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Cátia Franco, de São Paulo
Em 2013, por meio da BSBios, o setor de biodiesel realizou a sua primeira exportação comercial do produto. Depois deste, outros sete negócios foram efetuados – seis pela BSBios e um pela Biofuga –, totalizando 32,7 mil toneladas exportadas. Além de constituir um marco histórico para o setor, a realização de operações desse gênero mostra que o biodiesel está ampliando seu peso na balança comercial brasileira, ajudando a torná-la mais favorável.
Essa não é a única contribuição da cadeia do biodiesel para as contas externas do país. As exportações brasileiras de glicerina vêm ampliando sua performance ano após ano. Em 2013, foram enviadas para o exterior 180,6 mil toneladas do coproduto – crescimento de 7% sobreo volume exportado em 2012. Essa atividade garantiu ao país a entrada de recursos da ordem de US$ 65,9 milhões – cerca de R$ 160 milhões pelo câmbio do final de janeiro. O preço médio da glicerina no ano passado ficou em R$ 364 a tonelada, a melhor cotação dos últimos seis anos.
O volume de glicerina exportado é bastante respeitável quando comparado ao período antes da obrigatoriedade. Em 2007 foram enviadas ao exterior pouco mais de 5 mil toneladas do coproduto.
De mansinho
O volume de biodiesel exportado ainda é pequeno, embora venha aumentando progressivamente. Prova disso é que, enquanto em outubro o Brasil embarcou para a Europa 12,1 mil toneladas de biodiesel, em novembro esse volume foi de 14,2 mil toneladas – 2.100 toneladas a mais do que no mês anterior. Os dados são da AliceWeb, plataforma online do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) que controla as importações e exportações do país.Lado oposto
Enquanto o biodiesel e seu coproduto ajudam a reforçar as reservas do país, o diesel vai na contramão.Segundo dados do MDIC, em 2013 o superávit comercial (exportações menos importações) brasileiro foi de apenas US$ 2,56 bilhões. Desde 2000 não se registrava um resultado tão ruim. E boa parte da responsabilidade por isso é da chamada “conta petróleo”, que engloba as transações comerciais desse produto e seus derivados, entre eles o óleo diesel.
No ano passado, o país quebrou todos os recordes de importação de óleo diesel. Ingressaram impressionantes 10,2 bilhões de litros do derivado de petróleo. Foi a primeira vez na história que as importações nacionais superaram a marca dos dois dígitos, incrementando em 10% o recorde anterior – 9,3 bilhões de litros em 2011.
O volume de diesel importado em 2013 representa um salto de 27,5% em relação ao que entrou no país em 2012. Mas nada que se compare ao incremento de 2009 para 2010, quando as importações se multiplicaram duas vezes e meia, indo de 3,5 bilhões para pouco mais de 9 bilhões de litros – o maior da década.
Analisando-se as importações brasileiras de óleo diesel nos últimos dez anos (entre 2004 e 2013), a dependência do país em relação ao produto importado cresceu 14% ao ano em média.
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Inflação
A desvalorização do real frente ao dólar verificada ao longo do ano passado vem fazendo com que as importações de diesel tenham um impacto cada vez maior nos cofres do país. Na média anual, o diesel importado custou R$ 1,74 o litro, obrigando o Brasil a desembolsar quase US$ 8,3 bilhões.Uma das medidas que poderia ajudar a reduzir a dependência desse derivado do petróleo seria o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel.
No final do ano, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) – uma das entidades que defendem o novo marco regulatório para o biodiesel – alertou sobre o crescimento das importações brasileiras de diesel. Em matéria publicada no portal Estadão, a associação mencionou a existência de produção suficiente de biodiesel para atender novas demandas e ressaltou a queda de preço do produto. Segundo a Abiove, no fim de 2013 o biodiesel produzido no país foi negociado a R$ 1,94/litro na usina – valor 27% abaixo do praticado no mesmo período no ano anterior.
A redução da disparidade entre os preços do biodiesel e do diesel é um dos argumentos-chave usados pelo segmento para tentar convencer o governo a promover o aumento da mistura, já que ajuda a dissipar temores acerca de um possível impacto inflacionário. Entretanto, o Planalto parece não estar muito convencido, tanto que a medida que cria o novo marco continua retida no Ministério da Fazenda.

