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Eventual suspensão de exportação de diesel pelos EUA pode promover inflação do insumo no Brasil, dizem fontes

Cerca de 30% da demanda brasileira de diesel é atendida por importações

Valor Econômico 2 min de leitura

A possibilidade de suspensão de exportação do diesel pelos Estados Unidos pode promover forte alta nos preços do derivado no mercado interno, mas não deve haver desabastecimento do produto, avaliam fontes a par do tema. Cerca de 30% da demanda brasileira de diesel é atendida por importações.

A maior preocupação, avaliam, recai sobre o fato de que o Brasil tem dependência acentuada das importações do produto americano, desde que a Rússia também deixou de exportar diesel para priorizar o mercado interno.

Em setembro, 80% do diesel de origem externa eram dos Estados Unidos, o que corresponde a aproximadamente 800 mil metros cúbicos (m³) do insumo. A Índia é a origem de 160 mil m³ e o Golfo Árabe, 40 mil m³.

Só que, no caso da Rússia, a decisão de não vender diesel para outros países se deu por causa dos bombardeios da Ucrânia com drones sobre as refinarias do país. Do lado americano, avaliam, a questão tem relação com as eleições legislativas de meio de mandato, no dia 3 de novembro. O preço do diesel subiu nas bombas americanas e a suspensão do diesel poderia conter a escalada ao redirecionar os volumes para atendimento ao mercado doméstico americano.

A guerra, iniciada pelos Estados Unidos contra Irã em fevereiro, tem rendido episódios de escalada de tensão, aumentando as cotações internacionais de petróleo. Porém, as margens de refino ("Crack spread") descolaram-se do Brent e aumentaram ainda mais e estão em níveis recordes.

Segundo as fontes, a tendência de o preço subir, caso os Estados Unidos realmente suspendam as exportações, é que ocorra uma disputa pelo produto que estava disponível, mas que se tornaria ainda mais valorizado. "O grande risco é que o movimento eventual dos Estados Unidos reorganize o mercado e grandes fontes antes [com diesel disponível] fiquem cada vez mais disputadas", disse uma das fontes.

Enquanto outros países adotaram medidas para conter a demanda do diesel, como trabalho remoto (home office) e liberação de uso de estoques internos, o Brasil não recorreu a iniciativas semelhantes, salientam as pessoas ouvidas pela reportagem.

Fábio Couto – Valor Econômico

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