Entre os desafios para o Programa Brasileiro de Biodiesel, a produção de matéria prima é certamente um dos maiores, pois depende de inúmeros fatores que não podem ser controlados pelo governo ou pela vontade dos envolvidos no projeto. Mesmo no Brasil que tem imenso potencial agrícola, os entraves ao crescimento são consideráveis.
O país possui uma única alternativa prontamente disponível que com pequenos ajustes será capaz de fornecer a matéria prima em grande quantidade: a soja. Faltando 18 meses para o início da fase de adição obrigatória de 2% de biodiesel, está ficando claro que a soja será a base inicial do programa de biodiesel.
No futuro, entretanto, a soja não será a única fonte de óleo vegetal para fabricação de biodiesel, pois a diversificação e o aproveitamento de outras oleaginosas do país é fundamental para o crescimento seguro e sustentabilidade do fornecimento de biodiesel. Mas como definir quais serão as opções à soja?
Primeiro é preciso ficar claro que ninguém escolheu a soja, mas essa foi uma opção natural, pois o país é um grande produtor dessa oleaginosa e já detém tecnologia de produção e processamento. No entanto, entre as alternativas não há nenhuma espécie na qual o país já seja destacadamente um grande produtor. As principais opções estabelecidas inicialmente foram o dendê e a mamona, mas como a produção dessas duas culturas não está crescendo para atender à demanda, diversas novas opções estão sendo consideradas.
A diversificação sempre é bem-vinda, mas causa preocupação quando na ânsia de aproveitar a oportunidade, as opções apresentadas não são analisadas com o devido cuidado. O pinhão manso está sendo apresentado como uma das alternativas promissoras, mas devido ao excesso de entusiasmo sobre essa cultura a planta está sendo apresentada com grandes vantagens ao mesmo tempo em que se ignoram as suas limitações. Difunde-se, por exemplo, que a produtividade da cultura atinge 8 toneladas por hectare, que pode produzir em qualquer tipo de solo, inclusive solos ácidos e pobres e que o manejo é muito simples.
O alerta é que não se tem certeza se a produtividade é assim tão alta, pois não há uma lavoura em plena produção no país para se fazer essa medição. Como qualquer outra cultura, o pinhão manso é atacado por pragas e doenças e produz melhor em solo corrigido, adubado e com disponibilidade de água. As primeiras experiências de plantio comercial estão evidenciando problemas como ataque de cigarrinha, ácaro, percevejo e fungos na folha e não se sabe como fazer o controle. Devido à maturação desuniforme, a colheita é contínua e o alto custo dessa operação precisa ser considerado. Atualmente, não há compradores para pinhão manso no Brasil e talvez as usinas de biodiesel não se interessem em processar pequenas quantidades, pois isso aumentaria muito seus custos de produção. Estes são apenas alguns dos riscos que precisam ser considerados.
Não há dúvidas de que o pinhão manso tem grande potencial para produção de óleo, mas tentar iniciar a produção sem dispor de tecnologia apropriada seria correr um risco desnecessário, inclusive de no futuro haver rejeição em relação a essa cultura. A Embrapa e diversas universidades e institutos de pesquisa do país já estão trabalhando no desenvolvimento de tecnologia para produção de pinhão manso e dentro de alguns anos será possível fazer recomendações técnicas mais seguras e se ter maior conhecimento sobre o comportamento dessa planta em diferentes regiões do país. Portanto, seria mais prudente esperar o momento em que se possa dar um passo mais seguro.
Liv Soares Severino, é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Ceará, mestre em fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa, pesquisador em sistemas de produção na Embrapa.
O país possui uma única alternativa prontamente disponível que com pequenos ajustes será capaz de fornecer a matéria prima em grande quantidade: a soja. Faltando 18 meses para o início da fase de adição obrigatória de 2% de biodiesel, está ficando claro que a soja será a base inicial do programa de biodiesel.
No futuro, entretanto, a soja não será a única fonte de óleo vegetal para fabricação de biodiesel, pois a diversificação e o aproveitamento de outras oleaginosas do país é fundamental para o crescimento seguro e sustentabilidade do fornecimento de biodiesel. Mas como definir quais serão as opções à soja?
Primeiro é preciso ficar claro que ninguém escolheu a soja, mas essa foi uma opção natural, pois o país é um grande produtor dessa oleaginosa e já detém tecnologia de produção e processamento. No entanto, entre as alternativas não há nenhuma espécie na qual o país já seja destacadamente um grande produtor. As principais opções estabelecidas inicialmente foram o dendê e a mamona, mas como a produção dessas duas culturas não está crescendo para atender à demanda, diversas novas opções estão sendo consideradas.
A diversificação sempre é bem-vinda, mas causa preocupação quando na ânsia de aproveitar a oportunidade, as opções apresentadas não são analisadas com o devido cuidado. O pinhão manso está sendo apresentado como uma das alternativas promissoras, mas devido ao excesso de entusiasmo sobre essa cultura a planta está sendo apresentada com grandes vantagens ao mesmo tempo em que se ignoram as suas limitações. Difunde-se, por exemplo, que a produtividade da cultura atinge 8 toneladas por hectare, que pode produzir em qualquer tipo de solo, inclusive solos ácidos e pobres e que o manejo é muito simples.
O alerta é que não se tem certeza se a produtividade é assim tão alta, pois não há uma lavoura em plena produção no país para se fazer essa medição. Como qualquer outra cultura, o pinhão manso é atacado por pragas e doenças e produz melhor em solo corrigido, adubado e com disponibilidade de água. As primeiras experiências de plantio comercial estão evidenciando problemas como ataque de cigarrinha, ácaro, percevejo e fungos na folha e não se sabe como fazer o controle. Devido à maturação desuniforme, a colheita é contínua e o alto custo dessa operação precisa ser considerado. Atualmente, não há compradores para pinhão manso no Brasil e talvez as usinas de biodiesel não se interessem em processar pequenas quantidades, pois isso aumentaria muito seus custos de produção. Estes são apenas alguns dos riscos que precisam ser considerados.
Não há dúvidas de que o pinhão manso tem grande potencial para produção de óleo, mas tentar iniciar a produção sem dispor de tecnologia apropriada seria correr um risco desnecessário, inclusive de no futuro haver rejeição em relação a essa cultura. A Embrapa e diversas universidades e institutos de pesquisa do país já estão trabalhando no desenvolvimento de tecnologia para produção de pinhão manso e dentro de alguns anos será possível fazer recomendações técnicas mais seguras e se ter maior conhecimento sobre o comportamento dessa planta em diferentes regiões do país. Portanto, seria mais prudente esperar o momento em que se possa dar um passo mais seguro.
Liv Soares Severino, é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Ceará, mestre em fitotecnia pela Universidade Federal de Viçosa, pesquisador em sistemas de produção na Embrapa.
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