Negócio

Preços do petróleo mundial disparam após ataque a instalações sauditas


Reuters - 16 set 2019 - 09:17

Os preços do petróleo subiram para a cotação mais alta em seis meses, saltando 19% depois que ataques com drones que atingiram duas instalações de petróleo da Arábia Saudita, cortando 5% do suprimento global de petróleo. O barril do petróleo Brent disparou 19%, atingindo o maior nível desde maio, a US$ 71,95, enquanto outra classe de referência, a West Texas Intermediate, subiu 15%, para US$ 63,34.

A gigante do petróleo Aramco afirmou que o ataque na Arábia Saudita cortou 5,7 milhões de barris da produção diária, e uma fonte informou à Reuters que o retorno à capacidade produtiva total levaria semanas.

Os preços diminuíram um pouco depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aprovou a liberação da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos EUA, se necessário. Com isso, a alta do barril Brent ficou em 11,7% (US$ 67,28) e a de West Texas, 10,5% (US$ 60,60).

“As notícias de sábado sobre vários ataques de drones às instalações de processamento de petróleo da Arábia Saudita em Abqaiq devem reverberar nos mercados globais esta semana”, disse Ray Attrill, chefe de estratégia cambial do National Australia Bank.

Sinalizando um começo fraco para os mercados acionários asiáticos na segunda-feira, os contratos E-Minis para o índice S&P 500 caíram 0,4%, enquanto os do Dow tiveram queda de 0,3%. A liquidez na Ásia deve ficar reduzida nesta segunda-feira, com as Bolsas do Japão fechadas devido a feriado, o que pode agravar a volatilidade do mercado.

Além de grandes interrupções no fornecimento, os ataques também aumentaram as preocupações dos investidores com a situação geopolítica na região e o agravamento das relações entre o Irã e os Estados Unidos. Essas preocupações elevaram os ativos de refúgio – com preços de ouro subindo 1% no comércio asiático para US$ 1.503,09.

O grupo iemenita Houthi assumiu a responsabilidade pelo ataque, que atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo, mas uma autoridade sênior dos EUA disse a repórteres no domingo que as evidências indicam que o Irã está por trás da agressão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que os Estados Unidos estavam "armados e preparados" para uma possível resposta ao ataque às instalações de petróleo sauditas.

As notícias elevaram o iene japonês em 0,2%, para 107,8 por dólar, enquanto o dólar canadense subiu 0,5% em antecipação aos preços mais altos do petróleo.

“Uma pergunta imediata que isso coloca para os mercados de títulos é se um aumento adicional nas expectativas de inflação dos rendimentos (que historicamente se mostram sensíveis aos preços do petróleo) dará um novo impulso à venda acentuada neste mês”, acrescentou Attrill.

No início dos pregões nas Bolsas asiáticas, os contratos futuros de títulos do Tesouro de 10 anos dos EUA subiram 0,2%, indicando que os rendimentos podem cair quando a negociação em dinheiro começar.

Os títulos globais foram vendidos na semana passada com rendimentos mais altos, liderados por uma recuperação mais ampla do risco, na esperança de que os Estados Unidos e a China terminem em breve sua longa guerra comercial. Dados de vendas de varejo nos EUA melhores que o esperado, também aumentaram o sentimento.

Os dados chineses para produção industrial, vendas no varejo e investimento em ativos fixos serão divulgados nesta segunda-feira, o que pode ajudar a definir o tom para os mercados esta semana.

Os investidores também aguardam o resultado da reunião de política monetária do Federal Reserve (o banco central dos EUA) na quarta-feira. A expectativa é que o Fed diminua mais as taxas de juros e sinalize seu futuro caminho político.

Reflexos no Brasil

O ataque na Arábia Saudita vai afetar em cheio os principais países produtores. No caso do Brasil, o aumento no preço da commodity vai tornar mais atraentes os leilões do pré-sal, aumentar a arrecadação dos royalties e também encarecer o preço da gasolina e do diesel.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) planeja ofertar ao mercado diversas áreas do pré-sal em dois leilões. Segundo Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a cobiça pelos campos na Bacia de Santos vai aumentar por parte das empresas:

“O pré-sal está longe do Oriente Médio, tornando o investimento mais seguro para as empresas. Os leilões ainda serão beneficiados pelo aumento do preço do petróleo”.

O custo do barril, que pode chegar a US$ 80 ainda nesta semana, segundo analistas, vai beneficiar o Rio por conta do aumento dos royalties. Isso deve aumentar a pressão sobre as discussões para alterar a lei de distribuição de royalties no país, o que pode por em risco o volume de recursos para o Rio. A ação deve ser julgada em novembro pelo Supremo Tribunal Federal.

Para Pires, o aumento do petróleo pode elevar o preço da gasolina e do diesel no Brasil.