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HVO custa mais de R$ 9 por litro

Litro do HVO varia entre R$ 8,81 e R$ 9,25, respectivamente, no mercado Europeu e nos EUA.

BiodieselBR.com 6 min de leitura

Embora já tenha sido aprovado para uso no mercado brasileiro há cerca de dois meses e meio não é lá muito provável que vejamos o consumo de diesel verde engrenando no mercado nacional no curto prazo. Removida a barreira regulatória, esse novo biocombustível ainda tem um longo caminho pela frente para conseguir reduzir a distância que separa seus preços daqueles cobrados pelo diesel fóssil ou pelo – igualmente renovável – biodiesel.

Com base nos valores de fechamento do produto para esta última semana estimados pela consultoria especializada nos mercados de energia e commodities S&P Global Platts, a tonelada do diesel verde sairia por US$ 2.024,16 no Noroeste da Europa e US$ 2.122,58 na Costa Oeste dos Estados Unidos.

Isso dá aproximadamente US$ 1,71 a US$ 1,79 – respectivamente – por cada litro do produto o que, convertido em reais, ficaria numa faixa entre R$ 8,81 e R$ 9,25. Algo em torno de três vezes os R$ 2,81 que a Petrobras está cobrando pelo litro de óleo diesel em suas refinarias e aproximadamente 65% a mais do que os R$ 5,51 que o biodiesel puro está custando atualmente – valor médio do L80 – para as distribuidoras.

E os preços também vem aumentando de forma bastante acentuada. Do começo do ano até agora, a Platts aponta para um aumento de 31,6% na Europa e de mais de 57% nos Estados Unidos. Em comparação, a Petrobras reajustou os preços do diesel em cerca de 38,4% desde o começo do ano, enquanto os valores médios praticados nos quatro leilões de biodiesel responsáveis por abastecerem o mercado nacional subiram 23,8%.

Embora já tenha sido aprovado para uso no mercado brasileiro há cerca de dois meses e meio não é lá muito provável que vejamos o consumo de diesel verde engrenando no mercado nacional no curto prazo. Removida a barreira regulatória, esse novo biocombustível ainda tem um longo caminho pela frente para conseguir reduzir a distância que separa seus preços daqueles cobrados pelo diesel fóssil ou pelo – igualmente renovável – biodiesel.

Com base nos valores de fechamento do produto para esta última semana estimados pela consultoria especializada nos mercados de energia e commodities S&P Global Platts, a tonelada do diesel verde sairia por US$ 2.024,16 no Noroeste da Europa e US$ 2.122,58 na Costa Oeste dos Estados Unidos.

Isso dá aproximadamente US$ 1,71 a US$ 1,79 – respectivamente – por cada litro do produto o que, convertido em reais, ficaria numa faixa entre R$ 8,81 e R$ 9,25. Algo em torno de três vezes os R$ 2,81 que a Petrobras está cobrando pelo litro de óleo diesel em suas refinarias e aproximadamente 65% a mais do que os R$ 5,51 que o biodiesel puro está custando atualmente – valor médio do L80 – para as distribuidoras.

E os preços também vem aumentando de forma bastante acentuada. Do começo do ano até agora, a Platts aponta para um aumento de 31,6% na Europa e de mais de 57% nos Estados Unidos. Em comparação, a Petrobras reajustou os preços do diesel em cerca de 38,4% desde o começo do ano, enquanto os valores médios praticados nos quatro leilões de biodiesel responsáveis por abastecerem o mercado nacional subiram 23,8%.

Novidade

Tudo ainda é bastante novo neste mercado. A Platts só começou a acompanhar os preços do óleo vegetal hidrotratado (HVO) – o tipo mais comum de diesel verde – um ano atrás. Desde julho do ano passado, a empresa publica uma estimativa de quanto o biocombustível custaria para um comprador comercial de grande porte na porta de uma biorrefinaria teórica localizada no noroeste da Europa. Em setembro do ano passado, foi a vez do mercado a costa oeste dos Estados Unidos passar a contar com um indicador.

Segundo o editor de biocombustíveis e açúcar para as Américas da consultoria, Josh Pedrick, o mercado de diesel verde ainda não movimenta “volumes suficientes para dar suporte para uma avaliação de preços”. Isso obrigou a Platts a desenvolver um modelo matemático que refletem os custos de produção do biocombustível pela rota do hidroprocesssamento calculados a partir dos preços de mercado das matérias-primas. “[Consideramos] óleo de cozinha usado na Europa e gordura bovina nos Estados Unidos”, explica.

Outra grande referência para o mercado internacional de energia, a Argus Media implementou o acompanhamento do mercado europeu de diesel verde em setembro passado por meio de sua plataforma de negociações online. Embora não tenha aberto seu histórico de preços para BiodieselBR.com, um gráfico encaminhado à reportagem mostra que na região que inclui os portos de Amsterdã, Roterdã e Antuérpia (ARA), a tonelada do HVO tem sido negociada entre US$ 2.000,00 e US$ 2.500,00.

Na mesma região da Europa, a tonelada do biodiesel com ponto de entupimento filtro a frio de 0°C está sendo negociado por aproximadamente US$ 1.500,00.

Mais caro

Embora o diesel verde ainda esteja em seus primeiros passos, ao que tudo indica há barreiras estruturais para que consiga reduzir essa diferença. “O hidroprocesssamento [usado para fazer o diesel verde] é um processo mais caro do que a transesterificação usina na produção do biodiesel”, explica Josh.

Embora ambos partam das mesmas matérias-primas – basicamente óleos e gorduras –, o diesel verde fica em desvantagem quando outros insumos entram na conta.

O maior gargalo é o hidrogênio que é o segundo insumo mais importante na produção do HVO. Na edição mais recente da Conferência BiodieselBR, o consultor técnico da Ubrabio e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Donato Aranda, estimou que o hidrogênio chega a custar 10 vezes mais do que o metanol usado pelas usinas de biodiesel.

As biorrefinarias de diesel verde também precisam de condições de temperatura e pressão bem superiores às encontradas tipicamente numa usina de biodiesel. Isso também resulta em custos maiores.

Além dessas diferenças, o editor de biocombustíveis da Argus, John Houghton-Brown, ressalta que há uma série de fatores que afetam balanço entre os preços do diesel verde e do biodiesel na Europa. Entre eles, está o teto ao uso de biocombustíveis de 1ª geração imposto pela versão mais recente Diretiva de Energias Renováveis (RED II) aprovada pela União Europeia. O diesel verde não sofre com essa limitação. “Dada a produção mais cara e a essas vantagens, o HVO recebe um prêmio [em seu preço] em relação ao do biodiesel convencional”, afirma.

Esse balanço tente a se deslocar – ao menos um pouco – no médio prazo confirme a indústria amadureça. “Tem havido grandes investimentos em capacidade produtiva de HVO recentemente tanto globalmente quanto na Europa. Conforme mais capacidade entrar em atividade o mercado se tornará mais competitivo”, encerra o editor da Argus.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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