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Biodiesel tem participação irrisória em plano energético do governo


BiodieselBR.com - 08 jun 2011 - 08:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou ontem a nova edição do Plano Decenal de Expansão de Energia 2020 (PDE 2020). Na próxima década a demanda brasileira por recursos energéticos deverá crescer 60%, com dois terços desse consumo concentrado nos setores industriais e de transportes. Para tanto, mais de R$ 1 trilhão deverá ser investido pelo Brasil no aumento da geração e melhoria da distribuição de energia no território brasileiro até o ano de 2020.

Desse total, o setor de petróleo e gás natural deve ficar com R$ 686 bilhões, R$ 236 bilhões devem ir para o setor de eletricidade e R$ 97 bilhões para o de biocombustíveis líquidos. A primeira vista pode parecer que as notícias são boas para o setor de biodiesel, mas chama a atenção que as previsões da EPE reservem uma fatia simplesmente irrisória do bolo de investimentos para o segmento.

Dos R$ 97 bilhões que deverão ser gastos para aumentar a oferta de biocombustíveis, R$ 90 bilhões irão para a produção de etanol e os R$ 7 bilhões restantes serão colocados na melhora da infraestrutura de dutos e portos para escoar essa produção. Os investimentos em biodiesel ficariam restritos a construção de usinas e representariam apenas R$ 200 milhões até 2020 (veja imagem ao final).

O cenário traçado pela EPE considera que a capacidade instalada da indústria brasileira de biodiesel vai sair de 5,9 bilhões de litros para pouco menos de 7,4 bilhões na próxima década – crescimento da ordem de 1,5 bilhão de litros.

Em parte, o baixo nível de investimento previsto para o biodiesel pode ser explicado pelo fato do estudo considerar que a mistura obrigatória continuará em 5% durante todo o horizonte de projeção. A expansão da demanda, portanto, se resumiria a acompanhar o crescimento orgânico do consumo de óleo diesel previsto para o mesmo período – saindo dos atuais 2,5 bilhões de litros de biodiesel por ano para pouco mais de 3,8 bilhões de litros em 2020.  

No entanto, levantamento feito pela BiodieselBR indica que a soma de investimentos na área de biodiesel mostrada no estudo é bastante conservadora. A BiodieselBR manteve a linha segura do estudo e considerou apenas os projetos de usinas já anunciados e que tiveram início nos últimos meses. Somente com as iniciativas já anunciadas o valor de investimento passa com folga dos R$ 200 milhões. Entre as futuras usinas estão Bunge (Nova Mutum – MT), Cargill (Três Lagoas – MS), ADM (Joaçaba – SC), Noble (Rondonópolis – MT), Potencial (Lapa – PR), Bianchini (Canoas – RS) e Fuga Couros (Camargo – RS). Só esta última recebeu este ano 40 milhões do Fundopem/RS para o projeto da usina. Sem falar nos investimentos do projeto de biodiesel da Vale, através da subsidiária Biovale.

Matérias-primas
O PDE 2020 também se mostra cético quanto a diversificação das fontes de matéria-prima para setor de biodiesel dentro de seu horizonte de visão. A tendência é que dependência em relação ao óleo de soja – que hoje corresponde a 83% do biodiesel – perdure ainda pelos próximos 10 anos. Tal projeção coloca o biodiesel como um produto cronicamente mais caro do que o diesel fóssil. A situação só deve começar a mudar depois de 2020, quando os resultados do Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo começarem a se tornar mais perceptíveis. Estimativas da Embrapa, segundo o estudo da EPE, indicam que “uma vez removidas todas as barreiras hoje existentes para a sua produção, o dendê poderá vir a ser um suporte vigoroso para o PNPB, possivelmente a partir de 2022, com os 700.000 hectares de dendezais propostos pelo Programa Propalma”.

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O estudo classificou como incerto o aumento da mistura obrigatória de biodiesel e ressaltou que um “eventual aumento do percentual obrigatório depende da consideração de aspectos previstos nas diretrizes do programa, como o fortalecimento da agricultura familiar por meio do Selo Combustível Social e a garantia para os motores utilizados, por parte da indústria automobilística no país.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com