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[23º leilão] Usinas opinam sobre as novas regras para vender biodiesel


BiodieselBR.com - 17 ago 2011 - 10:56 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:17

Quando o Ministério de Minas e Energia publicou a Portaria 469 em 03 de agosto passado, o mercado viu surgir um grande ponto de interrogação no horizonte: qual, afinal, seria impacto do FAL em seus negócios? Quando BiodieselBR conversou com representantes do setor para entender que leitura eles estavam fazendo das mudanças, as fontes foram unânimes em dizer que seria preciso esperar a publicação do edital do leilão 23 para que as coisas ficassem realmente claras.  

Em 11 de agosto, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) liberou o edital do 23º leilão de biodiesel e, com ele, a peça que faltava para que os usineiros pudessem começar a fazer as suas contas – a tabela com o custo do FAL. A partir de agora, as usinas precisarão ter o cuidado de adicionar esse valor nas ofertas que fizerem durante o leilão.

Embora ainda não esteja claro como foi que a ANP fez seus cálculos, muitas usinas já podem lamentar – ou celebrar – sua nova posição competitiva.

Saiba o que o mercado está achando:

"Em princípio, acho a iniciativa válida porque sua intenção é contemplar as diferenças regionais que, como sabemos, existem no Brasil. A BSBios terá um FAL para o Rio Grande do Sul e outro para o Paraná e os dois estão caros. Acho que se o leilão fosse CIF teríamos mais competitividade, mas eu não quero ficar criticando antes de colocarmos esse novo modelo para rodar. Tem um ponto muito positivo que foi o governo se mexer, há tempos que a indústria estava pedindo um movimento de melhoria. A gente ainda não sabe se esse é o melhor modelo, mas precisamos esperar o certame para ver como ele se comporta e, a partir daí, podermos discutir melhorias com o governo."
Erasmo Carlos Battistella, Diretor Presidente da BSBios que possui usinas em Passo Fundo (RS) e Marialva (PR)

"Eu achei o valor [do FAL] muito alto. Eu consigo levar o nosso produto aqui de Cuiabá para São Paulo por algo entre R$180 ou R$200 o metro cúbico enquanto o nosso FAL ficou em R$ 247. Com isso a perspectiva do leilão é de um resultado ruim. Ficamos em desvantagem em relação às usinas do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Goiás para concorrer pelo mercado do Sudeste."
Francisco Flores, gerente administrativo da Fiagril cuja usina está em Lucas do Rio Verde (MT)

"Eu concordo com a mudança. Acho importante para diferenciar as competitividades regionais, mas na minha opinião o FAL é só um começo, porque além do frete também deveríamos levar em conta as diferenças nos impostos e nos preços das matérias-primas. Acho que nossa competitividade vai ficar melhor, mas isso vai depender da forma como as empresas vão agir durante o leilão. Nós não temos um preço mínimo que nos proteja de ações predatórias, então, se as empresas continuarem agindo da forma como agiram no leilão passado, teremos uma disputa difícil de novo."
John Kaweske, diretor presidente da Bio Petro, usina que fica em Araraquara (SP) e não possui o selo social

"O FAL [Fator de Ajuste Logístico] está caro e acho que precisamos revê-lo. De todos os Estados, o que ficou menos competitivo foi o Mato Grosso. Acredito que a formação do FAL desconsiderou os custos para a aquisição dos insumos. Olharam muito para a vantagem de termos a produção de óleo perto da usina, sem levar em conta o custo maior que temos na hora de trazer os outros insumos, a mão de obra e até os incentivos fiscais."
Rodrigo Prosdócimo Guerra, sócio-proprietário da Bio Óleo, usina instalada em Cuibá (MT)

"Acho que a intenção é válida, mas, na prática, vai gerar uma série de problemas durante a disputa. Como o leilão eletrônico é muito tenso, afinal, com três meses de faturamento em jogo e qualquer errinho pode ser fatal, essas mudanças devem aumentar a confusão entre os produtores e levar a quedas nos preços. Do nosso ponto de vista, posso dizer que a Araguassú foi prejudicada pelo FAL. As empresas que mais investiram no sentido de desbravar e industrializar novas regiões do Brasil, como é o nosso caso aqui em Porto Alegre do Norte (MT), estão sendo penalizadas. Na minha visão isso é injusto."
Sergio Di Bonaventura, vice-presidente Araguassú, usina de Porto Alegre do Norte (MT)    
 
Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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