A palestra pelo gerente regional da Methanex, Fernando Reinecke, na Conferência BiodieselBR 2013 adianta as tendências no mercado global de metanol.
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A palestra pelo gerente regional da Methanex, Fernando Reinecke, na Conferência BiodieselBR 2013 adianta as tendências no mercado global de metanol.
Apresentada pelo gerente regional de logística da Methanex, Fernando Reinecke, no final da manhã do primeiro dia da Conferência BiodieselBR 2013 a palestra “Mercado de metanol e seu manuseio seguro”, discutiu algumas das principais particularidades que o mercado do segundo produto mais consumido na fabricação do biodiesel, atrás apenas dos óleos vegetais, vem vivendo nos últimos tempos.
Segundo o palestrante, a Methanex vê com bons olhos os sinais positivos que os representantes do governo vêm dando a respeito da proximidade de novas misturas de biodiesel no Brasil. “A Methanex está torcendo pelo B10”, disse em referência ao teto da banda de variação apresentada na palestra de Rodrigo Rodrigues que havia acontecido um pouco mais cedo. “Garantimos que haverá metanol suficiente e, aconteça o que acontecer, teremos a logística pronta para apoiar o crescimento. (...) Estamos prontos para apoiar o mercado brasileiro [de biodiesel] como já fizemos em outros mercados que aumentaram suas misturas como, por exemplo, a Colômbia, que implantou o B10 em determinadas partes de seu território”, assegurou.
A garantia vem apesar das dificuldades que a empresa vem enfrentando no Chile, causadas pelo baixo suprimento de gás natural, principal matéria-prima usada na produção do insumo. Tanto que Reinecke conta que a empresa decidiu transferir parte do maquinário previamente instalado no Chile para a nova fábrica que o grupo industrial canadense está construindo na Louisiana (EUA). Essa nova planta visa a aproveitar a chamada “revolução do gás natural” que vem acontecendo no hemisfério norte em função da exploração do gás de xisto. “O gás de xisto está revolucionando toda a indústria petroquímica e isso vai permitir aumentar a disponibilidade de nosso produto no mercado”, garantiu.
Além desse remanejamento nos recursos produtivos, a Methanex também está ampliando sua produção a partir do Egito e da Nova Zelândia. Nesse último, a Methanex está para colocar uma nova unidade produtiva para funcionar. O que deverá mais do que compensar os contratempos na América do Sul e permitir que os custos do metanol no mercado interno se mantenham em patamares baixos. “Definitivamente o custo é um dos pilares nos quais nos concentramos e sempre vamos tentar manter nossos produtos a custos competitivos em nível mundial”, sustentou.
As mudanças no mapa global da produção não deverão afetar substancialmente a posição da Methanex como líder global do mercado de metanol. Hoje, a companhia tem 15% do mercado global com vendas da ordem de 7,5 milhões de toneladas anuais desse insumo e um faturamento de US$ 2,7 bilhões. Além disso, a companhia controla a Waterfont Shipping, que possui a maior frota de navios para o transporte marítimo de metanol ao redor do mundo.
Demanda Dados trazidos pelo palestrante indicam que a demanda mundial por metanol está se acelerando. Hoje, o mundo consome aproximadamente 55 milhões de toneladas do produto, contudo, as projeções da companhia indicam que, em 2016, esse volume deverá crescer para mais ou menos 75 milhões de toneladas. Mais importante que isso, a taxa de crescimento anual que, até 2011, estava em 4,5% deverá chegar a 7,6% entre 2012 e 2016. Um processo que está causando mudanças no mapa global do segmento.
Apesar do mercado latino-americano representar apenas 4% do mercado global de metanol, a demanda na região vem crescendo de forma bastante acentuada. “Embora a América Latina não se apresente como um mercado grande em volumes absolutos, percentualmente o crescimento latino-americano é muito interessante”, diz acrescentando que isso vem principalmente do impulso que diversos países da região têm dado ao consumo de biodiesel.
