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Coplacana deve inaugurar usina de biodiesel em dois meses

Usina de biodiesel Produção deve ter início em junho, com capacidade para 45 mil litros de combustível por dia
Gazeta de Piracicaba 3 min de leitura
A usina de biodiesel da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana-de-Açúcar) de Piracicaba e Região deve entrar em funcionamento a partir de junho. A estimativa é da entidade que gerencia o empreendimento, já em fase final de testes para início da comercialização. Na manhã de ontem, o prefeito Barjas Negri (PSDB) e o presidente da cooperativa, José Coral, estiveram na usina (localizada nas proximidade do bairro Taquaral) em visita oficial às instalações.

O empreendimento ocupa uma área de 80 mil metros quadrados e conta com um investimento inicial de R$ 13 milhões, com capacidade de produção de 45 mil litros de biocombustível ao dia (13,5 milhões de litros/ano).

"É um projeto pioneiro no Estado de São Paulo e acredito que até mesmo em nível nacional, pelo fato da usina trabalhar em conjunto com os cooperados em todo ciclo produtivo", diz José Coral. "O biodiesel poderá render a comercialização da soja em maior quantidade, coisa que antes era pouco explorada na região", completa.

Os agricultores fornecem a soja, que é armazenada e tem o óleo extraído pela usina de biodiesel. Após o processo, o biocombustível gerado pode ser aproveitado pelos próprios agricultores (de forma pura ou na mistura com o diesel) para uso particular no abastecimento da frota agrícola.

Os produtores também poderão optar pelo comércio com outras empresas, mas pagarão taxas específicas do mercado. A oleoginosa da soja já é extraída na usina e atualmente é utilizada por empresas parceiras da Coplacana.

O farelo resultante do processo pode servir de alimentação para o gado dos cooperados. São cerca de 240 toneladas por dia. Segundo Coral, pelo menos metade do farelo será encaminhado para a fábrica de ração animal da cooperativa.

O restante ficará confinado para utilização do projeto "boitel", um hotel de bois criado pela cooperativa para engorda durante o período de seca nos pastos. "Com a sobra do farelo nós vamos ajudar o agricultor (principalmente durante a entressafra) que traz o gado para engorda".

Coral destaca que o empreendimento fecha o ciclo de produção do biocombustível por incentivar, financiar e garantir a comercialização do produto, além de reduzir os custos do processo produtivo em benefício dos cooperados.

Com isso, haverá a ampliação do plantio de soja nas épocas de renovação dos canaviais, com maior segurança ao agricultor. "Agora o produtor tem toda a segurança, desde a silagem e secagem da soja até o seu aproveitamento".

A Coplacana dará toda a assistência aos agricultores, financiando o plantio da soja, fornecendo a semente e o fertilizante, recebendo o produto, moendo e aproveitando o farelo para a engorda de gado. Klever Coral, dirigente da Coplacana, destaca que para atingir a capacidade da usina será necessária a colheita de cerca de 500 mil sacas de soja por ano (com uma produtividade de cerca de 45 a 50 sacas por hectare, a estimativa resulta em 10 mil hectares de soja). Em fase de testes, a usina já conta com dois silos que armazenam 50 mil sacas cada.

DIVERSIFICAÇÃO. O prefeito Barjas Negri ressalta que o aspecto mais importante da Usina de Biodiesel será a diversificação da cultura, hoje concentrada na cana-de-açúcar, dando alternativas a mais para os produtores, pois a soja na sua transformação pode agregar muito valor, produzindo o óleo combustível, o biodiesel e o farelo, importante para a alimentação do gado. "A Coplacana sem dúvida, é um elo vital para o desenvolvimento econômico e social do município, principalmente na geração de emprego e renda".

FELIPE RODRIGUES
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