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Simoni Margareti Plentz Meneghetti

Impacto ambiental, mudanças climáticas e os biocombustíveis (Parte 2)


Simoni P. Meneghetti - 25 out 2007 - 16:56 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

Na 1ª parte deste artigo apresentamos o Instituto de Pesquisa de Impacto Climático (Potsdam Institute for Climate Impact Research – PIK, Telegraphenberg Campus, Potsdam), que é centro de referência mundial, e classificado como um dos mais importantes do mundo em sua área. Na visita realizada ao PIK fomos recebidos pelo Professor Hans Joachim Schellnhuber, atual diretor do PIK, que atua também como conselheiro na área de energia do governo alemão. Na oportunidade, em reunião com o senhor Schellnhuber e equipe, discutimos questões envolvendo o trabalho realizado no PIK, além dos trabalhos e perspectivas no Brasil e no mundo.

Várias questões foram tratadas de forma interdisciplinar, pois como já mencionado na Parte 1, esse instituto foi planejado para obter resultados a partir de uma abordagem multidisciplinar, com pesquisadores com formação em física, química, engenharia, economia, agronomia, matemática, computação, ciências sociais, entre outros, que objetivam a avaliação da intervenção humana sobre a terra e a busca de estratégias para o desenvolvimento sustentável da raça humana em equilíbrio com a natureza. A possibilidade do PIK realizar projeções de cenários futuros para o planeta o coloca em posição de destaque em várias questões estratégicas.

Existe uma grande preocupação no sentido de que as questões de viabilidade econômica e social devam nortear a utilização de energias alternativas, como por exemplo, questionamentos em nível mundial sobre culturas empregadas para alimentação humana que podem ser utilizadas para obtenção de biocombustíveis, como é o caso da cana-de-açúcar e dos óleos vegetais. Fica evidente que não existe uma solução global e que essas questões devem ser tratadas segundo as características regionais.

Os pesquisadores do PIK vêem com muito bons olhos o papel exercido pelo Brasil, como grande produtor de etanol e a perspectiva de sermos grandes produtores de biodiesel. Porém expressaram uma clara preocupação com o avanço dessas culturas em áreas como o cerrado e floresta amazônica. Nós tivemos a oportunidade de esclarecer que áreas atualmente degradadas podem ser utilizadas para esse fim.

Outro ponto bastante positivo para o Brasil é o nosso pioneirismo na flexibilidade de nossa frota de automóveis no que tange à utilização de diversos combustíveis, como gasolina, etanol ou gás natural.

Uma questão amplamente discutida diz respeito ao real efeito da utilização de biomassa e de seu verdadeiro impacto na redução de emissões gasosas e particulados. Na opinião dos pesquisadores do PIK essa é uma conseqüência real da utilização desses, mas que um impacto realmente positivo se dará em função da boa gestão de toda a cadeia produtiva, do plantio até o emprego na geração de energia.

A questão da energia nuclear também teve seu espaço e os pesquisadores do PIK foram unânimes em afirmar que se trata de uma energia de alto custo de geração, mas que a condição e a viabilidade deve ser analisada em consonância com a realidade de cada país.

O maior saldo dessa oportunidade de conhecer o PIK é a corroboração de minha crença, já expressa em outras oportunidades nessa coluna, de que as soluções globais para problemas de impactos ambientais, de aquecimento global e envolvendo energia devem realmente ser discutidas de forma multidisciplinar e por técnicos especializados e capacitados para tal, em constante intercâmbio técnico-científico. O sucesso, da criação e aplicação de políticas públicas, só pode ser atingido se houver embasamento em dados técnicos concretos e não em opiniões apaixonadas que na maioria das vezes, infelizmente, conduzem a erros de estratégia.

Simoni P. Meneghetti. Saiba mais sobre a autora.
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