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Camera fala sobre a compra de ativos da antiga Brasil Ecodiesel


BiodieselBR.com - 25 out 2011 - 06:57 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

Nesta segunda-feira o mercado foi surpreendido pela notícia de que a Camera estava arrematando por R$ 58 milhões a usina de biodiesel de Rosário do Sul (RS) e uma unidade de esmagamento em São Luiz Gonzaga (RS), pertencentes à Vanguarda Agro (ex-Brasil Ecodiesel).

O diretor de operações da companhia, Roberto Kist, contou à BiodieselBR que o martelo já havia sido batido na terça-feira passada (18), durante uma reunião na sede da Vanguarda Agro, em São Paulo, mas o contrato só foi oficializado na sexta-fera (21). O processo de negociação inteiro durou apenas duas semanas.

Segundo o executivo da Camera, a sugestão partiu da direção da própria Vanguarda. “Há cerca de dois anos, a gente já tinha ensaiado arrendar a planta de Rosário da Brasil Ecodiesel. Então, nós já conhecíamos bem a unidade e havíamos negociado bastante”, confidencia.  Para ele a compra da unidade produtiva vai permitir fortes sinergias com as operações de armazenamento e recepção de soja que a empresa já possui na região. “A gente já atua com originação de grãos dos agricultores nas cidades vizinhas de Rosário e temos uma planta de extração de óleo na cidade de Estrela. Então, teremos uma sinergia grande entre essas atividades gerando mais escala para toda a nossa operação. Entendemos que escala vai ser muito importante no mercado de biodiesel”, explica.

Para Kist a usina de Rosário poderia ser ampliada para 180 milhões de litros por ano sem grandes investimentos.

O gerente de Biodiesel da Camera, João Artur Manjabosco, ressalta que a nova aquisição vem reforçar a capilaridade das operações da empresa no Rio Grande do Sul, permitindo que ela esteja melhor posicionada para aproveitar oportunidades de negócios no sul do território gaúcho.

De acordo com os executivos, o plantio de soja vem avançando com força na região ao longo dos últimos anos. A usina de Rosário do Sul, portanto, passa a ser um ponto sobre o qual a Camera pode sustentar o seu avanço sobre a região. “A planta de Rosário já conta com espaço para a instalação de uma unidade de extração de óleo e, como a produção de soja na metade sul do Rio Grande do Sul tem crescido, este poderá ser um local muito interessante para fazer o processamento da soja”, revela Kist.

Com capacidade de extração para cerca de 1,8 milhão de toneladas de soja por ano, a empresa processa cerca de 16% da safra gaúcha de soja e é autossuficiente na produção de matéria-prima para suas operações no segmento de biodiesel. “Uma nova usina de biodiesel encaixa perfeitamente na nossa cadeia de produção porque eu mesmo consumo o óleo que produzo e, dessa forma, fico menos exposto à volatilidade das cotações”, comenta o gerente.

Embora a planta em questão tenha um bom histórico de produção e entregas sob o comando da Vanguarda, ela não vendeu uma única gota de biodiesel no 23º leilão e ficaria inoperante no último trimestre do ano. Isso parecia indicar que essa usina não estava particularmente bem posicionada para competir dentro das novas regras dos leilões de biodiesel da ANP. Inclusive o presidente da Vanguarda Bento Moreira Franco, em entrevista a Agência Estado, afirmou que “o ajuste logístico introduzido no último leilão acabou beneficiando as usinas localizadas no Norte e Nordeste, reduzindo ainda mais a competitividade da operação do Rio Grande do Sul".

Mas isso não desanimou a direção da Camera, para quem os modelos de negócios das duas empresas são diversos. “Enquanto a Vanguarda estava relativamente isolada lá, comprando e processando soja em fábricas de terceiros, a gente tem acesso direto aos agricultores e produção de óleo in house”, explica o diretor, ressaltando que a verticalização das operações é uma clara vantagem a favor da empresa.

Além de afirmar que a empresa se mantém otimista quanto a possibilidade de novos aumento da mistura obrigatória virem já no ano que vêm. Manjabosco também ressalta que a usina de Rosário do Sul está bem localizada para disputar o mercado uruguaio. “O Uruguai tem feito avanços importantes no uso da mistura de biodiesel”, comenta.

A Camera projeta para 2012 que área de alimentação humana e animal será responsável por 50% do faturamento total. Já o mercado de biodiesel representará 20%, e 30% será dividido entre as operações de comercialização de grãos e venda de insumos aos agricultores que fornecem matéria-prima. A expectativa é alcançar um faturamento bruto de R$ 2,8 bilhões para o ano que vem.

A esmagadora de São Luiz Gonzaga
A fábrica de óleo e farelos com capacidade de processamento de 900 toneladas por dia, localizada no município de São Luiz Gonzaga, fica a cerca de 110 quilômetros de distância da usina de Ijuí.

De acordo com Kist essa é uma unidade multióleos de última geração, o que facilitará projetos de diversificação de matérias-primas para a produção de biodiesel, especialmente a canola e o girassol.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

Tags: Camera