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Bioquerosene

Investimentos em bioquerosene são apresentados em simpósio


Assessoria de Imprensa Embrapa - 19 set 2012 - 10:00 - Última atualização em: 26 set 2012 - 15:09
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Em sua exposição no Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação, evento promovido pela Embrapa Agroenergia na semana passada, o presidente da Curcas Brasil, Mike Lu, informou que está previsto para 2013 o início da instalação de uma unidade produtora de bioquerosene em Guaratinguetá/SP, junto à unidade industrial da Basf. A iniciativa é da Plataforma Brasileira de Bioquerosene, lançada pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) durante a Rio+20.

Para o suprimento de matéria-prima, a Plataforma conta com o polo de pinhão-manso do Espírito Santo e deve introduzir a cultura no Oeste e no Norte do Paraná. “A ideia é que a Plataforma Brasileira de Bioquerosene seja aberta e altamente colaborativa”, explicou.

Mike mostrou a preocupação do grupo com o elo agrícola da cadeia produtiva. “Sem agricultura de alta tecnologia, não se obtêm biocombustíveis”, enfatizou. A inserção da agricultura familiar também está entre os objetivos. Pinhão-manso, camelina, gordura animal e babaçu são as matérias-primas que a Plataforma vai apoiar imediatamente. Num segundo momento, a cana-de-açúcar, a macaúba e as algas devem entrar nesse rol.

Bioprocessos
Além dessa iniciativa, duas grandes empresas que começam a atuar no Brasil estão utilizando bioprocessos para produzir biocombustíveis de aviação. A Solazyme utiliza microalgas para converter açúcares em óleos que posteriormente são utilizados para a produção de biocombustíveis, entre eles o de aviação. “Nossas microalgas trabalham sem luz natural e consomem açúcar por meio de processos fermentativos para produzir triglicerídeos para várias aplicações”, explicou Thomas Jad Finck, diretor de Desenvolvimento de Negócios, Combustíveis e Química da Solazyme. A primeira planta industrial da empresa no Brasil deve entrar em operação no final de 2013, para produzir químicos e biocombustíveis, numa joint venture com a Bunge, no interior de São Paulo.

A Amyris, por sua vez, está utilizando ferramentas de biologia sintética para alterar a rota metabólica de leveduras, de modo que elas sejam capazes de transformar açúcares em óleos. “Você começa a pensar na levedura como se ele fosse a sua refinaria”, comparou o diretor de desenvolvimento de combustíveis da empresa, Adilson Liebsch, em sua palestra no Simpósio. A tecnologia da empresa foi utilizada para produzir o biocombustível com que a Azul Linhas Aéreas voou de Campinas/SP ao Rio de Janeiro, durante a Rio+20.

De acordo com Liebsch, a intenção da Amyris é alcançar o uso comercial do seu bioquerosene na Copa de 2014, abastecendo primeiramente o Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas/SP). A empresa está se instalando junto a usinas de cana-de-açúcar no interior paulista para aproveitar o potencial da cultura. “A eficiência da cana em conversão de açúcar em energia ainda é imbatível”, ressaltou.

Futuro
Na opinião do pesquisador da Embrapa Soja, Décio Gazzoni, os biocombustíveis aéreos serão o “grande filão” da agroenergia no futuro. Ele acredita que, ao contrário dos aviões, os veículos terrestres substituirão mais rapidamente os combustíveis líquidos por alternativas como a energia elétrica e a fotovoltaica. “Eu vejo aviões sendo movidos até o final do século com biocombustíveis líquidos”, disse.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, explicou que o Brasil tem sido foco das companhias interessadas no bioquerosene pelo seu potencial único de produção de biomassa. “Pelas ações da Embrapa, das Universidades e outras instituições de pesquisa temos hoje toda a tecnologia agrícola necessária para desenvolver sistemas de produção para qualquer cultura que sirva de matéria-prima para biocombustíveis e qualquer outro produto dentro da lógica de biorrefinarias”, acrescentou. 

O Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação contou com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), além do patrocínio das empresas Boeing, Intecnial e Pensalab.