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Fábio Rodrigues, de São Paulo
Muito incensado há alguns anos, quando era apontado como a matéria-prima que viabilizaria o biodiesel, o pinhão-manso nunca conseguiu entregar o que havia prometido. A decepção fez com que muitos dos antigos defensores desistissem do negócio amargando milhões em prejuízo. Mas as poucas empresas que persistiram podem acabar colhendo os frutos de sua dedicação, à medida que novas variedades deixam a oleaginosa cada vez mais perto de se tornar uma cultura viável.
Entre as empresas que nunca desistiram, a norte-americana SGB tem conseguido avanços significativos ao aplicar novas técnicas de genética molecular e sequenciamento de DNA para acelerar a domesticação da cultura. Numa reportagem recentemente publicada pelo New York Times, a empresa informou que suas novas variedades híbridas de alta produtividade da Jatropha curcas – o nome científico da planta – já poderiam deixar os biocombustíveis em pé de igualdade com os fósseis, desde que o preço do barril de petróleo se mantenha acima dos US$ 100.
De acordo com a SGB, em plantios controlados conseguiu- -se aumentos de até 900% na produtividade da espécie. A chave para esse salto na produtividade foi a descoberta de que a diversidade genética natural do pinhão- -manso era muito maior do que se supunha. A crença inicial era de que todos os exemplares da espécie fossem praticamente clones uns dos outros, até que testes com exemplares nativos da Guatemala – a planta é originária da América Central – revelaram que ela não ficava devendo nada para variedades agrícolas altamente diversas.
Esse avanço só foi possível porque a SGB desenvolveu algo chamado sequenciador semicondutor, que permite mapear os genomas de até 15 linhagens de uma espécie simultaneamente. Isso barateou o sequenciamento do DNA do pinhão-manso e permitiu que a equipe da SGB identificasse rapidamente as plantas detentoras das características genéticas mais promissoras, para em seguida cruzá- las. A atual plataforma tecnológica já foi patenteada pela empresa.
Antes, quando queriam aprimorar uma espécie vegetal, os cientistas precisavam cruzar duas linhagens promissoras e esperar até que ela chegasse à maturidade antes de saber se o trabalho tinha valido o esforço. Um processo que poderia levar até alguns anos para o caso de variedades perenes de ciclo mais longo. Graças aos avanços recentes, é possível determinar rapidamente se os descendentes gerados herdaram as características desejadas.
Expansão
Agora a empresa está tentando vencer a resistência dos agricultores, muitos dos quais ainda traumatizados, para ampliar a produção para uma área de 100 mil hectares. Para tanto, conta com o apoio de gigantes do setor de aviação como a Honeywell, para quem o pinhão-manso pode ser uma boa opção caso os preços do petróleo voltem a subir, inclusive com o fim de cumprir compromissos de redução nas emissões de gás carbônico.No Brasil o projeto é apoiado pelo consórcio JetBio, que reúne, entre outros, a Airbus, a petroleira BP e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. A meta do grupo é plantar 30 mil hectares de pinhão-manso, de olho principalmente no potencial do óleo como matéria-prima para bioquerosene de aviação (bioQAV).
Pelos planos originais, a expansão internacional desses cultivos demonstrativos de jatropha deveria ter começado cinco anos atrás. Contudo, o cronograma da empresa foi atropelado pela quebra do Lehman Brothers em setembro de 2008, que acabou afastando os investidores de projetos de risco.
