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Miguel Angelo

Analisando as possibilidades para o 18º Leilão de Biodiesel


Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com - 25 mai 2010 - 12:16 - Última atualização em: 07 mar 2012 - 18:48

Essa semana começa o 18º leilão de biodiesel da ANP. Cercado de muito menos polêmica que o anterior, este será o pregão mais concorrido dos últimos anos. O volume de biodiesel que pode ser ofertado ultrapassa pela primeira vez a barreira de um bilhões de litros. Com essa concorrência era de se esperar que o deságio também atinja nível recorde, mas isso não deve ocorrer.

As mudanças
Desde o último leilão o cenário de oferta de biodiesel teve uma considerável mudança, provavelmente a maior alteração no cenário desde a chegada da Petrobras aos leilões. Três novas usinas de grande porte farão parte da concorrência: Bsbios/Petrobras (PR), Caramuru (Ipameri-GO) e Olfar (RS). Essas três somadas tem capacidade anual de 568,8 milhões de litros e trimestral de 142,02 milhões de litros. Dessas, apenas a Caramuru ainda não conseguiu o selo. Apesar de ter até quinta-feira para obtenção do benefício concedido pelo MDA, não é provável que aconteça.

Além da nova fábrica da Caramuru, teremos mais usinas concorrendo exclusivamente no segundo lote do leilão (disponível também para as usinas sem selo). São as unidades que perderam o selo depois da realização do último leilão: Ecodiesel da Bahia e Maranhão e CLV do Mato Grosso. A Agrenco também perdeu o selo da unidade de Alto Araguaia (MT), mas não participará do leilão.

Com a entrada dessas novas usinas e o aumento de oferta, principalmente no lote sem o selo, o deságio nesse leilão tem tudo para ser maior que no anterior, mas não muito maior.

Os números
Analisando os números dos leilões anteriores é possível extrair algumas constantes, como sempre coloco nessas análises pré-leilão. As principais são de que a ADM e a Petrobras irão vender 80% de sua capacidade. A segunda é que existe um patamar mínimo de vendas que cada usina alcança. Esse patamar é calculado dividindo a demanda de biodiesel proporcionalmente pela capacidade de produção das usinas. Esse número já ficou acima de 60% e no último leilão esteve em 54% e dessa vez está próximo à 47%. Lembrando que nesse número considero que a ADM e a Petrobras venderão 80% de sua capacidade.

Esse cálculo mostra que cada usina poderia vender 47% de sua capacidade sem ter que reduzir nenhum centavo em relação ao preço máximo. No entanto esse cenário ideal não ocorre e algumas usinas vendem mais que isso, outras vendem menos, mas o percentual de vendas gira em torno desses 47%. Antes dos leilões eletrônicos a ocupação de cada usina era mais homogênea. Agora com o volume de cada item previamente definido pela ANP os números apresentam uma variação ligeiramente maior.

De qualquer modo 47% de ocupação de uma fábrica é baixo em qualquer lugar do mundo e dificilmente uma empresa aceitaria vender tão pouco. A não ser é claro que a rentabilidade desses 47% fosse muito alta. E é exatamente o que ocorre nesse leilão. Há um ano, em maio de 2009, a ANP estipulou o preço do biodiesel em R$ 2,36 por litro e praticamente não houve nenhuma reclamação quanto ao preço estipulado. Ou seja, estava bom para as usinas. Neste leilão o preço ficou em R$ 2,32, quatro centavos a menos que no leilão correspondente do ano anterior. Contudo o preço da principal matéria-prima da produção de biodiesel, o óleo de soja, caiu 15%. Isso significa que o custo de produção do biodiesel está 15% menor, mas o preço máximo da ANP caiu apenas 1,69%. Se a ANP tivesse reduzido o preço máximo na mesma proporção que o óleo de soja caiu, o preço máximo seria de R$ 2,01 por litro de biodiesel.

Sem entrar no mérito da escolha desse preço, é fácil perceber que as usinas poderão ter um lucro até 15% maior do que poderiam há um ano atrás. E é essa a escolha das usinas. Tentar vender mais biodiesel abdicando um lucro excepcional, ou deixar a usina funcionando com menos de 50% de sua capacidade, mas com uma lucratividade alta.

O segundo lote
O segundo lote do último leilão eletrônico, destinado as unidades com e sem selo, foi o mais controverso. Por uma falta de análise cuidadosa a ANP acabou deixando poucos lotes para as usinas muito pequenas, o que fez com que o deságio ultrapassasse os 13% em alguns casos.

Esse erro foi percebido pela agência e alterado nesse leilão. No anterior foram distribuídos 23 milhões de litros de biodiesel em itens de 2 milhões de litros ou menos. No próximo pregão esse número saltará para 65 milhões. Com essa mudança as usinas pequenas disputarão um volume muito maior de biodiesel, maior até que a capacidade delas somadas. As usinas sem selo que só podem participar de itens menores que 5 milhões de litros quando somadas suas capacidades, podem ofertar no máximo 24,4 milhões de litros. Com esses números não há dúvidas de que o 18º leilão de biodiesel será melhor que o 17º para as pequenas usinas.

Como nem tudo é positivo há um novo problema para as pequenas usinas. A unidade da Caramuru de Ipameri (GO) estreará nos leilões de biodiesel podendo vender apenas no lote sem selo. Além dela, estão obrigadas a vender exclusivamente nesse lote duas usinas da Ecodiesel e a CLV. Além dessas, também deve participar desse lote a Grupal. Antes da chegada dessas usinas a única de grande porte era a Cooperbio (MT). Essas seis unidades somadas podem vender até 137,16 milhões de litros de biodiesel.

Se hipoteticamente as usinas com selo não pudessem participar do segundo lote (onde o selo não é exigido), a situação das pequenas e das grandes sem o selo seria muito boa. As usinas com capacidade de oferta inferior a cinco milhões de litros poderiam vender todo o volume permitido (80% da capacidade trimestral) e as demais poderiam vender 55% de sua capacidade autorizada. No lote um, com a Petrobras e a ADM vendendo 80%, esse valor vai para 44%.

Olhando para esses números é possível dizer que o lote dois trará um resultado melhor para as pequenas usinas e pior para as grandes, quando comparado ao 17º leilão. O preço dos lotes com maior volume terá um deságio um pouco mais elevado porque, não só a concorrência entre as usinas sem selo está maior, como também existem mais usinas do lote 1 que vão querer uma fatia do lote 2.

Miguel Angelo Vedana é diretor executivo da BiodieselBR

Leilão 18 - lote1

Leilão 18 - lote 2

Empresas que podem participar do 18º leilão

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