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Negócio

Petrobras eleva gasolina em 7%, mas não mexe no diesel


Valor Econômico - 09 jul 2024 - 10:13

A Petrobras anunciou ontem (8) alta de R$ 0,20 por litro, ou 7%, nos preços da gasolina para as distribuidoras a partir de hoje, o primeiro ajuste do combustível da gestão de Magda Chambriard e de 2024. A estatal também aumentou os preços do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha, em R$ 3,10. Apesar do reajuste, a gasolina mantém a defasagem em relação à paridade internacional, segundo especialistas ouvidos pelo Valor.

O anúncio eleva a apreensão sobre o diesel, que não sofre mudança desde 26 de dezembro e segue defasado na comparação com o exterior. Os aumentos na gasolina e GLP representam pressão sobre a inflação.

A Petrobras calcula que o preço da gasolina C na bomba ficará R$ 0,15 mais caro, considerando a mistura obrigatória de 73% da gasolina A e 27% de etanol anidro. A última vez que a estatal ajustou a gasolina foi corte de R$ 0,12 em outubro. Segundo a empresa, desde a implementação da estratégia comercial, em maio do ano passado, a gasolina acumula redução de R$ 0,17 por litro. O último aumento da gasolina havia sido em agosto.

A defasagem do preço da gasolina ficou em R$ 0,34 por litro, ou 11,6%, depois do reajuste de ontem, estima a StoneX. Quanto ao diesel, o preço está defasado em R$ 0,29 em relação ao internacional, ou 8,4%. Segundo o analista da consultoria, Thiago Vetter, a dependência do mercado nacional sobre o diesel eleva a importância de ajustar o preço desse combustível, para garantir o abastecimento: “É importante continuar acompanhando as movimentações de preços e posicionamento da empresa no futuro.”

Para a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a gasolina segue defasada em R$ 0,34 por litro, ou 10%, após o reajuste. O diesel tem defasagem de R$ 0,54 por litro, ou 13%. “Petrobras ficou todo esse tempo com preços congelados, e agora anunciou reajuste que não é suficiente para eliminar a defasagem da gasolina”, disse Sergio Araújo, presidente da Abicom. “Acho que a Petrobras deveria também fazer o reajuste do diesel, o preço está baixo. O volume de diesel comercializado é maior que a gasolina. A gasolina tem impacto maior na inflação do que o diesel.”

Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), concorda que a Petrobras deveria reajustar o diesel, mas com a estratégia de preços adotada pela empresa em 2023 não é possível prever: “É difícil dizer quando a Petrobras vai reajustar. O mercado esperava que a empresa iria reajustar a gasolina [em algum momento], mas ninguém sabe explicar a razão dos 7%, porque ainda há defasagem.” Rodrigues diz que, ainda que não tenha solucionado a defasagem, a alta significa mais receita para a empresa. “Os investidores talvez estejam otimistas com o anúncio, porque o patamar do barril está crescendo, então acredita-se que terá mais dividendo no bolso. O mercado entendeu que o presidente Lula quer a Petrobras com intervenção maior, mas quando os investidores veem a Magda fazendo esse movimento [de reajuste], o otimismo aumenta.”

Uma fonte diz que a apreensão sobre o diesel se dá porque a companhia costuma fazer os reajustes ao mesmo tempo. O fato de o anúncio de ontem ter sido sobre a gasolina e o GLP indica que ainda deve demorar para haver um reajuste sobre o diesel. “Ao mexer na gasolina e não no diesel há sinalização de que o preço continuará defasado por mais tempo. A movimentação sem um critério claro e divulgado deixa o mercado de combustíveis apreensivo. O momento é desfavorável para os importadores de combustíveis.”

O Goldman Sachs disse que o anúncio da Petrobras pode reduzir as preocupações dos investidores sobre possível intervenção na política de preços dos combustíveis. Após o reajuste, o banco vê os preços locais da gasolina e do diesel em aproximadamente 14% e 18% abaixo dos preços de referência de importação, respectivamente.

Para o Citi, os aumentos devem impulsionar a geração de caixa do segmento de refino da Petrobras, mas pondera que o reajuste não é suficiente para zerar a defasagem. “Na indústria de distribuição de combustíveis, o efeito da ação do preço da Petrobras deverá ser positivo a curto prazo, uma vez que o preço mais elevado da gasolina aumentará as margens do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda), mas o aumento de preços poderá impactar a geração e o retorno de fluxo de caixa, pois os preços mais elevados terão implicações no consumo de capital de giro, a partir de estoques mais elevados”, afirmou o banco.

Com o reajuste, a expectativa de analistas para a inflação medida pelo IPCA varia de alta de 0,18 ponto percentual, de acordo com a Warren até 0,20 p.p. estimados pela ASA Asset e pela Fundação Getulio Vargas (FGV). “Considerando a desvalorização do real frente ao dólar e a defasagem do preço internacional, o reajuste joga a expectativa de inflação pelo menos 0,20 pp para cima, considerando o GLP”, diz o economista do FGV Ibre, André Braz. Ele projeta um IPCA de 2024 em 4,2%.

Kariny Leal e Victoria Netto – BiodieselBR.com