Univaldo Vedana

A distribuição de biodiesel e a liberação do mercado


Univaldo Vedana - 20 ago 2008 - 15:23 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:07

A comercialização do biodiesel desde o lançamento do PNPB é feito através de leilões promovidos pela ANP. Isso foi necessário e nos primeiros anos trouxe aprendizagem para o setor, mas não deve continuar indefinidamente. Com a comercialização através dos leilões, o comprador fica obrigado a retirar o biodiesel sem levar em conta a logística, ele tem que aceitar o local de retirada e o preço de acordo com a Petrobras, que tenta elaborar a melhor logística com as empresas vencedoras no leilão.

Por causa disso o biodiesel tem passeado bastante pelo Brasil. No início o biodiesel produzido no Nordeste era consumido na região Sul. Hoje o Rio Grande do Sul abastece Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Esse passeio era previstos e foi necessário para o aperfeiçoamento do programa.

As indústrias de biodiesel hoje não estão concentradas, todas as regiões brasileiras produzem. Do Rio Grande do Sul ao Pará e do Ceará a Rondônia. O maior problema ainda está na região Sudeste, onde temos o maior consumo e a menor concentração de usinas. Por isso grande parte do biodiesel consumido nessa região é importado do Rio Grande do Sul, de Goiás e Mato Grosso.

Três estados com grande produção de grãos chamam a atenção por não se destacarem em produção de biodiesel, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná.

A liberação do mercado de biodiesel trará boas economias para as distribuidoras e alavancará melhores negócios para as usinas bem localizadas. Entende-se por bem localizadas usinas próximas a grandes centros consumidores. As distribuidoras darão preferência em comprar biodiesel com menor custo de frete. Isso não quer dizer que usinas pequenas ou mesmo grandes localizadas longe dos grandes centros percam competitividade. Além de terem um custo menor na matéria-prima, elas tem o mercado regional e o suprimento complementar do biodiesel necessário aos grandes centros consumidores. E podem também ter alguma redução de ICMS por vender biodiesel dentro do estado.

Com a liberação do mercado algumas usinas levarão vantagens. As distribuidoras darão preferência do biodiesel produzido próximo a suas bases. Uma distribuidora de Rondônia comprará biodiesel em seu estado se o preço for igual ou até um pouco maior do que o produzido por uma usina do Mato Grosso. Isso acontecerá também com as usinas do Tocantins, do Maranhão e dos estados do Nordeste, para citar apenas os mais distantes.

Univaldo Vedana é analista do setor de biodiesel