

Um estudo inédito feito por pesquisadores australianos avaliou a viabilidade econômica dos biocombustíveis para o segmento de aviação.

Um estudo inédito sobre a viabilidade financeira dos biocombustíveis para o segmento de aviação acaba de ser concluído por pesquisadores das Universidades de Queensland e James Cook, ambas na Austrália. O trabalho contou com o patrocínio da Boeing e da Virgin Airlines e os resultados foram publicados na edição mais recente do periódico científico Biofuels, Bioproducts and Biorefining.
Pesquisadores do Instituto Australiano de Bioengenharia e Natotecnologia – organização de pesquisa sediada na Universidade de Queensland – desenvolveram um modelo técnico e econômico para determinar os custos envolvidos dos processos de conversão de três das matérias-primas que vem se demonstrando mais promissoras: a cana-de-açúcar, a pongamia (uma árvore cujos frutos têm grande potencial para a produção de óleos vegetais) e as microalgas.
Eles então compararam os resultados com o custo de produção do querosene de aviação convencional. Isso permitiu aos pesquisadores determinares o quanto o valor do barril de petróleo teria que subir para que o biquerosene obtido a partir de cada uma das três matérias-primas selecionadas se tornasse economicamente competitivo.
Os resultados não parecem muito favorável para o lado dos biocombustíveis. Os números seriam: US$ 301 para a cana-de-açúcar; US$ 374 para a pongamia e incríveis US$ 1.343 para as microalgas. Considerando que o barril de petróleo do tipo Brent estava custando em torno de US$ 102,50 nessa quarta-feira (22), ainda falta muito até que essas tecnologias atinjam maturidade comercial.
O estudo apontou que ainda será preciso muito desenvolvimento e inovação para que os combustíveis renováveis consigam reduzir a distância em relação ao produto de petróleo. Contudo, ele também ressaltou que a solução de uns poucos desafios técnicos melhorariam de forma dramática a competitividade do bioquerosene:
- no caso da cana-de-açúcar, melhorias na fermentação da cana-de-açúcar tornaria baixariam o diferencial do petróleo para US$ 168;
- variedades comerciais de pongamia com teor de óleo mais elevado fariam a viabilidade chegar em US$ 255;
- novas tecnologias de colheita das microalgas nivelariam o mercado em US$ 385;
Uma segunda contribuição positiva seria o desenvolvimento de novos produtos no mercado tortas e farelos para a alimentação animal. As três matérias-primas geram coprodutos de alvo conteúdo proteico que poderiam ser destinados à esse mercado – o que ajudaria a melhorar sua viabilidade.
Segundo o gerente geral da Divisão de Pesquisa e Tecnologia da Boeing na Austrália, Michael Edwards, já está provado que é possível usar biocombustíveis para fazer aeronaves voarem com segurança e agora é preciso dar próximo passo no sentido de estabelecer uma indústria economicamente viável. “Essa pesquisa é uma parte importante do compromisso global da Boeing de apoiar a pesquisa sobre biocombustíveis sustentáveis para aviação”, disse.
Os resultados da pesquisa serão compartilhados e discutidos através de uma página Wiki que pode ser acessado clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodiselBR.com