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[Conferência 2011] Desfazendo verdades absolutas


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:22 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

Com o provocativo tema “Uma visão estratégica para as empresas de biodiesel nos próximos anos”, o presidente da Bioverde, Ailton Domingues, apresentou o que pode ser descrita como uma visão que procurou olhar o setor pelo lado de fora e livre das verdades absolutas que estão enraizadas.

Com um amplo histórico no mercado financeiro, o empresário considera um problema a excessiva ênfase com que o setor se dedica ao pleito por novos aumentos de mistura. “Precisamos parar com a ideia de que esse é o único caminho para o crescimento do setor. Existe um espaço enorme em outros mercados, mas, como o setor está confortável, não avança neles”. Ele apontou que existem oportunidades a serem exploradas no segmento termoelétrico e industrial que as usinas não têm perseguido. “Você não vê o setor engajado em levar o biodiesel para o setor elétrico. Também tem uma série de indústrias que poderiam usar o biodiesel como produto químico. Quem está buscando esses espaços?”, inquietou-se, avaliando que essas são oportunidades que o setor tem deixado passar.

A mesma coisa acontece com a forma como os empresários do setor olham para seus coprodutos. “Nós cometemos uma verdadeira afronta quando olhamos para a glicerina e os ácidos graxos como refugos de uma atividade mais nobre”, disse, criticando a falta de empenho da indústria na busca por soluções tecnológicas inovadoras.

Na visão de Domingues, o mercado externo é outra frente sobre o qual o biodiesel brasileiro precisará avançar caso o país queria realmente ser um player importante. ”Exportação é algo importante no qual ainda não nos mexemos”, criticou.

Para ele, isso tem sido interpretado por investidores em potencial como fragilidades do setor, com os organismos de crédito vendo as empresas de biodiesel como acomodadas dentro de uma bolha de paternalismo estatal. “Eu vi uma peça do Banco do Brasil que recusou um empréstimo para uma empresa e a primeira razão que eles deram foi o setor de biodiesel”, contou, acrescentando que tem escutado opiniões parecidas de outros bancos.

Na opinião do palestrante, os investimentos em tecnologia e inovação são ainda mais vitais, porque todo o atual modelo de negócios da indústria vai ser superado por tecnologias nascentes que permitirão o aproveitamento até de resíduos líquidos do esgoto doméstico para a produção de biodiesel. “Esse nosso modelo tem data de validade”, ironizou. Ele preconizou que é preciso um entendimento mais estreito da indústria com a área de pesquisa e técnica e apontou para o potencial de crescimento da química verde. “Temos perdido tempo pensando que o biodiesel é só um combustível, quando ele também serve para a química verde”, alerta.

Encontrar soluções alternativas para que o biodiesel cumpra seu papel social também é uma sugestão do palestrante. “Por que eu tenho que fomentar matéria-prima para o biodiesel e não à produção de alimentos?”, questionou, ao defender a substituição do atual Selo Combustível Social por um fundo no qual as empresas poderiam fazer aportes em dinheiro que seriam então investidos por quem entende mais do assunto. “Somos almofadinhas da Faria Lima tentando fomentar a agricultura no Tocantins, tem pouca chance de uma coisa assim dar certo”, ironizou.

A certificação e a rastreabilidade das matérias-primas usadas na produção do biodiesel brasileiro são outras duas urgências, especialmente na medida em que o mercado europeu já emite sinais de que o biodiesel de soja não vai se enquadrar em suas diretrizes energéticas. “Vamos ter que correr com isso porque o mundo tem mais expectativas sobre nós do que nós mesmos”, completou.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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