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Negócio

Cenário incerto deve manter diesel inalterado, indica Petrobras


Valor Econômico - 01 ago 2022 - 09:46

Apesar da recente redução nos preços da gasolina, o cenário para o diesel permanece desafiador, indicaram executivos da Petrobras. Especialistas têm alertado para o risco de falta de diesel no segundo semestre, o que poderia prejudicar o escoamento da safra agrícola no Brasil. Isso ocorre porque o abastecimento global desse combustível está apertado em relação à demanda, com as dificuldades para o suprimento causadas pela guerra na Ucrânia e a retomada do consumo após as fases mais agudas da pandemia. Com isso, os preços do diesel tiveram aumentos superiores aos do barril de petróleo este ano.

O diretor de comercialização e logística da Petrobras, Cláudio Mastella, disse que a estatal observou redução estrutural dos preços da gasolina no cenário internacional, mas que, para o diesel, a tendência é de alta. “Daqui até o fim do ano, a tendência é de fortalecimento do diesel, ao contrário da gasolina”, disse Mastella em entrevista coletiva na sexta-feira.

Depois de um aumento em junho, a Petrobras fez dois cortes nos preços da gasolina no mês de julho. Desde sexta-feira, a gasolina é vendida nas refinarias às distribuidoras ao preço médio de R$ 3,71 por litro. O diesel, no entanto, permanece ao preço médio de R$ 5,61 o litro desde 17 de junho.

A companhia, inclusive, ampliou o fator de utilização das refinarias para garantir o fornecimento de diesel. Na quinta-feira, o índice que mede o nível do refino em operação em relação à capacidade total chegou a 99%. “Vamos continuar buscando níveis elevados de utilização do refino, respeitando a lógica econômica”, disse Mastella.

Segundo o diretor de refino e gás natural da estatal, Rodrigo Lima e Silva, o nível de utilização das refinarias da estatal deve ficar em média em 86% no segundo semestre, dado que algumas unidades vão passar por paradas programadas para manutenção.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) chegou a consultar a Petrobras a respeito da possibilidade de adiar paradas em refinarias, para afastar o risco de escassez de diesel. Lima e Silva disse que a companhia optou por adiar a interrupção da Refinaria Henrique Lage (Revap), que estava prevista para novembro e passou para 2023.

Além disso, a Petrobras também antecipou compras de diesel no mercado internacional para garantir o abastecimento no segundo semestre. Nos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro tem falado sobre a possibilidade de o Brasil comprar diesel da Rússia, que está vendendo cargas com desconto depois que o país foi sancionado pela invasão à Ucrânia. Questionado sobre o tema, Mastella disse que a Petrobras “avalia todas as oportunidades para compra de diesel que surgem no mercado”.

O diretor ressalvou, entretanto, que a companhia tem sido suprida pelos fornecedores tradicionais, principalmente Estados Unidos e Ásia, o que tem sido suficiente para atender a demanda. “Mas isso não nos impede de olhar alternativas na medida em que surgem e que sejam interessantes”, afirmou.

Indicado por Jair Bolsonaro à presidência da Petrobras, Caio Paes de Andrade não participou, na sexta-feira, da primeira teleconferência com analistas e entrevista coletiva de resultados desde que assumiu o cargo, em junho.

Na ocasião, os diretores executivos da companhia reforçaram o compromisso com a paridade de preços de mercado. Na semana passada, a Petrobras divulgou uma diretriz para a política de preços de combustíveis, que prevê uma camada adicional de supervisão pelo conselho de administração sobre o tema.

O diretor de governança e conformidade da Petrobras, Salvador Dahan, disse que a diretriz aprimora a governança e que não há “alteração operacional” na frequência e nos valores dos preços a serem fixados pela diretoria executiva da companhia. Segundo Dahan, a competência pela execução da política de preços permanece com a diretoria e não haverá poder de veto pelo conselho.

Na mesma linha, Mastella disse que a busca pela paridade de preços é contínua e que a empresa evita repassar volatilidades.

Os diretores também reforçaram o compromisso da companhia com a venda de ativos. O diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Rodrigo Araújo Alves, disse que a estatal tem “boas perspectivas” e há “vários interessados” nos três processos de venda de refinarias que foram relançados. Segundo Alves, houve uma valorização dos ativos de refino no mundo, com o aumento do preço do petróleo no mercado.

Na semana passada, a Petrobras divulgou lucro de R$ 54,33 bilhões no segundo trimestre de 2022, no mesmo dia em que anunciou a distribuição de R$ 87,8 bilhões em dividendos. Alves disse que isso não compromete a manutenção dos pagamentos nos próximos trimestres.

Gabriela Ruddy e Fábio Couto – Valor Econômico