Negócio

Falta de reajustes no diesel limita negócios de importadores


Argus - 11 abr 2019 - 08:36

Após quase 20 dias sem reajuste no preço do diesel comercializado pela Petrobras, participantes do mercado, sobretudo importadoras, apontam falta de transparência na política de preços da estatal e pausam as atividades de compra de produto estrangeiro para evitar transações de risco.

As expectativas em relação às importações de óleo diesel não são animadoras e, de acordo com fontes ouvidas pela Argus, grandes distribuidoras já desconsideram aquisições via porto de Itaqui, em função da arbitragem fechada.

"Logo que anunciaram a mudança, havia uma esperança de que a arbitragem poderia ficar fechada por um período de 15 dias. Havia perspectiva de alguma previsibilidade, mas até agora não houve reajuste e o cenário ficou bem complicado", disse uma representante de uma trading multinacional, em entrevista à Argus.

No dia 26 de março, a Petrobras informou que os preços do diesel das refinarias da companhia serão ajustados em períodos não inferiores a 15 dias, e que continuará utilizando mecanismos de proteção (hedge) por meio de derivativos.

Na ocasião, a empresa afirmou que continuaria seguindo a paridade internacional, descartando práticas de monopólio.

A cotação do diesel não é ajustada desde 22 de março, quando foi informado um aumento de quase 1,5% para R$2.143,2 por m³. O benchmark do combustível negociado para exportação no Golfo Americano – o ULSD (ultra low sulphur diesel, na terminologia em inglês) 62, desconsiderando a meta volumétrica de renováveis (RVO, na sigla em inglês) – subiu cerca de 3,8% para 191,03 centavos de dólar por galão norte-americano (¢/USG) entre os dias 22 de março e 9 de abril.

"O valor da gasolina tem sido revisado e reflete o mercado internacional. O mesmo não acontece com o diesel. O recado que passa é que a gasolina afeta o consumidor final, então não tem problema. Já o diesel causa impacto nos caminhoneiros e isso gera medo", disse a executiva.

Embora a Petrobras não tenha se comprometido a alterar o preço do combustível a cada 15 dias, parte dos concorrentes esperava que houvesse um reajuste, o que reafirmaria um posicionamento de não-monopólio.

"Quem importa diesel hoje, faz para [justificar] pagamento de tancagem, rodar volume, porque a janela de arbitragem é inexistente. Quem não tem necessidade, observa as oportunidades de mercado e concentra mais atenção em produto nacionalizado", disse um trader de uma distribuidora. De acordo com a fonte, a defasagem entre os valores praticados pela Petrobras e o mercado internacional é entre R$60 R$80 por m³, níveis que espera para o próximo reajuste.

A política de preços da Petrobras, segundo participantes ouvidos pela Argus, de maneira geral, pode acabar trazendo receios a investidores, em um momento em que a estatal quer se desfazer dos ativos que não são o foco da empresa, como anunciado pelo presidente Roberto Castello Branco.

"Não é um mercado muito transparente para uma empresa que quer fazer desinvestimentos. Gera insegurança, sim", disse a representante da trading multinacional.