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Bilionário espanhol Enrique Bañuelos prepara nova compra no País


iG São Paulo - 06 mai 2011 - 05:57 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

Disposto a consolidar empresas no agronegócio brasileiro, o espanhol Enrique Bañuelos voltou à mesa de negociação. Ele está em fase final de conversas para a compra de 80% das ações de controle da Sementes Selecta, processadora de soja que tem sede em Goiânia e uma fábrica em Araguari (MG). A operação envolve dinheiro e a troca de ações.

No futuro, a Selecta deverá ser incorporada pela Brasil Ecodiesel, controlada pelo empresário espanhol, assim como foi anunciado em negócios anteriores realizados por ele. Caso conclua a operação, a Veremonte Participações, de Bañuelos, passará a controlar mais uma empresa do ramo. Suas atividades no setor de agronegócios podem passar a faturar quase R$ 2 bilhões - atualmente, a receita é de R$ 1,5 bilhão -, segundo estimativas.

A Sementes Selecta, que entrou em recuperação judicial em 2008, durante administração da família Mendes, teve seu controle comprado pelo grupo Los Grobo, da Argentina, em 2008. A Selecta havia acumulado dívidas estimadas à época em US$ 400 milhões com bancos por má aplicação de recursos na Bolsa de Chicago e na construção de uma nova fábrica em Araguari.

A família Mendes está envolvida com a produção agroindustrial desde a década de 1960, quando o patriarca, Orlando Mendes, comandava a Granja Betinha, de Jundiaí (SP), então de destacada posição na produção de frangos. A família criou a Selecta em 1984 e seguiu na agroindústria por meio da nova empresa. A Betinha, em dificuldades financeiras na época de nascimento da Selecta, foi vendida à Ceval Alimentos (atual Bunge) em 1989.

Mesmo antes do negócio com a Selecta, as empresas lideradas por Bañuelos ocupavam cerca de 330 mil hectares de terras plantadas, principalmente soja (70%), algodão (20%) e milho. Procurada, a Selecta e a Veremonte não responderam os pedidos de entrevista até a conclusão desta matéria.

Consolidação
Assim como fez no setor imobiliário na década passada, Bañuelos tem concluído acordos para consolidar o setor de agronegócios. Sua primeira tacada foi a compra, em junho de 2010, de 86% do capital social da Maeda, uma das maiores produtoras de algodão do País, por R$ 100 milhões, além das dívidas. Em seguida, o espanhol assumiu a dianteira da Brasil Ecodiesel, produtora de biodiesel transformada por Bañuelos em veículo para consolidação dos negócios.

No mês passado, ele fechou acordo de compra por R$ 600 milhões de metade do grupo Vanguarda, do empresário e político matogrossense Otaviano Pivetta. Caso o negócio seja aprovado pelos acionistas da Brasil Ecodiesel, Pivetta deve se tornar sócio da Brasil Ecodiesel, com um terço do capital.

Em 2010, depois de unir as empresas imobiliárias Agra, Klabin Segall e Abyara no grupo Agre, Bañuelos fechou acordo para fundir as atividades à PDG Realty, que se constituiu na maior empresa do setor no Brasil. Como resultado, tornou-se o maior acionista individual da PDG.

Bañuelos, de 45 anos, é um dos homens mais ricos da Espanha. Na versão mais recente do ranking da revista "Forbes" que lista as maiores fortunas do mundo, o espanhol aparece na 879ª posição entre os magnatas do planeta, com um patrimônio estimado em US$ 1,4 bilhão. Logo à frente dele, entre os espanhóis, está o banqueiro Emilio Botín, do Santander. Segundo a lista, a fortuna de Bañuelos é queivalente à de João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, dono do grupo Hypermarcas.

André Vieira
Colaborou Patrick Cruz