Erasmo Carlos Battistella

Qualidade do diesel no Brasil


Erasmo Carlos Battistella - 27 ago 2010 - 06:45 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:14

A qualidade do biodiesel e do diesel que chegam às bombas nos postos de gasolina é requisito fundamental para o sucesso do Programa de Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Nos últimos meses estamos percebendo que toda a cadeia de combustível, seja ela de produção ou de distribuição juntamente com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Governo, está preocupada em desenvolver um trabalho de estudo para identificar pontos importantes para a manutenção da qualidade do diesel nacional e/ou inclusive melhoria dessa qualidade. O que se avaliou do Programa é que desde sua instituição houve um crescimento vertiginoso, mas muito bem alicerçado, porém acredito que a área de armazenagem e distribuição foi a que menos desenvolveu em estudos de trabalho. Com o aumento da mistura percentual se faz necessário o desenvolvimento de pesquisas, e principalmente, a elaboração de normas para garantir a qualidade do combustível.

Sob ponto de vista, de produtor e participante da União Brasileira do Biodiesel (UBRABIO), é fundamental que se mantenha a qualidade tanto no biodiesel quanto no diesel. A indústria produtora de biodiesel no Brasil é altamente fiscalizada tanto pela ANP quanto pela Petrobras, que atualmente é a compradora de biodiesel. O procedimento padrão adotado nas usinas é rigoroso, sempre que um caminhão tanque é carregado há um preposto de uma empresa de auditoria contratada pela Petrobras analisando o carregamento e vistoriando as coletas de amostras, que ficam acondicionadas por um período mínimo de 60 dias, por exigência da ANP. Dessa forma, os produtores de biodiesel e Associação estão demonstrando que o biodiesel comercializado tem qualidade aprovada e auditada, por essa fiscalização sob responsabilidade da Petrobras.

Nos últimos dias percebemos alguns comentários sobre a possível diminuição na qualidade do diesel brasileiro em função da adição de biodiesel. E, com os procedimentos atuais que estão sendo realizados até a saída da porta usina nós, os produtores de biodiesel, podemos garantir que esse biocombustível está saindo qualificado. Porém, a cadeia de transporte e distribuição também precisa manter essa qualidade até a chegada nos postos de combustíveis e no consumidor final.

E, reside nestas áreas de transporte, armazenagem e distribuição os grupos de trabalho liderados pela ANP, com participação de várias empresas, representantes da UBRABIO, e de diversos profissionais da área de qualidade de combustível, juntamente com outras entidades representando distribuidoras, postos de combustíveis e grandes consumidores. Os grupos estão trabalhando para melhorar o conjunto de boas-práticas que vai garantir que todo o biodiesel que sai atualmente das empresas certificado e atendendo a norma atual da Agência possa ser adicionado ao diesel com a qualidade mantida até o consumidor final.

Na minha opinião, defendo a criação de um “Selo de Qualidade do Biodiesel” para aquelas empresas que mantenham um padrão de excelência. Convém criarmos, juntamente com esse grupo de trabalho, normas necessárias para que esse Selo continue dando a tranquilidade para as distribuidoras e os consumidores. Porém, não vai resolver o problema se nós não fizermos um trabalho em toda a nossa cadeia de distribuição e consumo. Dessa forma, estamos acompanhando o trabalho da Agência e avaliando o que esse pacote de novas resoluções possa vir a contribuir para manter a qualidade do combustível no Brasil e, assim possa dar sustentação para novos percentuais de mistura que certamente devem ocorrer nos próximos meses.

Por Erasmo Carlos Battistella
Diretor Superintendente da BSBIOS
Vice-presidente de Relações Associativas e Institucionais da UBRABIO