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[Conferência 2011] Sindicom: "Consolidação não é tabu"


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:43 - Última atualização em: 06 mar 2012 - 11:49

“Novas misturas de biodiesel: segurança e eficiência” foi o tema da palestra de Alísio Vaz, presidente-executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). Ele destacou que, apesar do sucesso inegável do PNPB, há dificuldades com a qualidade do produto que colocam em risco os resultados obtidos até agora. “Temos uma galinha dos ovos de ouro no programa do biodiesel e ninguém vai querer matá-la”, alertou.

Complementando a discussão sobre consolidação de mercado do painel anterior, Vaz apontou que esse não é um monstro fictício nem distante, mas uma força natural do mercado. Ele deu um testemunho de primeira mão ao lembrar que o Sindicom já teve sete distribuidoras de combustíveis associadas, mas que o processo recente de consolidações do mercado reduziu esse número para três – no total, o sindicato conta com 12 empresas. “Consolidação não é tabu, só não podemos esquecer o consumidor nesse processo”, raciocina.

De acordo com sua apresentação, o mercado de combustíveis líquidos brasileiro tem vivido um crescimento espantoso nos últimos anos – de 2006 até 2010 o crescimento foi de 34%, ou 7,6% ao ano – e, hoje, movimenta 107,4 bilhões de litros anualmente, dos quais o óleo diesel representa 45%.

Entre os grandes problemas do biodiesel está seu preço elevado. Vaz destacou que no mais recente releilão o litro do biodiesel saiu por R$ 1,10 a mais do que o litro de óleo diesel mineral (R$ 2,46 contra R$ 1,36). “O impacto atual da mistura de biodiesel é de seis centavos por litro, isto é, 3% do preço final ao consumidor”, calcula. Ele destacou que o diesel é tão central para a economia brasileira como um todo que mexer no seu preço tem impactos na competitividade do Brasil, o que significa que é preciso cuidado na hora de fazer qualquer aumento de mistura.

Segundo o palestrante, fazer o biodiesel chegar a todos os rincões do país tem sido um desafio e tanto para o setor de logística, que precisa lidar com uma média de 6 mil viagens por mês. Cada uma dessas viagens dura em média cinco dias e percorre 1.300 km.

Enxofre
O presidente do Sindicom ressaltou que a introdução do diesel de baixo teor de enxofre (BTE) vai criar desafios ainda maiores para o setor de distribuição. “O crescimento do mercado nos últimos anos nos levou a uma situação em que não temos mais tancagem ociosa nas bases. Não foi apenas o volume que cresceu, mas também a variedade de produto”, alertou. Ele informou ainda que o setor tem vivido uma fase de investimentos, mas a instalação de um novo tanque é um processo que pode se prolongar por até três anos.

Embora concorde que o biodiesel precisa de um novo marco regulatório, o Sindicom acredita que esse não seja o momento mais oportuno para novos aumentos na mistura. “Existe uma preocupação porque o BTE é mais sensível à degradação microbiológica do que o diesel atual, então você teria um produto de alta qualidade e custo. A introdução de um novo combustível na matriz energética não pode ser feita sem o devido planejamento”, finalizou.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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