Hoje o mercado mais importante do mundo para o metanol é, de longe, a China, que é tanto a maior fabricante do planeta quanto a maior consumidora. O grande problema dos fabricantes chineses, no entanto, é que eles fabricam seu metanol a partir da gaseificação do carvão mineral. Esse processo possui grandes impactos ambientais, e como as maiores cidades chinesas vêm enfrentando problemas realmente agudos com a poluição atmosférica nos últimos tempos, isso pode criar restrições no mercado do gigante asiático.
Outro ponto que está mudando nos últimos anos é o que é feito com o metanol. Embora o grosso do volume produzido continue tendo como destino usos tradicionais como a fabricação de formaldeído ou ácido acético, boa parte da nova demanda está vindo de usos que mal apareciam nas estatísticas do setor 10 anos atrás. O próprio biodiesel é um deles. No ano passado, absorveu pouco menos de 2,5 milhões de toneladas do insumo. Várias províncias da China, por exemplo, adicionam metanol à gasolina, um uso que já consome quase 4,6 milhões de toneladas por ano e tende a continuar crescendo.
O palestrante contou também que a própria Methanex está desenvolvendo projetos que poderão ter um grande impacto na estrutura da demanda futura. Ele conta que há poucas semanas, o grupo canadense anunciou uma parceria com a fabricante de motores e equipamentos MAN que prevê a criação de motores náuticos movidos por um derivado do metanol chamado DME. “Estamos esperando a entrada de nossos três primeiros navios que serão movidos a metanol no mundo”, diz. Há uma pressão crescente para que os combustíveis navais com elevado teor de enxofre sejam banidos num futuro próximo. “Só esse projeto para a criação de navios movidos a metanol e DME poderia abrir um mercado da ordem de 40 milhões de toneladas anuais. É um potencial de crescimento tremendo”, prevê.
É justamente para atender esse crescimento e transformação na estrutura da demanda que a Methanex recentemente voltou a investir na expansão de sua capacidade produtiva. Realocou ativos para regiões com maior potencial de produção e reativou plantas que se encontravam paralisadas. Mesmo assim, Reinecke admite não ter certeza se a nova capacidade produtiva que está entrando no mercado será suficiente para assegurar a manutenção as atuais cotações globais. “Eu não trouxe minha bola de cristal para poder dizer a vocês o que vai acontecer com os preços no longo prazo, mas há claramente algumas pressões de alta e isso não deverá mudar rapidamente”, acredita.
Responsabilidade “O negócio do metanol só será sustentável a longo prazo a medida em que conseguirmos fabricar e usar metanol de forma segura. É isso o que temos encorajar ao longo de todo a nossa cadeia de suprimentos”, defendeu o palestrante. A Methanex vê as boas práticas de mercado como um componente fundamental para que seu negócio continue crescendo.
Por isso, a empresa investe em treinamentos para as equipes de seus clientes para que todos os usos finais do metanol sejam feitos “da forma mais segura o possível”. “O conceito de ‘responsible care’ é crítico para nós em toda a cadeia. Como fabricantes percebemos ao longo dos anos que um de nossos principais ativos é a confiabilidade e isso está baseado em nossos programas de responsabilidade. O fato de nossas plantas produzirem de forma segura é um argumento para que nosso setor comercial possa garantir que nosso produto vai estar sempre disponível para os clientes”, destacou.
Essa filosofia tem levado a Methanex a trabalhar junto com seus compradores e com as empresas responsáveis pelo transporte do insumo na troca de melhores práticas de segurança. “Incentivamos que nossos parceiros compartilhem conosco todos os incidentes que eles venham a enfrentar ao lidar com metanol para que nós possamos aprender com os erros e evitar que eles se repitam no futuro”, contou. “A chave é mostrar a todos que segurança não é um custo, é um investimento. Ainda há muitas empresas por aí que não entendem isso”, finalizou.