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Do álcool ao biodiesel com etanol


O Globo - 04 mai 2011 - 08:35 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

Uma ideia começa a germinar nos laboratórios da Universidade de São Paulo. Em curso desde 2003, as pesquisas sobre biodiesel feitas em parceria com a PSA Peugeot Citroën entram agora na terceira fase. É quando os cientistas deixam de lado a soja e outras matérias-primas já dissecadas para se dedicarem ao biodiesel que utiliza o etanol derivado da cana de açúcar no processo.

Nesta etapa, dois Peugeot 408, dois Citroën C4 Pallas e um Peugeot Boxer circularão abastecidos com 30% de biodiesel e 70% de diesel metropolitano — combustível com baixos teores de enxofre, de uso obrigatório no transporte coletivo.

Diretor do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da USP, Miguel Dabdoub ressalta o novo processo de obtenção de biodiesel: sai o metanol,  obtido a partir de combustíveis fósseis, e entra o etanol, mais ecológico:

— A emissão de poluentes é menor, além de a cana de açúcar ser uma fonte renovável e a cadeia produtiva do etanol gerar uma quantidade enorme de empregos.

O coordenador do projeto BiodieselBrasil também destaca como vantagem da cana a experiência que o país adquiriu ao longo de décadas no processamento da planta. Além disso, pesa a favor a maior capacidade de produção que esta matéria- prima oferece em relação às demais já pesquisadas.

Aos que temem pela manutenção de carros a biodiesel, Dabdoub responde com o resultado de um longo estudo:

— Este é um dos questionamentos mais frequentes. Na primeira fase das pesquisas, um 206 e um Picasso rodaram mais de 180 mil quilômetros e, ao fim dos testes, as peças não apresentaram nenhum desgaste anormal. Se a manutenção for feita como se deve, não há motivos para preocupação. É como um automóvel qualquer.

Marco Antonio Rocha