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Negócio

Câmbio e petróleo pressionam Petrobras para subir combustíveis


Valor Econômico - 08 jul 2024 - 11:23

Apesar do recuo recente do dólar e de um alívio nas cotações do petróleo tipo Brent na sexta-feira (5), os preços dos combustíveis da Petrobras no mercado doméstico continuam descolados da paridade de importação, de acordo com analistas ouvidos pelo Valor. A estatal não mexe nos preços da gasolina e do diesel desde o fim de 2023.

Nos cálculos da StoneX, a gasolina da Petrobras está 19,8%, ou R$ 0,56 por litro, abaixo do preço de paridade de importação (PPI), e o diesel, 10,5%, ou R$ 0,37 por litro. “Considerando estritamente os números de defasagem, é bastante razoável esperar um movimento de alta de preços por parte da empresa”, diz o analista da consultoria, Thiago Vetter.

“Neste início de julho os preços do complexo de energia estão em alta. Os contratos de diesel e gasolina na Nymex [bolsa de commodities de Nova York] têm aumentos de 7,1% e 5,5% respectivamente. Isso, somado a um câmbio que tem sofrido altas contínuas nos meses de junho e julho, impacta de forma muito substancial os preços de paridade de importação dos combustíveis”, disse Vetter.

Na sexta-feira (5), o dólar no mercado à vista fechou em queda de 0,46%, cotado a R$ 5,46. Depois de muita volatilidade, a moeda americana acumulou queda de 2,27% na semana passada. Desde o começo de junho até o dia 5, o câmbio acumula, porém, alta de 4,87%. Já o Brent caiu 1,01% na sexta-feira, a US$ 86,54. Mas desde o início de junho tem alta acumulada de 5,67%. O câmbio e o barril de petróleo são os fatores que mais influenciam a formação dos preços dos combustíveis.

Para a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem da Petrobras ainda pode aumentar em caso de permanência da alta do petróleo. “Os preços da Petrobras estão congelados em 2024, sem reajuste, apesar da elevada volatilidade dos preços e do câmbio”, disse Sergio Araújo, presidente da Abicom. Nos cálculos da associação, a gasolina da Petrobras está 18% abaixo do PPI, ou R$ 0,61 por litro, e o diesel, 15%, ou R$ 0,62.

Em 1º de julho, a Petrobras divulgou aumento de 3,2% no querosene de aviação (QAV), ou R$ 0,12 por litro. Para Araújo, esse seria um indicativo de que a gasolina e o diesel também precisam de aumentos. A estatal costuma anunciar mudanças no QAV no primeiro dia de cada mês. Para o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a gasolina da Petrobras tem defasagem de 26,05%, ou R$ 0,995 por litro, em relação à referência internacional. Nos cálculos do CBIE, o diesel tem defasagem de 11,90%, ou R$ 0,475 por litro. Nos cálculos do Itaú BBA, a gasolina da Petrobras está 18% abaixo do PPI, e o diesel, 17%.

A Petrobras informou que desde maio de 2023 passou a adotar uma estratégia comercial que incorpora as melhores condições de produção e logística para a definição dos preços de venda de gasolina e diesel às distribuidoras: “Isso nos permite praticar preços competitivos frente a outras alternativas de suprimento e mitigar a volatilidade do mercado internacional, proporcionando períodos de estabilidade de preços para os nossos clientes. Fazemos isso em equilíbrio com os mercados nacional e internacional, e operando os nossos ativos de maneira segura, otimizada e rentável. Essa prática é especialmente importante em momentos de alta volatilidade, como o que vivemos agora. Dessa forma, a empresa segue observando os fundamentos de mercado e, por questões concorrenciais, não pode antecipar suas decisões”, afirmou a companhia.

Kariny Leal – Valor Econômico