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A demanda do L54 e a luz no fim do túnel do setor de biodiesel

Nos últimos anos, o setor de biodiesel tem vivido da esperança de que a chegada de misturas maiores trariam dias melhores. Até agora, não se concretizaram.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
O setor de biodiesel tem vivido de esperança há um bom tempo. Os últimos anos de B5 foram duros para o setor que viu muitas usinas saírem do mercado porque não conseguiam sobreviver com as pequenas margens de venda. A esperança para as usinas que ficaram era que, com a chegada de misturas maiores, o tempo de vacas magras finalmente acabasse.

O setor de biodiesel tem vivido de esperança há um bom tempo. Os últimos anos de B5 foram duros para o setor que viu muitas usinas saírem do mercado porque não conseguiam sobreviver com as pequenas margens de venda. A esperança para as usinas que ficaram era que, com a chegada de misturas maiores, o tempo de vacas magras finalmente acabasse.

Veio o B6 e em seus dois leilões as margens foram igualmente ruins. Como, afinal de contas, o B6 teria vida curta, as esperanças do setor de sair do aperto foram depositadas no B7 que fez sua estreia no famigerado L39 onde, pela primeira vez, a oferta e a demanda esperada ficaram perigosamente próximas. O problema aconteceu por uma série de fatores que passam pela pouca oferta de óleo no momento e o baixo preço de referência do biodiesel determinado pela ANP. Os demais leilões do B7 trouxeram algo alivio para as usinas embora nem todas tenham conseguido fazer dinheiro.

Algumas usinas bem localizadas e com uma boa estrutura funcional e financeira conseguiram lucrar em três ou quatro dos seis leilões de cada ano. Mas a crise do país fez a demanda cair muito. O cobertor curto do B7 se transformou numa toalha e muita gente estava amargando um prejuízo atrás do outro nos leilões.

Mas o B8 já tinha data para chegar e ele – novamente – seria o salvador de um setor em crise. O Leilão do B8 veio e o salvador virou carrasco. O volume comprado foi inferior àquele comprado na estreia do B6. Dois anos depois, dois por cento a mais de biodiesel no diesel e uma demanda menor. Nem o maior pessimista havia imaginado esse cenário.

Hoje acontece um leilão que pode recolocar todo o setor nos trilhos do crescimento. Há alguns sinais animadores no horizonte. Entre eles, o leilão de estoque emergencial que a Petrobras realizou na última sexta-feira (31) para comprar 35 mil m³ a serem entregues em caso de necessidade durante o mês abril. Sua convocação mostra que as distribuidoras compraram menos biodiesel do que seria necessário para o 2º bimestre do ano o que, por sua vez, sinaliza para um o mercado de diesel mais aquecido do que previram inicialmente.

Somados os volumes dos estoques – 41 mil m³ na rodada regulamentar e os 35 mil m³ que queriam comprar às pressas – com os 620 mil m³ arrematados no leilão regular do 2º bimestre, chegamos a uma demanda total de 696 mil m³ de biodiesel durante o segundo bimestre de 2017. Isso sem nem levar em conta os estoques de biodiesel que as distribuidoras vinham carregando desde o último bimestre do ano passado.

A demanda real de biodiesel para esse segundo bimestre está sendo muito superior ao que foi comprado no último leilão.

Esse cenário faz com que as distribuidoras cheguem para o 54º leilão de biodiesel sem estoques e sabendo que o consumo de diesel está saindo da depressão. Podemos ter, no 3º bimestre deste ano, um consumo de diesel maior que o realizado no mesmo período do ano passado o que pode fazer a demanda de biodiesel no L54 chegar a ficar um pouco acima de 750 mil m³.

É um número tão alto quando comparado com os 620 mil m³ do leilão passado que parece uma miragem. Mas parece realizável se usarmos como base os números do ano passado e ponderarmos a quantidade de fatores negativos que marcaram encontro no L53. Para não pecar por otimismo, registro que minha aposta é de uma demanda entre 730 e 750 mil m³ no leilão desta semana.

De qualquer forma, um salto da demanda desse porte seria seguido de um grande suspiro de alívio pelo setor produtivo.

Só o começo

Mas esse leilão será apenas o primeiro sinal de que há luz no fim do túnel para o setor. O belo cenário que surge quando o túnel finalmente acabar é o do B9 e da eminente chegada do B10. Se o trabalho realizado pelas associações de produtores de biodiesel prosperar. Em julho já teremos um novo aumento de mistura.

Para que isso aconteça o CNPE deve tomar uma decisão antes que o edital do próximo leilão seja publicado. Ou seja, saberemos com certeza o que o futuro imediato nos espera em pouco mais de 30 dias.

Com B9 serão comprados cerca de 830 mil m³ por bimestre. Estaria, assim, encerrado o ciclo depressivo de oferta muito acima da demanda no setor de biodiesel. As usinas conseguiriam uma excelente rentabilidade e teriam que começar a ofertar mais em cada leilão.

Depois de 4 leilões com B9 chegaria o leilão para compra do B10, onde mais de 920 mil m³ seriam comprados em cada leilão. É um volume extraordinário para a capacidade instalada hoje no Brasil.

E esse é um cenário que tem grandes chances de se concretizar. Em menos de um ano, o Brasil pode estar usando a mistura de B10. Nesse dia, finalmente, o setor não vai precisar viver da esperança de um futuro melhor. Terá chegado lá.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com
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