Simoni Margareti Plentz Meneghetti

Óleo de Moringa Oleífera:Alternativa Potencial para Obtenção de Biodiesel


Simoni P. Meneghetti - 28 jan 2007 - 22:49 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

Na busca de matérias-primas alternativas regionais para a produção de biodiesel, constatamos que a moringa oleífera, uma cultura que se adapta em várias condições edafo-climáticas e é tolerante à seca, pode ser uma candidata potencial para a obtenção de óleo, que pode ser empregado na produção desse biocombustível no nordeste. Em nosso grupo de pesquisa, em parceria com os Prof. Dr. Carlos Rodolfo Wolf e Prof. MSc. Marcelo Gossmann, investigamos algumas características do óleo de moringa oleífera e avaliamos a sua aplicabilidade para obtenção de biodiesel, e são esses resultados que discutirei nesse artigo.

A moringa oleífera (Moringa oleifera Lam.) é uma espécie perene da família Moringaceae, originária da Índia. No Brasil, sua cultura vem sendo difundida em todo o semi-árido nordestino, principalmente devido a sua utilização no tratamento de água para uso doméstico. Além disso, exemplos de várias aplicações vem sendo relatadas ao longo dos anos: folhas e sementes são empregadas para alimentação animal e em remédios caseiros e seu óleo tem sido usado em lamparinas, fabricação de sabão e lubrificação de pequenas engrenagens, como relógios.

Inicialmente, o óleo foi extraído da semente seca, empregando n-hexano. O teor de óleo foi de 39% e o óleo bruto obtido apresentou viscosidade de 43,34.cSt (40ºC) e um índice de acidez de 7,946 mg KOH/g. Esse contém em sua composição os seguintes ácidos graxos: palmítico (7%), palmitolêico (2%), esteárico (4%), olêico (78%), linolêico (1%), araquídico (4%) e behênico (4%). Este grande teor de ácido olêico indica que esse óleo é adequado para a obtenção de um biodiesel com um baixo teor de insaturações, o que tem reflexo direto e muito positivo em sua estabilidade à oxidação, facilitando transporte e armazenamento. Cabe salientar que o óleo de canola, a partir do qual é obtido grande parte do biodiesel europeu, contém tipicamente 62 % de ácido olêico em sua composição.

Para a obtenção do biodiesel foi empregada uma massa de 1 % de catalisador e 30 % de álcool em relação à massa de óleo colocado no reator (representando um excesso molar de álcool de 6). A temperatura de reação foi a de refluxo do metanol e a produção de biodiesel foi determinada por cromatografia gasosa. Um dos catalisadores empregados foi o etóxido de sódio, com o qual obtivemos rendimentos em biodiesel da ordem de 85 %, em 4 horas de reação. O óleo foi empregado sem tratamento de purificação e refino, e este rendimento poderá, sem dúvida, ser incrementado com a purificação do óleo e com a otimização das condições de processo reacional.

O biodiesel obtido apresentou viscosidade de 6,3 cSt (40 ºC) e este valor indica um grande potencial do óleo da moringa oleífera para produção desse biocombustível.

Como pode ser visto, é possível obter um biodiesel com propriedades adequadas, a partir do óleo de moringa oleífera e estamos frente a uma extraordinária oportunidade de ampliação do leque das culturas oleíferas, que possam ser desenvolvidas de forma perene, no nordeste. Com isto poderemos reforçar o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, através de uma opção técnica adequada, com sustentabilidade e inclusão social.

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