Negócio

Sauditas prometem corte maior no petróleo, mas a Opep descumpre meta


Bloomberg - 25 jul 2017 - 09:32

A Arábia Saudita prometeu profundos cortes das exportações de petróleo em agosto. O país destacou seu comprometimento de eliminar a superoferta global da commodity. Porém, ao mesmo tempo, Líbia e Nigéria receberam aval da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados para continuar elevando sua produção.

As exportações da Arábia Saudita, o maior país produtor da Opep, serão limitadas a 6,6 milhões de barris/dia em agosto, 1 milhão de b/d menos que no mesmo mês de 2016, disse ontem o ministro saudita da Energia e da Indústria, Khalid Al-Falih. O reino não estará sozinho em sua tentativa de equilibrar o mercado, e outros países devem cumprir com seus compromissos de reduzir a oferta, disse ele após se reunir com outros produtores em São Petersburgo, na Rússia.

Ao mesmo tempo, a Nigéria e a Líbia - ambas isentas do acordo de abastecimento - estão autorizadas a continuar ampliando a produção para os níveis desejados, disse Al-Falih.

"Continuamos apoiando nossos irmãos e parceiros" dos dois países africanos em sua recuperação, disse Al-Falih. "A comissão, no entanto, deve monitorar o impacto desse aumento da oferta sobre o equilíbrio oferta-demanda."

A perspectiva de um conjunto de países produtores reduzir a produção e as exportações, enquanto outro grupo as eleva reflete uma contradição no cerne do acordo histórico firmado no ano passado entre a Opep e aliados, como a Rússia. Enquanto países mais atrasados, como o Iraque, são ainda mais pressionados a cumprir os cortes prometidos, a Líbia e a Nigéria ficaram livres para aumentar em 440 mil b/d a produção de maio a junho, o que prolonga a superoferta de petróleo.

A Líbia está autorizada a seguir elevando a produção, e pretende expandi-la para nada menos que 1,25 milhões de b/d, disse Al-Falih. A Nigéria está disposta a aceitar um limite caso a produção aumente para 1,8 milhões de b/d, disse o ministro de Petróleo e Gás de Omã, Mohammed Al Rumhy. Alcançar esses níveis resultará um acréscimo de mais 500 mil b/d, de acordo com levantamento da Bloomberg.

O anúncio da Arábia Saudita ajudou a elevar os preços do petróleo nos mercados internacionais. Em Nova York, o tipo WTI subiu 1,3% e fechou a US$ 46,34 por barril ontem. O Brent, referência global, avançou 1,1%, para US$ 48,60 por barril na ICE Futures Europe.

No curto prazo, faz sentido focar mais na limitação das exportações, disse Amrita Sem, analista-chefe do mercado de petróleo da consultoria Energy Aspects.

"Onde a Opep errou até agora é que eles cortaram a produção, mas não cortaram as exportações na mesma proporção", disse Sem. Isso significou que os países produtores estavam reduzindo seus próprios estoques, mas impondo um impacto menor sobre os estoques de seus clientes. "Do ponto de vista do mercado, a única coisa que interessa são as exportações."

O ministro saudita também pressionou pela melhoria da implementação dos cortes de produção pelos países já participantes do acordo. O cumprimento caiu para 92% em junho em relação aos 110% de maio, de acordo com pessoas a par dos dados da Opep. O Iraque realizou apenas 28% dos cortes prometidos.

"Alguns países continuam atrasados" no cumprimento, "o que é uma preocupação que teremos de enfrentar com determinação", disse Al-Falih. "As exportações se tornaram agora a principal métrica para os mercados financeiros, e temos de encontrar uma maneira de compatibilizar dados de exportação confiáveis com dados de produção no nosso monitoramento."

A Comissão Técnica Conjunta, que monitora o cumprimento das reduções, vai agora estudar também dados das exportações, disse Al-Falih.
Tags: Opep Petróleo