Negócio

Goldman Sachs vê pouco fôlego para alta do petróleo


Valor Econômico - 27 set 2018 - 08:42

Até o fim do ano, os preços do petróleo provavelmente vão se estabilizar na faixa de US$ 70 a US$ 80 por barril, disse o banco Goldman Sachs em relatório. Ao contrário da maioria do mercado, o Goldman vê pouco fôlego para a commodity se manter acima de US$ 80. O banco lembra que já estimava US$ 82,50 para o Brent devido às menores exportações iranianas. A redução foi mais rápida do que se esperava, fazendo a cotação disparar para os níveis atuais. No entanto, o banco não enxerga, ainda, possibilidade de o efeito líquido desse corte ficar acima das projeções.

A expectativa formal do banco é de diminuição em 1,4 milhão de barris por dia do volume exportado pelo Irã, sendo que desde abril o declínio foi de 650 mil barris diários. O Goldman sustenta a tese, por outro lado, de que muitos compradores desistiram de importar o petróleo iraniano por enquanto, com medo das sanções, mas que o cenário mais à frente ainda é incerto.

"Mas a reaproximação da China e da Venezuela, envolvendo a Coreia do Norte, à medida que a guerra comercial com os Estados Unidos avança, sugere que a China possa elevar suas importações do Irã nos próximos meses", ressaltam os analistas do banco.

Em segundo lugar, a instituição espera que o governo americano use parte de suas reservas estratégicas de barris para tentar derrubar o preço antes das eleições em novembro. O total utilizado poderia bater 500 mil barris por dia em dois meses, acrescenta o relatório.

Por isso, o Goldman entende que, para os preços ficarem acima de US$ 80, outro choque de oferta seria necessário. Esse risco, de fato, existe, admite, e poderia vir da Líbia, Nigéria ou Venezuela. Tal fator só não está totalmente considerado no cenário principal do banco.

O Commerzbank comentou que a "culpa" da disparada de preços do petróleo nos últimos dias é de Donald Trump, presidente dos EUA. "Intencionalmente ou não, ele voltou a atenção do mercado de volta para as sanções contra o Irã", disse Carsten Fritsch, em relatório. "Se não quiser colocar sua independência em xeque, a Opep dificilmente atenderá aos apelos para elevar a produção."

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