convidado

Usina piloto de biodiesel da UFBA


Ednildo Andrade Torres - 21 mai 2008 - 09:01 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:06

Experiência da UFBA na produção de biocombustíveis

Introdução
Trago para o nosso leitor uma experiência interessante da operação de uma usina piloto de biodiesel, portanto, com vários exemplos de dificuldades e facilidades operacionais. Neste primeiro artigo, abrimos com a visão geral da unidade semi-industrial que opera atualmente com óleo de fritura recolhido de diversos estabelecimentos comerciais e residências da cidade de Salvador.

Anteriormente, na década de 1980 foi desenvolvido no CEPED, processo de obtenção de biocombustíveis por rota catalítica, e vários testes em motores foram realizados na Escola Politécnica/UFBA, inicialmente, com óleos vegetais in natura e posteriormente com o próprio biocombustível.

No ano de 2002, atendendo ao Edital da FAPESB, a Universidade Federal da Bahia/Escola Politécnica e a Universidade Estadual de Santa Cruz tiveram um projeto aprovado e com ele foi criada a Rede de Biodiesel da Bahia, posteriormente a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação SECTI, que ampliou e lançou a Rede Baiana de Biocombustíveis em 20 de abril de 2004 no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Atualmente, através de grupos de pesquisa localizados no Instituto de Química e na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), vem atuando na cadeia produtiva do biodiesel. Apresenta em seu conjunto experiências a preparação de biodiesel através reações de transesterificação em escala de bancada e de planta piloto, na análise de espécies químicas orgânicas e inorgânicas nas fases líquida, gasosa e aerossol, em síntese orgânica, no estudo de reações químicas em fase gasosa e na caracterização de emissões veiculares.

Dessa forma, contribui no scale up das novas rotas desenvolvidas para a preparação de biodiesel, nos testes dos combustíveis e misturas em motores estacionários e veiculares, na avaliação dos desgastes de motores e componentes, no estudo de reações fotoquímicas envolvendo gases de emissões veiculares, nas análises e especificações de matérias-primas, combustíveis e misturas e co-produtos.

A Planta Piloto de Biodiesel
A Planta Piloto foi financiada pela Agencia Nacional de Energia Elétrica, com o apoio da Nordeste Generation, SECTI/FAPESB/FINEP. Foi aprovado o projeto que visava dimensionar, projetar, operar uma planta otimizada, em escala piloto, para produção de biodiesel a partir de gorduras residuais (OGR) e/ou óleos vegetais in natura, particularmente, óleo de dendê, mamona, soja algodão, girassol etc., com capacidade de 5.000.000 litro por ano, podendo ser ampliada.
 
Vista lateral

Também foi montado um Laboratório de Emissões Veiculares, com o apoio da FINEP/FAPESB/FINEP, que dará o suporte necessário para os testes com os motores. Para: avaliar o desempenho do biodiesel puro e em misturas de diferentes proporções em motores ciclo diesel em bancada dinamométrica, determinar as curvas de potência versus consumo de combustível, de torque, de consumo específico, bem como comparar os níveis de emissões atmosféricas para os poluentes regulamentados (CO, CO2, NOx e HC) e particulados com os do diesel convencional, testes emissões não regulamentadas -  aldeídos, polícíclicos aromáticos, combustíveis de referência (diesel); realizar testes de campo de longa duração em motores de frota cativa; monitorar o desempenho, o consumo, a manutenção, o desgaste das peças do motor; estudo financeiro e econômico da produção de biodiesel, ciclo de vida;  biodegradabilidade e biorremediação do biodiesel em ambientes aquáticos e em solo; estudar métodos de purificação do biodiesel em escala piloto a produção em planta contínua de éteres metílicos e etílicos de ácidos graxos, estudo da glicerina e da torta para geração de energia térmica ou elétrica, dentre outras atividades envolvendo a cadeia produtiva do biodiesel.

Considerações finais
Portanto, o Grupo de Biodiesel da UFBA, vem atuando de forma sinérgica em toda cadeia produtiva, de modo a potencializar os resultados e diminuir os custos envolvidos nas pesquisas e desenvolvimento de recursos humanos para o setor.

Atualmente, são 60 pessoas da UFBA envolvidas no projeto, atuando na cadeia produtiva do biodiesel, relacionando professores pesquisadores, técnicos, alunos de graduação, mestrado e doutorado.

Deve-se salientar a criação do Centro Interdisciplinar de Energia e Ambiente, envolvendo as competências do Instituto de Química, Instituto de Geociências, Instituto de Física e a Escola e o lançamento do curso de doutorado, potencializou a ações e os recursos financeiros e materiais para as questões associadas aos biocombustíveis.

Prof. Dr. Ednildo Andrade Torres
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