Miguel Angelo

Cenário e projeção para o 17º Leilão de Biodiesel


Miguel Angelo Vedana - 25 fev 2010 - 12:19 - Última atualização em: 07 mar 2012 - 18:49

O 17º leilão de biodiesel está cercado de várias dúvidas. A mudança de sistemática trouxe a tona antigos medos e várias inseguranças. O medo é que se repita os trágicos leilões 6 e 7 da ANP, onde as usinas, em razão da grande oferta de biodiesel,  venderam abaixo do preço de custo esperando que o soja baixasse e o que aconteceu foi o oposto. E as consequências todos já sabem.

Aquele prejuízo todo aconteceu por um pricipal motivo: as usinas venderam abaixo do preço de custo. Se todas tivessem respeitado seus limites os problemas seriam bem menores. É claro que muitas preferem operar no prejuízo do que deixar a fabrica parada, que significaria um custo ainda maior. Mas essa é uma opção arriscada e quem opta por isso tem que ter isso bem claro na mente, pois a inadimplência pode tirar a empresa também do 18º leilão.  A Brasil Ecodiesel que foi a maior vencedora e maior inadimplente daqueles leilões sabe muito bem o dano que a venda abaixo do preço de custo pode causar. 

Além de não vender abaixo do custo é preciso que cada usina saiba quanto pode vender. Obviamente todas querem vender o máximo de biodiesel possível, mas se todas tiverem esse objetivo, o preço do biodiesel cai abaixo de R$ 1,60. Por esse motivo nos outros leilões, sempre foi apresentado a conta de quanto cada usina poderia vender. No leilão passado a minha projeção indicava que cada usina poderia vender 60% de toda sua capacidade instalada e haveria biodiesel para todas. Nessa conta ficam de fora a ADM e a Petrobras que normalmente vendem todos os 80% possíveis. Nesse leilão o quadro não é muito diferente. A mesma conta faz com que cada usina possa vender cerca de 54% de sua capacidade nominal. Com base nos leilões presenciais é possível dizer que as usinas ficam satisfeitas em ocupar capacidade semelhante, pois o número já foi próximo dos 50% em alguns leilões e o deságio foi muito pequeno. Se o deságio é pequeno e as usinas não estão vendendo toda sua capacidade é por que estão satisifeitas com a relação “quantidade de biodiesel vendido/preço médio da venda.”

A responsabilidade é das usinas
Se as usinas aceitarem vender 54% de sua capacidade trimestral o leilão não será trágico como imaginam alguns. Não querendo vender tudo o que podem, as usinas diminuirão a pressão sobre o preço em cada uns dos itens, fazendo com que ele não seja depreciado de maneira significativa.  Contudo nessa nova sistemáltica não é possível vender exatamente aquilo que se deseja, pois todo o volume foi dividido em itens que podem não ‘encaixar’ no volume de venda pretendido. Com isso as usinas terão que vender um pouco menos do que gostariam nessa distribuição (no entanto, adotando esta estratégia, algumas usinas devem arrematar um pouco a mais, veja tabela).

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Por que o leilão eletrônico é bom para o setor de biodiesel


Seguindo esse raciocínio calculei quanto cada usina poderia vender no leilão em uma condição ideal. Essa condição leva em conta que ADM e Petrobras tem como diretriz vender o máximo de biodiesel possível e que o restante do volume é dividido propocionalmente entre as demais usinas. Essa divisão faz com que cada usinas  ocupe os 54,26% de sua capacidade. Fica fora dessa divisão proporcional a Biocapital, que nunca vendeu mais que 30,5 milhões em um leilão trimestral. Com base nessa divisão distribui os volumes nos lotes estipulados no edital. 

Fazendo esta divisão fica claro que realmente faltam itens com volumes menores. Foi muito difícil atender os volumes de vendas dos grandes e dos pequenos produtores, ou os pequenos vendiam ou os grandes ocupavam suas capacidades. Com isso ficou evidente que a disputa pelos itens menores do segunto lote será muito maior que em qualquer outro item. Apesar das usinas maiores tererm a vantagem da escala de produção na hora de firmar seu preço, as pequenas tendem a ter uma gana maior de vender e podem acabar oferencendo seu biodiesel sem lucro algum, fazendo que os itens de menor volume tenha o preço mais baixo de todos.

Essa forma de leilão é muito mais imprevisível que a presencial. A chance de erro em uma previsão como a apresentada logo abaixo é muito grande. Mesmo assim acredito que seja um quadro próximo do que irá acontecer nos dois primeiros dias de março, se as usinas respeitarem o princípio do preço mínimo. 

É preciso estar atento
O leilão eletrônico tem alguns problemas. Alguns deles já foram levantados e até corrigidos pela ANP, desde o lançamento do edital. Um deles era a possibilidade de uma usina, que já havia vendido todo seu biodiesel, ficar dando lances em itens com o único objetivo de abaixar o preço dos concorrentes. Anteriormente a pena era a desqualificação da usina naquele item. Agora se alguém fizer isso será desclassificado de todo o certame e ficará de fora do próximo leilão também. Uma pena bem dura que deve conter qualquer má-intenção.

Contudo há um outro problema que pode trazer benefício para uma usina sem que haja qualquer penalização. Supondo que durante o leilão o preço médio de fechamento dos itens esteja sendo de R$ 1,90 por litro e que durante a fase de fechamento de um item uma empresa faça a oferta de R$1,99 para na sequência ser ultrapassada por uma oferta a R$ 1,75. Logo após esse lance o item é encerrado tendo a empresa que ofertou a R$ 1,75 como vitoriosa. Mas depois disso a oferta se mostra inexequivel (conforme o item 8.8.3) e a oferta vencedora passa a ser a de R$ 1,99. Se não houvesse o lance menor, o item seria encerrado por menos de R$ 1,99. Pode ser sorte do ofertante, mas com a possibilidade de ganho de 10 centavos por litro em um lote de 20 milhões de litros, a ANP não deveria deixar essa possibilidade aberta. Tendo em vista o histórico dos leilões eletrônicos, arisco dizer que essa situação ocorerrá no leilão 17 pelo menos uma vez.

habilitadas
* valores do gráfico acima estão em milhões de litros

Itens
* valores do gráfico acima estão em metro cúbico
Resultado
* valores do gráfico acima estão em milhões de litros

 Miguel Angelo Vedana é diretor executivo da BiodieselBR
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