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Cooperativas agregam valor e tecnologia


O Estado de S.Paulo - 21 mar 2011 - 06:04 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

O programa de biodiesel da Petrobrás Biocombustível fortaleceu o cooperativismo na agricultura familiar no Nordeste. Para fazer parte do programa, o agricultor precisou se associar a uma cooperativa, que, por sua vez, teve de se profissionalizar para atender às exigências da PBio. As cooperativas mais estruturadas passaram a ter condições de apoiar os produtores no acesso a máquinas e tecnologia, além de ajudá-los a agregar valor ao produto e a vender.

Maria Batista da Silva está entre os produtores beneficiados. "Antes, eu vendia toda a produção para atravessadores e não conseguia pagar as dívidas." Presidente da associação dos produtores de Sete Brejos, uma agrovila de assentados em Indiaroba (SE), Maria diz que os programas mudaram a realidade da região. Hoje, toda sua produção é direcionada para as vendas de contrato. "Não tenho produto nem para vender na feira. Está tudo comprometido." Além da garantia de escoamento, os recursos extras obtidos com os programas foram usados na aquisição de um debulhador para retirar as sementes de girassol da planta.

O fortalecimento das cooperativas permite que os agricultores cooperados agreguem valor ao seu produto. Em Indiaroba, a Cooperafir já conseguiu negociar um preço mais remunerador para a produção de laranja. "Não somos mais entregadores de laranja para a indústria", afirma o presidente da cooperativa, Adinaldo do Nascimento.

Agora, são eles que contratam a indústria, processam e engarrafam o próprio suco, com a marca da cooperativa. "Antes, tirávamos R$ 280 por tonelada de laranja. Agora, ganhamos R$ 400 por tonelada de suco, com uma margem muito maior para o produtor." A laranja é uma das frutas plantadas em rotação com o girassol.

No município de Poço Redondo, a 200 quilômetros de Aracaju, cerca de 700 famílias plantam girassol, milho e feijão há dois anos. Com a renda gerada pela oleaginosa, a cooperativa local investiu em maquinário. "Temos a única plantadeira de girassol da região", conta João Gomes, presidente da cooperativa. A semente é entregue para a Petrobrás e, o restante, aproveitado na produção de ração animal.

Os produtores já estão vendendo a ração de talo de girassol por R$ 0,60 o quilo, valor que cobre os custos de produção da semente. Na primeira safra plantada, a produtividade média foi de 600 quilos por hectare. A expectativa é de que, com a mecanização, a produtividade atinja 1.400 quilos por hectare.

Eduardo Magossi