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[Conferência 2011] Um olhar global sobre o biodiesel


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:05 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

Os participantes da Conferência BiodieselBR 2011 tiveram a oportunidade de conhecer um pouco melhor as previsões que a Evonik – uma das maiores companhias do ramo químico – faz para a evolução do mercado brasileiro de biodiesel pelos próximos 10 anos. A apresentação foi realizada pelo vice-presidente de marketing e vendas da empresa, André Noppe.

A indústria latino-americana de biodiesel está fortemente concentrada na Argentina, que deve produzir 2,3 milhões de toneladas esse ano, e no Brasil, cuja produção é estimada em 2,2 milhões de toneladas da substância. A Colômbia deverá fabricar 400 mil toneladas e o Peru, 100 mil toneladas.

Segundo Noppe, o mercado deverá continuar aquecido pelos próximos anos puxado pelos compromissos de substituição das fontes fósseis por energia renovável e deverá chegar a 20 milhões de toneladas dentro dos próximos 10 anos. A União Europeia, por exemplo, se comprometeu através de sua Diretriz de Energias Renováveis a adotar misturas mínimas de 10% de combustíveis renováveis no setor de transportes até 2020. Contudo, os governos europeus vêm endurecendo as regras de quais biocombustíveis poderão participar desse mercado ao exigir reduções mínimas na quantidade de gases de efeito estufa (GEEs) emitidas pelos biocombustíveis.

A partir de 2018, só poderão ser comercializados em território europeu biocombustíveis que reduzam em 60% as emissões quando comparadas aos combustíveis fósseis. Isso, de acordo com o vice-presidente, cria problemas para o biodiesel de soja feito no Brasil. “O biodiesel brasileiro não atende os requisitos de redução dos GEEs”, disse Noppe desanimado.

Mesmo assim, o mercado brasileiro deverá continuar aquecido, puxado pelo crescimento da demanda dos países latino-americanos que está crescendo mais rapidamente que outros mercados.

Segundo o palestrante, a Evonik não espera nenhuma revolução tecnológica no setor pelos próximos 10 anos. Os ésteres metílicos (a forma mais comum de biodiesel) deverão continuar a via tecnológica mais robusta e estável com alternativas ainda esbarrando em barreiras técnicas ou em custos de produção maiores.

A produção mundial de óleo vegetal deverá crescer de 129 milhões de toneladas no ano passado para 145 milhões de toneladas em 2015. Dendê e soja deverão ser as duas principais matérias-primas do setor, saindo dos atuais 46 e 40 milhões de toneladas registrados no ano passado e chegando a 53 e 45 milhões de toneladas respectivamente. Outros 20 milhões de toneladas de gordura animal e óleos de cozinha usados estarão disponíveis.

A Evonik vê avanços na indústria de biodiesel à medida que mais usinas trocam a soda pelo metilato de sódio como catalisador nas reações de transesterificação. A troca, segundo o palestrante, leva a ganhos de produtividade da ordem de 2% a 5% apenas pela redução das perdas de biodiesel para a reação de saponificação, que é inevitável quando se usa soda como reagente. “Temos as unidades de metilato na Alemanha e Estados Unidos. Também vamos ter uma fábrica entrando em funcionamento na Argentina a partir do ano que vem”, diz.

Mas além do mercado de insumos, a Evonik também está bastante animada com o potencial de crescimento do mercado de aditivos para o biodiesel. Noppe informou que há bom potencial de vendas de produtos que melhorem o desempenho do biodiesel em baixas temperaturas e prolonguem a estabilidade à oxidação do produto. “Com os aditivos, as propriedades do biodiesel melhoram e você chega às especificações a um preço baixo”, completou, apontando que as novas especificações que a ANP está para aprovar estipulam valores mais baixos para o parâmetro Ponto de Entupimento em alguns meses do ano, o que poderá estimular as vendas de aditivos no mercado nacional.

“Nós queremos que vocês produzam biodiesel de alta qualidade e de acordo com as normas ao mesmo tempo em que usam diferentes matérias-primas e baixam seus custos de produção”, finalizou.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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