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Casa Branca prepara suspensão de exportação de diesel americano por 90 dias, diz site

De acordo com o Politico, medida tem fins eleitoreiros. Se for concretizado, veto pode afetar o Brasil, que importa cerca de 30% do diesel que consome

O Globo 3 min de leitura

A Casa Branca está preparando um plano para suspender por 90 dias as exportações de diesel, em uma tentativa de reduzir os preços do combustível no país, segundo cinco fontes ouvidas pelo site americano Politico. A medida tem apoio do presidente Donald Trump, mas não é consenso no governo e é criticada pela indústria petrolífera. Caso a proibição seja concretizada, pode afetar o Brasil que importa cerca de 30% do combustível de consome.

De acordo com o Político, o processo legal para vetar as vendas de diesel ao mercado externo ainda está sendo definido. Ontem, Trump disse que apoiaria a medida, que busca atender anseios político-eleitoreiros. Senadores que vão disputar as eleições de meio de mandato, em novembro, estão pressionando pelo veto sob a alegação de que é isso levaria à queda no preço do diesel.

A possível proibição enfrenta resistência dentro do próprio governo Trump e do setor petrolífero. O secretário de Energia, Chris Wright, já chegou a alertar que a medida poderia provocar excesso de diesel na Costa do Golfo, forçar refinarias a reduzir a produção e, consequentemente, afetar também a produção de gasolina. O secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou ainda que a restrição poderia provocar retaliações de países exportadores de energia.

“Se você começar a impor barreiras ao fluxo, muito rapidamente reduzirá a produção e terá menos oferta. Precisamos de mais oferta, não de menos”, disse Wright.

No setor petrolífero, Todd Staples, presidente da associação de petróleo e gás do Texas (TXOGA), disse que a medida poderia causar escassez de combustível nos EUA e levar aliados a buscar fornecedores como China e Rússia, informou a Reuters. 

Preços na Europa sobem

Em teoria, a medida até reduziria temporariamente os preços na Costa do Golfo dos EUA, mas causaria impacto na Europa, que enfrenta uma escassez estrutural de diesel e depende das exportações americanas.

“Isso parece ser bastante prejudicial para alguns aliados importantes dos EUA”, disse à Reuters Jim Mitchell, diretor de análise de negociação de petróleo da consultoria Wood Mackenzie.

Segundo o Politico, qualquer interrupção das exportações seria a primeira restrição desde que o governo Obama suspendeu, em 2015, uma proibição de décadas à exportação de petróleo.

Os efeitos da ameaça de Trump já fez os preços do combustível dispararem na Europa, enquanto os contratos futuros nos Estados Unidos ficaram sob pressão.

Segundo a Bloomberg, com o risco de interrupção dos fluxos provenientes do principal fornecedor da região, o prêmio do diesel europeu em relação ao petróleo Brent saltou para mais de US$ 95 por barril nesta quarta-feira, um recorde na série da Bloomberg, que remonta a 2011. Conhecido como crack spread, o indicador vem sendo acompanhado de perto pelos bancos centrais enquanto buscam conter a inflação. A medida equivalente nos Estados Unidos, por sua vez, enfraqueceu.

A capacidade de oferta derivados do petróleo tem estado estruturalmente sob pressão nos últimos meses. Além da guerra entre EUA e Irã ter reduzido o escoamento de produtos pretrolíferos dos países do Oriente Médio, a Ucrânia vem fazendo seguidos ataques contra a infraestrutura energética da Rússia.    

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