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Pinhão-manso mais perto da colheita mecanizada


BiodieselBR.com - 30 ago 2011 - 07:13 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:17

Os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) transformaram o pinhão-manso, árvore de amêndoas que normalmente atinge 3,5 metros de altura, em uma planta com tamanho comparado ao de um pé de soja. A façanha paulista promete facilitar o uso de máquinas na colheita do pinhão, que tem alta concentração de óleo para produção de biodiesel.

Nesse estudo, o IAC ganhou pontos na corrida para viabilizar o cultivo em escala investigando parentes selvagens do pinhão-manso. Os pesquisadores introduziram na árvore de amêndoas características de uma variedade anã. O pinhão-manso anão é como um bonsai. Os primeiros exemplares, plantados em vasos, começam a florescer e dão frutos com pouco mais de meio metro de altura.

A importância da pesquisa é medida pelo rendimento de óleo da cultura. Enquanto a soja – principal matéria prima da indústria de biodiesel no Brasil, base de 80% da produção – oferece cerca de 600 quilos de óleo por hectare, o pinhão-manso rende 2,5 mil quilos na mesma área, compara o pesquisador Carlos Colombo, do IAC. Menos de 10% do biodiesel brasileiro é produzido com alternativas vegetais, incluindo mamona e algodão. Os demais 12% saem do sebo bovino.

O pesquisador Walter Siqueira explica que ainda há um longo caminho pela frente antes da produção de pinhão-manso anão em escala. A experiência que mudou o tamanho da planta, no entanto, é considerada “uma demonstração do quanto é possível avançar”. Ainda é preciso investigar, por exemplo, qual o rendimento das novas árvores, seu ciclo de produção, a concentração de óleo nas sementes, a concentração de substâncias tóxicas.

Nas pesquisas realizadas nos últimos anos, o rendimento de óleo variou de 1,3 mil a 3,2 mil quilos por hectare, abaixo apenas dos resultados do dendê e da macaúba. A qualidade do biodiesel de pinhão-manso é considerada excelente pelos técnicos. A busca por novas fontes está relacionada ao consumo cada vez maior. O Brasil adota atualmente a proporção de 5% de biodiesel no diesel, o que exige a produção de 2,5 bilhões de litros ao ano.

A agroenergia se tornou um dos focos do Instituto Agronômico de Campinas. O diretor-geral, Marco Antônio Zullo, acrescenta que 16 variedades de cana-de-açúcar plantadas atualmente têm assinatura do IAC. Os pesquisadores tentam melhorar o manejo e a produtividade da cana com pesquisas que abrangem lavouras em dez estados.

Com 123 anos de história, o IAC tem influência em diversos setores. “90% das variedades de café produzidas no Brasil têm origem em nossas pesquisas”, cita Zullo. A importância dos estudos paulistas é gigante no caso da laranja. O instituto colaborou para o desenvolvimento dos pomares de onde sai metade do suco da fruta consumido em todo o planeta. Explica-se: São Paulo é líder mundial na cultura – o estado colhe 280 milhões de caixas de laranja nesta safra, 80% da produção brasileira e mais do que o total dos Estados Unidos, segundo maior produtor.

Grão de areia num mar de 470 pesquisas

Com o estudo sobre pinhão-manso, os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) tentam tomar a dianteira na avaliação da cultura como fonte de energia. A instituição informa que procura se envolver nos desafios do setor agrícola para apresentar tecnologias que viabilizem a produção e abram caminho para a liderança brasileira em agroenergia e alimentos. A evolução dos sistemas produtivos tem exigido a diversificação e a ampliação do número de trabalhos. Atualmente, há 470 projetos em andamento, que envolvem 192 pesquisadores, 80% deles doutores.

O diretor-geral do IAC, Marco Antônio Zullo, conta que a instituição tem atuado em parceria com organizações públicas e privadas, que também mostram-se atarefadas pela pressão por redução de custo, aumento de produtividade e por novas soluções e alternativas de cultivo. “A missão desse país é agrícola. Quem dominar o processo de produção de alimentos vai ser o país mais importante do mundo”, afirma Guilherme Guimarães, gerente de Regulamentação Federal da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), que reúne indústrias de defensivos.

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O pesquisador do IAC Carlos Colombo mostra cacho de pinhão-manso tradicional

José Rocher - Gazeta do Povo