Negócio

INTL FCStone vê risco ao abastecimento de diesel no último trimestre


INTL FCSTone - 18 set 2018 - 13:58

O sistema de tabelamento de preços ao consumidor final e de subvenção aos fornecedores criado depois da greve dos caminhoneiros tem apresentado problemas em remunerar a importação de diesel e podem dificultar o atendimento da demanda. A avaliação é da consultoria internacional especializada no mercado de commodities, INTL FCSTone.

Segundo a consultoria os valores de referência adotados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) são insuficientes para cobrir os custos com transporte e tancagem. Além disso, a demora no pagamento dos valores devidos tem deixado muitas empresas sem liquidez para realizar novas operações e inseguras sobre a política de subvenção. “A importação privada está paralisada e a Petrobras é praticamente o único agente a trazer produto para o Brasil”, explica o Head de Petróleo, Gás e Derivados da INTL FCStone, Thadeu Silva.

Os últimos meses do ano costumam apresentar o pico da demanda por diesel no Brasil e 2018 não será diferente. A maior procura pelo combustível fóssil nesse período está relacionada ao setor agrícola brasileiro, que permanece se expandindo ao longo dos últimos anos. Em meio à evolução na safra de grãos, espera-se que o consumo anual de diesel no Brasil apresente evolução de 0,32% em relação ao volume total demandado em 2017 e alcance 50,1 bilhões de litros ao final desse ano.

“Caso não haja mudança na política de precificação de diesel por parte da ANP e o início do pagamento da subvenção teremos desabastecimento de diesel nos últimos meses do ano ou a Petrobrás terá que arcar sozinha com o prejuízo de suprir a totalidade do mercado brasileiro com arbitragem negativa”, avalia Silva, da INTL FCStone.

Analisando as condições domésticas de oferta do óleo diesel, que se agravaram após a explosão na Refinaria de Paulínia-SP (Replan) durante agosto e reduziu sua capacidade em cerca de 50%, o grupo projeta que o Brasil precisará importar cerca de 5,5 bilhões de litros – equivalente a 130 navios com capacidade de 42 milhões de litros – durante os próximos 4 meses para equilibrar o balanço de oferta e demanda doméstico em 2018.

A necessidade de importar 1,37 milhão m³ pelos próximos 4 meses representaria um aumento de 22,6% em relação a média das importações de diesel nos 5 primeiros meses do ano, em contexto desfavorável, após a greve dos caminhoneiros e a mudança da política de precificação do diesel no Brasil terem diminuído significativamente as importações do combustível.

“Comparando com o volume importado no mesmo período de 2017, as aquisições de diesel no mercado internacional precisarão expandir 12,2%, realçando que no passado, 24,2% do diesel ofertado no mercado doméstico teve origem fora do Brasil, o maior share já registrado para o produto”, resume o executivo.