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[Conferência 2011] Petróleo virou regulador dos óleos vegetais


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:37 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

“A disponibilidade de óleo de soja para biodiesel” foi o tema tratado pelo economista da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A soja é, de longe, a matéria-prima mais utilizada pela indústria brasileira de biodiesel e, nas contas do palestrante, não é por falta de soja que o PNPB vai parar.

Dos 74,3 milhões de toneladas de soja que o Brasil vai produzir na safra atual, apenas 36,5 milhões serão processadas no país. O resto vai para fora na forma de grão, com mais 1,6 milhão de toneladas de óleo que serão exportadas. “Temos uma verdadeira sangria na forma de exportação de soja em grão, estamos mandando para fora uma matéria-prima que poderíamos processar internamente”. Referindo-se à Lei Kandir, Furlan disse que questões tributárias tornam a exportação da soja em grão mais atraente do que industrializá-la no país.

A demanda por oleaginosas continua aquecida, puxada pelo processo de urbanização e pelas mudanças de hábitos de consumo dos chineses, que comem cada vez mais carne, o que abre novos mercados com o uso de farelos na indústria de ração. “Embora seu perfil não seja muito diferente de outros, o farelo de soja contém aminoácidos que aumentam sua digestibilidade pelos animais. Por isso o farelo de soja é o mais importante no mercado internacional”, comenta.

Está aí um dos senões da soja para a indústria do biodiesel. Como o farelo é o produto mais importante, o complexo soja responde muito mais à demanda pelo farelo do que pelo óleo. Apesar de muito criticada por seu teor de óleo baixo, a escala de produção superior da soja a impôs como matéria-prima padrão do biodiesel brasileiro. E a produtividade da soja – que já é alta – continua crescendo, ao passo que as demais têm um longo caminho de evolução pela frente.

Nos últimos anos, a soja perdeu a liderança do mercado de óleo vegetal para a palma de óleo. Mas isso faz pouca diferença, pois o mercado comercial conta com 10 oleaginosas, 12 farelos e 17 óleos e gorduras que podem ser trocados uns pelos outros sem muito impacto no resultado final. “Você tem que olhar para o mercado como um todo e não para uma oleaginosa ou outra”, disse Furlan. Ele apresentou um gráfico com os preços médios dos óleos de canola, girassol, palma e soja ao longo da última década e evidenciando uma variação muito semelhante. “A diferença entre os preços desses óleos não é tão grande, o que varia é a liquidez deles, com o de soja sendo cotado em bolsa, dando mais transparência aos preços”.

Embora o mercado alimentar ainda leve a maior parte do óleo de soja, a demanda da indústria do biodiesel já é bastante significativa e está crescendo mais rápido, mexendo significativamente com o mercado. Cerca de 14% de todo o óleo produzido é transformado em biocombustível. “Os óleos vegetais passam a ter um comportamento diferente já que eles passam a ter um preço regulado pelo preço do diesel mineral, que varia com o petróleo”, avaliou.

Em qualquer cenário de futuro, a soja deve continuar sendo uma das principais fontes de biodiesel no Brasil. O aumento da produção de carnes continua estimulando o esmagamento da soja brasileira, o que, por sua vez, aumenta o excedente de óleo disponível para a indústria do biodiesel. “Teremos excedentes de óleo entre 1,7 e 2,2 milhões de toneladas, permitindo aumentar a mistura para 10%”, garantiu Furlan.

Só avançando sobre a soja que hoje é exportada sem valor agregado – e sem levar em conta as demais oleaginosas – , o Brasil poderia chegar facilmente ao B20. “O biodiesel pode ajudar a defender o processamento doméstico dessa matéria-prima”, concluiu Furlan.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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