhão para transportar biodiesel a essas regiões também seria bastante significativa. E essas regiões têm grande tráfego, o que resultaria num custo logístico maior”, salientou ao mensurar “um impacto em investimentos e em termos de operação bastante relevante”.
Cátia Franco – BiodieselBR.com

Fazer a distribuição de um produto num país com as dimensões continentais do Brasil é, por si só, desafiador. Mas fazer isso usando, basicamente, um único meio de transporte – ainda mais um tão pouco eficiente quanto o transporte rodoviário – aumenta ainda mais a escala da complexidade a ser resolvida. É o que alertou o diretor de abastecimento e regulamentação do Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Luciano Libório. “A grande dificuldade do biodiesel é que a gente ainda está com uma logística muito calcada em cima do caminhão”, resumiu.
Segundo ele, a entidade tem projetos – ainda em fase incipiente – para a construção de centros coletores de biodiesel que permitirão carregar o biocombustível por meio de ferrovias. Com o aumento da mistura, o diretor do Sindicom acredita que haverá uma evolução no fluxo de distribuição do biodiesel por meio desse modal. “A gente tem um pouco de movimentação do Rio Grande do Sul com o Paraná, chegando até Araucária. E alguma coisa que vai se desenvolver nos próximos meses com a chegada da ferrovia em Rondonópolis, descendo biodiesel em maior escala até Paulínia, em São Paulo”, prevê.
Libório vislumbra ainda o surgimento de mais dois corredores de movimentação de biodiesel: um pela Hidrovia Tietê-Paraná, com o produto saindo do sul de Goiás e do Mato Grosso do Sul para São Paulo; e o outro que irá transitar no sentido contrário, com o biodiesel subindo para atender parte das regiões Norte e Nordeste.
“Esse é o lado bom do B7”, ressaltou. “Traz escala para o setor e incentiva projetos como este porque, antes, quando a gente tem menor escala, a conta não fecha na hora de se fazer os investimentos”, esclareceu.
Libório ressaltou ainda que a demanda de biodiesel também tem sido puxada para cima pelo aumento geral do consumo de combustíveis no país que vem se verificando desde 2007. “Boa parte do transporte desse volume adicional foi feito por meio rodoviário”, explicou. Esse aumento no consumo coloca mais pressão nos investimentos necessários pelas companhias do setor.
Investimento
Apontados pelo Sindicom como condição sine qua non para a promoção do aumento da mistura, os investimentos na capacidade de mistura entre biodiesel e diesel já foram efetivados pelas distribuidoras. À época em que o setor produtivo brigava pelo atendimento do pleito de um maior teor de biodiesel ao diesel, a entidade alegou que boa parte dos misturadores das distribuidoras não estava preparada para realizar percentuais mais elevados do que 5%. “Por isso, a gente sempre pediu prazo”, frisou.
O que agora está estrangulando a capacidade do setor de distribuição e pode se tornar uma trava para novos aumentos na mistura é a tancagem. “Metade das nossas bases tem déficit em tancagem para o biodiesel”, admitiu.
Libório prevê para os próximos dois anos investimentos maciços em novos tanques. “Tem que fazer ou a gente vai começar a perder dinheiro nessa logística”.
Qualidade
Já em outra frente considerado nevrálgica pela distribuição -- a qualidade do biodiesel – houve avanços. Libório citou a recente flexibilização no teor de água do biodiesel promovida pela ANP, que pôs fim a uma das principais polêmicas envolvendo a cadeia.
Muito embora a margem estabelecida pela agência às distribuidoras tenha sido menor que a reivindicada – o Sindicom queria 150 ppm a mais, porém conseguiu somente mais 100 ppm –, o diretor diz ter ficado “satisfeito de ver uma resolução importante para manter a qualidade do produto”.
Libório também elencou como positiva a revisão promovida pela ANP quanto à análise do aspecto, que, de acordo com o diretor, é a principal causa de autuação nos pontos de distribuição e revenda. A partir de agora, o aspecto é só um quesito indicativo e, para que uma carga seja rejeitada, ela terá que ser submetida a testes adicionais. “Era muito subjetivo e agora está tornando mais objetivo”, avaliou.
Outra conquista almejada pela distribuição no campo da qualidade é a ampliação da margem de tolerância – de 0,5% para 1% – no teor de biodiesel. “Não é uma questão de usar melhores equipamentos”, pontuou alegando que os equipamentos utilizados pelas distribuidoras brasileiras já são os melhores disponíveis no mercado global. “Mas, sim, de permitir que, nessas milhares de operações que temos no país, a gente tenha uma tolerância condizente com a precisão dos equipamentos”, avalia.
Nó tributário
O salto produzido na mistura obrigatória do biodiesel ao diesel brasileiro neste ano – de 5% para 7% – criou um problema concorrencial para as distribuidoras, segundo Libório. E não pelo incremento do teor de biocombustível em si. Mas em função do sistema tributário brasileiro. O diretor do Sindicom ponderou que as operações de venda interestaduais de diesel B são bitributadas, por conta do biodiesel. Com a elevação da mistura, o estorno também aumentou.
“Quem faz operações interestaduais, quando põe na ponta do lápis, vê que o biodiesel está chegando mais caro dois, três centavos, o que tem impacto relevante na conta do consumidor”, expôs Libório citando que no sul de Minas Gerais e em estados como Santa Catarina e Bahia e algumas regiões do Paraná sentem esse reflexo com mais veemência.
Essa complicação é potencializa a tenção para que algumas distribuidoras burlem o sistema tributário e deixem de recolher impostos para deixarem seu produto alguns centavos mais barato gerando concorrência desleal. “Acabam ficando mais competitivas o que pode ser danoso para o mercado”, salientou.
É também uma questão de ordem tributária o principal entrave para que proposta de misturas facultativas acima do mínimo autorizativo, como as do B+ e do B20 metropolitano de autoria da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). “O que a legislação pressupõe é que há um teor (...) e se eu tiver alguma coisa acima da mistura autorizativa, os estados não vão saber o que cobrar”, problematizou o diretor do Sindicom.
Libório aposta em duas posturas por parte dos estados nesse contexto: ou cobrarão o imposto pelo teto máximo da mistura, ou perderão receita ao cobrar pautados no B7. “É um problema que a gente vê e não sabe ainda como equacionar”, alegou o diretor do Sindicom afirmando existir também o mesmo dilema em relação do balanço de massa instituído pela ANP ao biodiesel. “Não sei como isso funcionaria no leilão [com a implementação da proposta B+].”
No que concerne à proposta do B20 metropolitano, a grande questão para as distribuidoras seria o volume de investimentos a ser feita – grande, segundo Libório –, em função da distância entre as regiões metropolitanas e os centros de produção do biocombustível. “A gente teria que fazer bastante investimento em tancagem no Rio e São Paulo (...) a demanda por caminhão para transportar biodiesel a essas regiões também seria bastante significativa. E essas regiões têm grande tráfego, o que resultaria num custo logístico maior”, salientou ao mensurar “um impacto em investimentos e em termos de operação bastante relevante”.
Cátia Franco – BiodieselBR.com